- Morgan Stanley detém US$ 29,9 milhões no ETF de staking de Solana da Bitwise
- Banco também protocolou pedidos próprios de trusts de Bitcoin e Solana na SEC
- SOL acumula queda de 38% em 2025 e é negociado em US$ 86
O Morgan Stanley elevou sua exposição indireta a solana e agora carrega US$ 29,9 milhões no ETF de staking da Bitwise dedicado ao ativo. A posição apareceu nos registros referentes ao primeiro trimestre de 2025 e figura entre as maiores apostas públicas de um grande banco em produtos específicos da rede.
O movimento reforça a aproximação da instituição com veículos cripto listados. E acontece em meio a um ano duro para o token nativo da blockchain, que opera em US$ 86,60, cerca de 38% abaixo do nível em que iniciou 2025.
A estratégia cripto do Morgan Stanley
A aposta na Bitwise não é um movimento isolado. Em 6 de janeiro de 2025, a divisão de gestão do banco protocolou na SEC dois formulários S-1: um para o Morgan Stanley Bitcoin Trust e outro para o Morgan Stanley Solana Trust.
O trust de Solana foi descrito como um veículo passivo, desenhado apenas para acompanhar o preço à vista do SOL. A estrutura para o Bitcoin segue lógica idêntica, com o ativo de referência trocado. Caso os produtos passem pelo crivo do regulador, o banco deixa de depender de ETFs de terceiros como a própria Bitwise para oferecer exposição a seus clientes de wealth management.
O ritmo da virada chama atenção. Foi só na metade de 2024 que o Morgan Stanley liberou seus assessores para sugerir ETFs de Bitcoin a clientes elegíveis. Em menos de um ano, o banco saiu do “pode mencionar” para arquivar trusts próprios uma janela curta para os padrões de Wall Street. O passo coloca a casa em rota de competição direta com BlackRock, Fidelity e Grayscale na corrida por mandatos cripto.
Por que Solana, e por que agora
O produto da Bitwise traz um diferencial, o componente de staking. O mecanismo de proof-of-stake da Solana permite que detentores do token recebam rendimento ao participar da validação da rede. O ETF repassa parte desse yield ao cotista, criando um carrego que não existe em ETFs spot de Bitcoin, por exemplo. Para um banco que precisa justificar a alocação em um ativo volátil, o rendimento extra é argumento de venda relevante.
Outro fator pesa na escolha. Solana virou o palco preferido de novas frentes do setor sobretudo aplicações de inteligência artificial. Levantamentos recentes mostram que a rede concentra 63% dos agentes de IA em cripto, o que ajuda a sustentar a tese de longo prazo apesar do desempenho fraco do token em 2025.
Sinal institucional em meio à queda do SOL
A posição do Morgan Stanley se soma a outros sinais institucionais. A universidade Dartmouth também apostou em ETF de Solana recentemente, e a Bitwise tem visto seu produto ganhar tração entre gestoras tradicionais. O padrão sugere que, mesmo com SOL em correção pesada, alocadores institucionais enxergam o ciclo atual como ponto de entrada e não como motivo para zerar exposição.
Ainda assim, a queda de 38% no ano serve de lembrete. Interesse institucional não blinda nenhum ativo de volatilidade. Solana lida com críticas de centralização e instabilidade, questões que podem ressurgir em comitês de risco e impactar regulações futuras.
Para o investidor brasileiro, a leitura é dupla. Por um lado, o avanço do Morgan Stanley pavimenta caminho para que ETFs de Solana ganhem tração global e, eventualmente, cheguem à B3 a CVM já autorizou produtos de Bitcoin e Ethereum na bolsa local. Por outro, a exposição via Bitwise sinaliza que o canal de wealth americano ainda prefere veículos com staking embutido, modelo que também cresce no Ethereum e tende a definir o padrão de novos ETFs cripto regulados.