- Standard Chartered mantém projeção de US$ 100 mil para o Bitcoin até o fim de 2026
- Kendrick diz que MSTR não precisa vender BTC se colateral do STRC ganhar credibilidade
- STRC tem US$ 10 bilhões em valor nocional lastreados em Bitcoin da Strategy
A Standard Chartered voltou a defender que o Bitcoin tem espaço para subir 56% a partir do preço atual, desde que o mercado compreenda a mudança de estratégia comandada por Michael Saylor. O banco britânico mantém a projeção de US$ 100 mil para o BTC até o fim de 2026, mesmo com o ativo negociado perto de US$ 63.944.
A tese é de Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais da instituição. Em nota divulgada em 10 de julho, ele afirmou que a recente pressão sobre BTC e sobre as ações da Strategy Inc. (MSTR) veio de um ruído de comunicação, não de uma reversão de fundamento. A Strategy fechou o pregão de sexta cotada a US$ 94,64, com valor de mercado praticamente colado ao valor do seu estoque de Bitcoin.
De acumulador a emissor de crédito lastreado em BTC
A leitura de Kendrick parte de uma virada no modelo de negócios da empresa de Saylor. Até aqui, a Strategy financiava novas compras de Bitcoin emitindo dívida e ações a prêmio sobre o valor líquido dos ativos. Com o mNAV agora rodando próximo de 1,0, esse prêmio evaporou e com ele a capacidade de bancar aquisições sem diluir acionistas.
O caminho encontrado foi reposicionar o estoque. Em vez de mero ativo em tesouraria, o Bitcoin passa a servir como colateral do STRC, ação preferencial da companhia estruturada como produto de crédito. O instrumento soma cerca de US$ 10 bilhões em valor nocional e, segundo o analista, está fortemente supercolateralizado pelo BTC que a empresa mantém em balanço.
O problema, admite Kendrick, é que parte do mercado interpretou a inflexão como sinal de que a Strategy precisaria começar a vender moedas.
“A troca de comunicação é delicada e tem causado dor no preço do Bitcoin”, escreveu. “Quando todos entendermos o que Saylor está tentando fazer, a dor vai passar. E quando isso acontecer, BTC a US$ 64 mil é uma compra gritante.”
Kendrick compara Saylor a banco central e cita ‘whatever it takes’
Para o analista, a lógica é semelhante à de um banco central que promete fazer “o que for necessário”. Saylor precisa demonstrar que consegue vender Bitcoin se for exigido algo que, aliás, já fez em episódios recentes. Uma vez comprovada essa capacidade, argumenta Kendrick, a venda deixa de ser necessária porque a credibilidade do colateral se sustenta sozinha.
Se o mercado aceitar a nova função do BTC dentro da estrutura da Strategy, o próprio STRC tende a devolver terreno perdido e voltar de cerca de US$ 90 para US$ 100. E a pressão sobre o Bitcoin à vista, alimentada pelo temor de despejo de moedas por parte da maior tesouraria corporativa do ativo, tende a se dissipar.
A leitura, porém, contrasta com sinais recentes de estresse. O BitNotícias mostrou que a Strategy chegou a vender 3.588 BTC, movimento que alimentou comparações desconfortáveis. Analistas como os da CryptoQuant também já apontaram que a virada da empresa de compradora para vendedora antecede fases parabólicas do ciclo leitura oposta à de Kendrick sobre “ruído passageiro”.
STRC, mNAV e CPI ditam próximo movimento do BTC
Para o investidor brasileiro, três variáveis passam a comandar o preço nas próximas semanas. A primeira é a performance do STRC no mercado americano, se o preferencial voltar aos US$ 100, valida a tese de que o colateral em BTC tem credibilidade. A segunda é o mNAV da Strategy, que precisa reabrir prêmio para destravar novas emissões sem venda de moedas.
A terceira é macro. O Bitcoin segue represado na casa dos US$ 64 mil à espera do CPI de junho, dado que deve balizar a próxima decisão do Fed. Em reais, o BTC é negociado a R$ 328.085, com dólar a R$ 5,1040. Uma alta de 56% até dezembro de 2026, no cenário da Standard Chartered, colocaria o ativo próximo de R$ 512 mil pelo câmbio atual patamar que dependeria tanto da execução de Saylor quanto do ciclo de juros americano.