GDC despenca 98% após farsa de oferta a US$ 10,75 por ação

  • GDC perde 98% após proposta de fechamento de capital a US$ 10,75
  • Empresa detém 7.500 BTC, mas vale apenas US$ 7 milhões na Nasdaq
  • Congressistas pediram investigação por suposto suborno via TRUMP

A GD Culture Group (gdc), penny stock listada na Nasdaq e apontada como veículo de tesouraria ligado à memecoin TRUMP, virou um dos episódios mais bizarros do atual ciclo de empresas que apostam em Bitcoin como reserva corporativa. Em duas semanas, a ação saiu de uma euforia momentânea para uma queda de 98%, expondo um esquema com conexões chinesas, dívidas, promessas vagas e suspeitas de favorecimento político.

O estopim foi uma proposta não vinculante de fechamento de capital a US$ 10,75 por ação, divulgada no início do mês. O papel chegou a saltar para US$ 8,18 no dia do anúncio. Ontem, fechou perto de US$ 0,12, com mínima intradiária próxima de US$ 0,09 a 52 semanas. O valor de mercado encolheu para cerca de US$ 7 milhões.

A conta que não fecha

O detalhe que torna o caso surreal está no balanço. A GDC carrega 7.500 BTC em tesouraria, recebidos em setembro de 2025 de um consórcio com vínculos chineses em troca de novas ações emitidas. A preços atuais, essa reserva vale mais de meio bilhão de dólares. O mercado atribui mNAV de 0,02x à empresa, avaliando US$ 500 milhões em Bitcoin abaixo de imóvel em Manhattan.

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O relatório trimestral de Q1 2026 mostra por que o desconto é tão brutal, a GDC tinha menos de US$ 50 mil em caixa, déficit de capital de giro de US$ 1,7 milhão e apenas cinco funcionários em tempo integral. A empresa não possui receita operacional relevante e registrou compra de 7.500 BTC como transação entre partes relacionadas.

A conexão TRUMP e o TikTok

Dias antes do jantar de Donald Trump em Mar-a-Lago com os 220 maiores detentores da memecoin TRUMP, em maio de 2025, a GDC anunciou um acordo de US$ 300 milhões com um comprador não identificado nas Ilhas Virgens Britânicas. O propósito declarado, comprar BTC e TRUMP como estratégia de tesouraria. O timing coincidiu com a decisão de Trump de adiar a aplicação do banimento do TikTok nos Estados Unidos.

O movimento levou 35 deputados democratas, liderados por Adam Smith e Sean Casten, a enviarem carta ao Departamento de Justiça pedindo investigação sobre possível violação das leis federais antissuborno e da cláusula de emolumentos estrangeiros. Empresas ligadas a Trump controlam 80% do supply do TRUMP, favorecendo diretamente o presidente com compras do token.

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Recado ao investidor brasileiro

O episódio chega num momento em que o modelo de tesouraria em Bitcoin vive seu teste de estresse. Empresas como Strategy popularizaram o conceito, mas a GDC mostra o lado opaco da onda, companhias de fachada com baixa receita, governança frágil e estruturas societárias offshore que usam o BTC como vitrine para inflar ações. Para o investidor brasileiro acostumado à influência da família Trump no mercado cripto, o sinal é claro, nem todo papel com BTC no balanço é uma Strategy em miniatura.

A própria GDC já mudou de rumo. Em fevereiro de 2026, a empresa vendeu 7.500 BTC para financiar recompra de ações de US$ 100 milhões. As recompras, no entanto, não evitaram a nova mínima histórica. O movimento contrasta com posturas de longo prazo adotadas por gigantes do setor, como mostra o caso da Twenty One, capitalizada pela Tether e SoftBank. Nenhuma compra efetiva da memecoin TRUMP, vale registrar, apareceu nos registros públicos da GDC junto à SEC.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.