Glassnode: 10% do Bitcoin está exposto a risco quântico

  • Glassnode aponta 1,92 milhão de BTC com chave pública exposta por design
  • Moedas atribuídas a Satoshi respondem por 5,5% da fatia vulnerável
  • Outros 20,6% do supply estão em risco operacional por má gestão de chaves

Cerca de 9,6% de todo o bitcoin em circulação está classificado como “estruturalmente inseguro” diante de um eventual avanço da computação quântica. O dado é da Glassnode, plataforma de análise on-chain, e considera apenas moedas cujo formato de saída revela a chave pública por construção — independentemente do cuidado do dono com a carteira.

No total, são aproximadamente 1,92 milhão de BTC nessa condição. O grupo reúne saídas antigas do tipo Pay-to-Public-Key (P2PK), da era Satoshi. Ainda, inclui estruturas legadas de multisig (P2MS) e endereços modernos Pay-to-Taproot (P2TR). Estes expõem a chave pública ou um equivalente dela já no momento em que o saldo é registrado.

O peso das moedas de Satoshi

A maior parte do risco vem do começo da rede. As moedas atribuídas ao criador anônimo do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, somam cerca de 1,1 milhão de unidades, ou 5,5% do supply vulnerável. Outras 620 mil moedas da mesma era — mineradas por participantes pioneiros — adicionam 3,1%. Endereços Taproot, adotados após o upgrade de 2021, respondem por aproximadamente 200 mil BTC, ou 1% da oferta total.

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Esse tipo de exposição não depende de o usuário ter “reutilizado endereço” ou cometido algum descuido. Está no protocolo. Por isso a Glassnode separa esse bloco de outros 4,12 milhões de BTC — 20,6% do supply — que classifica como “operacionalmente inseguros”: coins em endereços modernos, mas cujas chaves públicas vazaram por reutilização ou má higiene de gestão.

Somando os dois grupos, mais de 30% do bitcoin existente teria algum grau de fragilidade em um cenário hipotético de quebra da criptografia de curva elíptica (ECC). Por outro lado, os outros 13,99 milhões de BTC, ou 69,8% da oferta, permanecem fora do raio de risco, segundo o levantamento.

Bitcoin quantica

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Qual o tamanho real da ameaça

O cenário, porém, exige um qualificador importante. Para que essas moedas fossem efetivamente roubadas, seria necessário um computador quântico capaz de derrotar a ECC do Bitcoin. White paper da Ark Invest, publicado em março, estima que a tarefa demandaria cerca de 2.330 qubits lógicos. Demandaria ainda entre dezenas de milhões e bilhões de portas quânticas. Nada disso existe hoje — os processadores quânticos atuais operam com qubits ruidosos e em escalas muito menores.

O Citi avaliou recentemente que o desenho do Bitcoin o torna mais sensível à computação quântica do que redes como Ethereum. Isso ocorre justamente por causa do legado P2PK e da forma como Taproot expõe chaves. A discussão técnica gira em torno do BIP-360, proposta que cria o tipo de saída Pay-to-Merkle-Root (P2MR). Além disso, remove o caminho de gasto vulnerável do Taproot — sem ainda introduzir assinaturas pós-quânticas completas.

Exposição de custodiantes e impacto no Brasil

Os dados por entidade chamam atenção para investidores institucionais. A Glassnode aponta 100% de exposição nos BTC custodiados por Franklin Templeton, WisdomTree e Robinhood. Indica ainda 99% no neobanco Revolut, 52% nas posições da Grayscale e apenas 2% no estoque da Fidelity.

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Entre as exchanges, o contraste é maior. A Coinbase aparece com cerca de 5% de exposição, enquanto a Binance registra 85%. A Bitfinex beira os 100%. Para o investidor brasileiro, isso ajuda a entender por que custódia institucional virou tema regulatório central — a CVM e o Banco Central discutem padrões de custódia de criptoativos. Isso ocorre enquanto o mercado local concentra volume justamente em corretoras estrangeiras de maior exposição.

A Glassnode recomenda que exchanges e custodiantes reduzam reutilização de chaves, melhorem padrões de endereço e planejem migração para formatos pós-quânticos. A Ripple, por exemplo, já anunciou trabalho de blindagem do XRPL contra esse cenário. O timing da ameaça é incerto. No entanto, a leitura prática do relatório é direta: mover saldos antigos para endereços modernos e segregados continua sendo a medida de proteção mais imediata ao alcance de quem detém bitcoin hoje.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.