- Cinco endereços enviaram 107 BTC para carteira de queima sem chave privada
- Moedas foram compradas há 12 anos, quando bitcoin valia menos de US$ 600
- Teorias apontam erro de exchange, agente de IA e tax loss harvesting
Uma entidade desconhecida transferiu 107 BTC para um endereço de queima na rede do bitcoin, retirando de circulação cerca de US$ 8,5 milhões ao câmbio do dia da operação. As moedas estavam paradas há mais de 12 anos e a movimentação repentina abriu uma série de hipóteses entre analistas on-chain.
Segundo dados compartilhados pela Galaxy Research, cinco carteiras enviaram os fundos para o endereço que começa com a sequência “11111”, conhecido por não possuir chave privada associada. Isso torna os bitcoins comprovadamente impossíveis de gastar embora, tecnicamente, sigam contabilizados no supply total da rede.
Com essa nova remessa, o saldo total acumulado nesse endereço de queima chegou a 807 BTC, o equivalente a aproximadamente US$ 59 milhões na cotação registrada pela plataforma Arkham. É uma das maiores destruições voluntárias de bitcoin já registradas neste ano.
Moedas de 2014 com valorização de 12.700%
O detalhe que mais chamou atenção foi o histórico das carteiras. A maior parte dos 107 BTC foi adquirida há cerca de 12 anos, quando o bitcoin era negociado abaixo de US$ 600. De lá para cá, o ativo subiu cerca de 12.700%, e hoje opera na casa dos US$ 73.023, ou aproximadamente R$ 370 mil, segundo a cotação desta quinta-feira.
Em termos brutos, o custo de aquisição original dessas moedas ficou abaixo de US$ 65 mil. Mantidas até a queima, valiam mais de 130 vezes esse montante. Para qualquer investidor brasileiro acostumado a calcular ganho de capital sobre cripto na Receita Federal, o cenário é o oposto do otimizado, o detentor abriu mão de toda a valorização sem realizar o lucro em fiat.
Diferente de redes como Ethereum e BNB Chain, o protocolo do bitcoin não possui mecanismo nativo de queima. Projetos como Stacks já removeram moedas de circulação via prova-de-queima em endereços sem chave privada conhecida.
Erro de custódia, agente de IA ou fuga tributária
Sem nenhuma assinatura clara do remetente, o caso virou exercício de especulação on-chain. A Galaxy Research apontou tax loss harvesting, destruição ilícita ou erro operacional de IA como hipóteses principais.
O analista de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, também levantou a hipótese de um “agente de IA descontrolado”, além de cenários como sequestro ou planejamento tributário agressivo. Já Conor Grogan, head de produto na Coinbase, ofereceu a leitura mais terra-a-terra, provavelmente uma exchange errou ao processar uma transferência entre cold wallets.
A hipótese de Grogan tem peso histórico. Em incidentes anteriores, corretoras já perderam milhões em transferências mal configuradas de armazenamento frio. Falhas que atingiram custodiantes globais agora pressionam exchanges brasileiras diante das novas exigências regulatórias de reservas em 2025.
Contexto para o investidor brasileiro
A queima acontece em um momento delicado para o mercado. O Bitcoin cai 2,4% em 24 horas, enquanto traders monitoram baleias dormentes como termômetro de oferta no mercado. Casos parecidos, como o de carteiras de 2014 que enviaram 150 BTC à Coinbase, costumam ser interpretados como sinal de pressão vendedora só que a queima, neste caso, retira oferta em vez de adicioná-la.
Há ainda um efeito de longo prazo no estoque circulante. Considerando que o protocolo já tem limite duro de 21 milhões de unidades, cada bitcoin queimado reduz na prática o supply disponível. A leitura ganha relevância em paralelo a movimentos como o detalhado em outras destruições recentes de BTC e ao cenário de saídas bilionárias nos ETFs spot que vêm pressionando o preço.