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Início > Mercado > Tether processa Titan Holding em SP para reaver US$ 300 milhões de Vorcaro
Mercado

Tether processa Titan Holding em SP para reaver US$ 300 milhões de Vorcaro

Por Maicom Henrique
Atualizado em: 08/05/2026 20:19
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  • Tether aciona Justiça de São Paulo para recuperar US$ 300 milhões da Titan Holding
  • Empréstimo venceu em 28 de março e segue sem qualquer pagamento de Vorcaro
  • Calote não afeta lastro do USDT e representa fração da carteira de US$ 15,8 bi

A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, levou ao Judiciário brasileiro uma das maiores disputas envolvendo crédito cripto já registradas no país. A empresa ajuizou ação em São Paulo para reaver US$ 300 milhões emprestados à Titan Holding, braço do conglomerado Master controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Vorcaro foi preso na última quinta-feira, em desdobramento da operação que apura o rombo bilionário no Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro, após a autoridade monetária identificar um buraco de US$ 2,2 bilhões nas reservas e impactos sobre mais de 1 milhão de clientes. A Tether Investments concedeu o empréstimo há cerca de um ano, antes do estouro do escândalo. O vencimento estava marcado para 28 de março, prazo de 12 meses após a liberação dos recursos. Até a abertura do processo, nenhum centavo havia retornado ao caixa da emissora.

Pedido de bloqueio de ativos

Na petição inicial, a Tether solicita o congelamento de ativos financeiros mantidos em contas, aplicações e investimentos das rés Titan, Master Holding e Master Participações. A medida cautelar tenta impedir a transferência de recursos enquanto a disputa avança.

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O movimento coloca a empresa de Paolo Ardoino na fila de credores que tentam recuperar valores junto ao grupo Master. Os prejuízos somados envolvendo o conglomerado já superam dezenas de bilhões de reais, segundo levantamentos preliminares de autoridades brasileiras.

A Tether fez questão de esclarecer que esse crédito não compõe as reservas que dão lastro ao USDT. O empréstimo faz parte da carteira de operações financeiras paralelas, separada do colchão de Treasuries americanos que sustenta a stablecoin. O reforço público busca conter qualquer dúvida sobre a paridade da moeda com o dólar.

Contexto da carteira de empréstimos

O caso brasileiro escancara o tamanho do braço de crédito da Tether. Os empréstimos garantidos representam 8,25% das reservas da companhia, o equivalente a aproximadamente US$ 15,8 bilhões. Nos atestados trimestrais, a emissora afirma que essas operações são sobrecolateralizadas e contam com mecanismos de margin call e liquidação.

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Em dezembro de 2025, Alex Thorn, head de pesquisa da Galaxy Digital, classificou a Tether como a maior credora de finanças centralizadas (CeFi) do setor cripto, com livro de empréstimos acima de US$ 14 bilhões. A linha de negócios faz parte da estratégia de diversificação que reduz a dependência da receita gerada pelos títulos do Tesouro dos EUA.

Mesmo assim, episódios como o brasileiro expõem riscos da operação. Para investidores que acompanham a saúde do USDT, a perda de US$ 300 milhões corresponde a menos de 2% da carteira de empréstimos garantidos e a uma fração ainda menor das reservas totais sem efeito prático sobre a paridade. O sinal preocupante é qualitativo, a contraparte era um conglomerado bancário com problemas estruturais não detectados a tempo.

Impacto no mercado brasileiro

Para o investidor doméstico, o caso introduz um precedente relevante. É a primeira vez que uma emissora global de stablecoin recorre à Justiça de São Paulo para cobrar quantia dessa magnitude de um grupo financeiro nacional. O resultado pode pavimentar o caminho para outras disputas semelhantes, num momento em que o Banco Central finaliza a regulamentação de prestadores de serviços de ativos virtuais sob a Lei 14.478.

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A relação entre Tether e Master também já havia sido noticiada anteriormente, quando vieram a público os primeiros indícios do calote. A nova ação judicial confirma que negociações extrajudiciais não avançaram nos meses seguintes à liquidação do banco.

O movimento ocorre enquanto a emissora intensifica operações de compliance globais. Apenas no último mês, a empresa congelou US$ 515 milhões em USDT nas redes Tron e Ethereum, sob pedidos de autoridades. O processo no Brasil se soma a um conjunto de medidas que tentam blindar o balanço da maior emissora de stablecoin do planeta.

Próximo passo da Tether é obter, em caráter liminar, o congelamento dos bens do conglomerado antes que a massa de credores se amplie ainda mais. Vorcaro segue preso enquanto autoridades aprofundam a investigação sobre o rombo no Master.

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Tether emprestou mais de R$ 1,5 bilhão para o Banco Mater e levou calote
TagsBitcoin BrasilStablecoinTetherUSDT
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Maicom Henrique
PorMaicom Henrique
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