Bitcoin recupera US$ 77,5 mil, mas ETFs perdem US$ 980 milhões

  • Bitcoin sobe acima de US$ 77,5 mil, mas enfrenta resistência até US$ 82 mil
  • ETFs à vista de BTC acumulam saída líquida de US$ 979,7 milhões na semana
  • HYPE e ZEC destoam do mercado e mantêm tendência de alta no curto prazo

O bitcoin recuperou o patamar de US$ 77.500 nesta terça-feira, mas o movimento de alívio não veio acompanhado de convicção compradora. A reação encontra resistência imediata na faixa entre US$ 78.500 e US$ 82.000, área que concentra ordens de venda e a média móvel exponencial de 20 dias, hoje em US$ 78.484.

O cenário técnico convive com um pano de fundo institucional adverso. Segundo dados da Fireside Investors, os ETFs à vista de bitcoin nos Estados Unidos acumularam saída líquida de US$ 979,7 milhões na semana, sinal de que grandes alocadores reduziram exposição enquanto o ativo testa suportes críticos. O fluxo negativo conversa diretamente com o comportamento do preço: sem entrada institucional, o mercado spot perde o principal motor de demanda de 2024 e 2025.

Zona decisiva entre US$ 74 mil e US$ 76 mil

O analista Ardi, em publicação no X, afirma que um novo teste da região de US$ 74.000 a US$ 75.000 pode ser o exame mais relevante do atual ciclo. A faixa funcionou como resistência dura ao longo de 2024 e virou suporte em 2025. Romper esse piso, segundo o analista, abriria espaço para uma rotação rumo às mínimas anteriores do bear market.

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Sunny Mom, da CryptoQuant, projeta cenário menos drástico. Para ele, se o BTC sustentar a marca de US$ 70.700, é provável uma consolidação entre US$ 70.000 e US$ 82.000, intervalo que serviria para digerir oferta e queimar tempo antes de uma definição clara de tendência. Um fechamento acima de US$ 84.000 abriria caminho para US$ 97.924.

Para o investidor brasileiro, o intervalo importa porque define o preço médio de entrada de novas posições em real. Com o dólar oscilando próximo de R$ 5,30, cada US$ 1.000 a menos no BTC representa cerca de R$ 5.300 de desconto por unidade — diferença sensível para quem opera posições alavancadas em exchanges locais como Mercado Bitcoin e Binance BR.

Ethereum e altcoins presas em suportes

O ether perdeu a linha de suporte do canal ascendente no domingo, mas os vendedores ainda não conseguiram acelerar a queda. Um fechamento abaixo das médias móveis colocaria o ativo em rota para US$ 1.916. No cenário inverso, o par ETH/USDT busca US$ 2.465 antes de testar a linha de resistência superior do canal. O movimento ocorre enquanto as saídas em ETFs de ether pressionam o preço.

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O BNB tenta se firmar na média móvel simples de 50 dias, em US$ 629. Romper US$ 687 abriria espaço para US$ 730 e, depois, US$ 790. Já o XRP fechou abaixo da SMA de 50 dias (US$ 1,39) e precisa superar a linha de tendência de baixa para mirar US$ 1,61. Perder US$ 1,27 levaria o token a US$ 1,11.

Solana segura US$ 82,65, com a EMA de 20 dias inclinada para baixo em US$ 87,93 e RSI em terreno negativo. Dogecoin permanece confinada entre US$ 0,09 e US$ 0,12. Cardano tenta retomar US$ 0,25, enquanto Bitcoin Cash aprofundou a queda ao perder US$ 375 e ameaça desabar para US$ 300.

HYPE e ZEC fogem do padrão

Dois ativos destoam do cenário travado. Hyperliquid (HYPE) fechou acima de US$ 45,77 na segunda-feira, retomando a tendência de alta. O próximo obstáculo está em US$ 51,43 e, se rompido, abre caminho para US$ 59,41 — patamar em que o token entraria em território inexplorado. O movimento ganha relevância após a estreia dos ETFs de HYPE nos Estados Unidos, que superaram o volume do bitcoin em três dos seis primeiros pregões.

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O Zcash (ZEC) ricocheteou na EMA de 20 dias, em US$ 519, e mantém a estrutura de altas. Romper US$ 643 destrava o caminho rumo a US$ 750. A força do ativo reforça a tese de rotação para tokens de privacidade em momentos de aversão a risco no resto do mercado.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.