BlackRock vê saída de US$ 1,2 bi em ETFs de Bitcoin e Ethereum

  • IBIT registrou saída líquida de US$ 1,008 bilhão entre 18 e 22 de maio
  • ETHA, fundo de Ethereum da BlackRock, perdeu US$ 189,3 milhões na semana
  • Maior resgate diário do IBIT foi de US$ 448,4 milhões em 18 de maio

A maior gestora de ativos do mundo encerrou a semana com um dos piores fluxos já registrados em seus produtos cripto. A BlackRock viu investidores retirarem US$ 1,197 bilhão de seus ETFs à vista de Bitcoin e Ethereum entre 18 e 22 de maio, conforme dados consolidados pela Coinglass.

O movimento ocorreu em meio a um ambiente de aversão a risco no mercado cripto, com o BTC oscilando na faixa de US$ 75 mil a US$ 79 mil e o ETH pressionado entre US$ 2.000 e US$ 2.400. A combinação de incerteza monetária nos Estados Unidos e realização de lucros institucionais ajuda a explicar o ritmo de resgates.

IBIT concentra saída de US$ 1 bilhão

O iShares Bitcoin Trust (IBIT) foi o epicentro das retiradas. O fundo sangrou aproximadamente US$ 1,008 bilhão no período, com o pico ocorrendo em 18 de maio: foram US$ 448,4 milhões saindo em um único pregão. No dia seguinte, mais US$ 325,6 milhões deixaram o produto.

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A pressão se manteve até o fim da semana, ainda que em ritmo mais moderado. Em 21 de maio, o IBIT perdeu outros US$ 103,7 milhões, seguidos por US$ 68,9 milhões em 22 de maio. Esse padrão de saídas decrescentes sugere que parte dos investidores acelerou a liquidação no início da semana, possivelmente travando lucros antes de novos dados macroeconômicos.

Não é coincidência. Declarações recentes de dirigentes do Federal Reserve reabriram a hipótese de alta de juros nos EUA, o que historicamente penaliza ativos de risco. O cenário aparece na postura mais dura do Fed e ajuda a entender o desmonte de posições alavancadas em ETFs cripto.

ETHA sente pressão em escala menor

O ETHA, fundo de Ethereum da BlackRock, registrou saída líquida de US$ 189,3 milhões no mesmo intervalo. O pior dia foi 19 de maio, quando US$ 59,4 milhões deixaram o produto. Antes disso, 18 de maio havia tirado US$ 55,4 milhões, e 21 de maio retirou outros US$ 38 milhões.

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Em escala absoluta, o ETHA representa menos de 16% das saídas semanais da gestora. Mesmo assim, o volume é relevante para um produto ainda em fase de consolidação. Para investidores brasileiros que acompanham o ativo via BDRs ou exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, a leitura é direta: o apetite institucional pelo segundo maior cripto está em compasso de espera. Os dados on-chain do Ethereum mostram, porém, que carteiras de longo prazo continuam acumulando nas baixas.

O que isso significa para o investidor brasileiro

O fluxo negativo da BlackRock não é evento isolado. Reflete o mesmo padrão visto em outras gestoras durante a semana — Fidelity, ARK e Bitwise também registraram resgates em seus produtos. A diferença é que o IBIT, por seu tamanho, amplifica o ruído. O fundo se tornou referência de fluxo institucional desde a aprovação dos ETFs à vista em janeiro de 2024.

Para o mercado local, há um efeito de segunda ordem. Boa parte dos analistas brasileiros usa o fluxo dos ETFs americanos como termômetro para alocações em BTC e ETH no Brasil. Quando o IBIT sangra US$ 1 bilhão em cinco dias, fundos multimercado nacionais com exposição a cripto tendem a reduzir posições, o que pressiona o preço em reais. O movimento também encarece o hedge cambial para tesourarias corporativas que mantêm Bitcoin em balanço.

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Vale registrar a contraparte técnica: alguns operadores enxergam a sequência de resgates como combustível para repique. Quando as saídas se esgotam e os preços encontram suporte, o retorno de capital institucional costuma ser rápido. Foi o que ocorreu em agosto de 2024 e fevereiro de 2025. Os dados oficiais de fluxo seguem atualizados em tempo real no painel da Coinglass, principal referência para monitoramento desses produtos. O nível dos US$ 75 mil aparece como linha decisiva para definir se o cenário evolui para nova queda ou consolidação.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.