- Baleias de Cardano acumulam 25 bilhões de ADA, recorde desde 2017
- Endereços com mais de 1 milhão de ADA controlam 67% da oferta
- TVL na rede recua 2,25% e cai para US$ 148,75 milhões
A acumulação por grandes endereços em Cardano atingiu níveis não vistos em quase uma década, mas o preço do ADA não reagiu. Os tokens cotados a US$ 0,2350 (R$ 1,19) recuam 1,2% nas últimas 24 horas, segundo dados de mercado desta quinta-feira (28).
O contraste entre métricas on-chain e cotação tem definido o comportamento da altcoin. Enquanto o Altcoin Season Index superou os 40 pontos nas últimas duas semanas, sinalizando rotação parcial de capital, o ADA seguiu na contramão e perdeu fôlego.
Baleias acumulam volume recorde
Carteiras com pelo menos 1 milhão de ADA classificadas como baleias pela plataforma Santiment somam agora 25 bilhões de tokens. É o maior patamar desde o final de 2017, quando esse grupo detinha cerca de 22,85 bilhões.
O percentual também impressiona. Essas carteiras controlam mais de 67% da oferta circulante de ADA, marca não vista desde julho de 2020. O paralelo histórico é direto, naquele mesmo período, o token saiu da casa dos US$ 0,23 e chegou perto de US$ 3 durante a temporada de altcoins de 2021.

O movimento sugere posicionamento de longo prazo. Investidores grandes costumam aproveitar lateralizações prolongadas para construir posições sem mover o preço comportamento típico de fases que antecedem rompimentos. Vale lembrar, no entanto, que concentração elevada também aumenta o risco de distribuição súbita caso a tese vire.
Compressão técnica mantém viés baixista
No gráfico diário, o ADA opera dentro de um triângulo descendente. O MACD ainda aponta força vendedora e abre espaço para um teste da mínima do ano em US$ 0,22. O Cumulative Volume Delta reforça a leitura, cerca de 29,62 milhões de ADA foram retirados em movimentos de venda recentes.
A faixa entre US$ 0,220 e US$ 0,236 tem funcionado como zona de defesa histórica. Toda vez que o ativo testou essa região, surgiram compradores. Para reverter o cenário, porém, o token precisa transformar a resistência diagonal próxima de US$ 0,28 em suporte algo que ainda não aconteceu.
Para investidores brasileiros expostos via exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, a leitura prática é de paciência forçada. Com o dólar a R$ 5,0551, a cotação em real perto de R$ 1,19 já oferece desconto relevante frente ao topo histórico, mas não há gatilho técnico imediato de virada. A CVM tampouco sinalizou movimento sobre Cardano que pudesse alterar o fluxo doméstico no curto prazo.
Liquidez cresce, mas uso da rede encolhe
A capitalização das stablecoins emitidas na rede Cardano subiu para US$ 52,15 milhões, alta de 12% em uma semana. O número mostra entrada de capital líquido pronto para ser deployado. Só que outras métricas não acompanharam.
O número de transações diárias ficou em 24,74 mil, e os endereços ativos somaram apenas 16,48 mil. O Total Value Locked na rede recuou 2,25% e foi para US$ 148,75 milhões, segundo o DeFiLlama. Em comparação, ecossistemas concorrentes mantêm volumes de DeFi várias vezes superiores.
Esse descompasso explica boa parte da estagnação. A acumulação de baleias e a entrada de stablecoins formam o lado comprador, mas a baixa atividade on-chain limita a narrativa de demanda real pelo protocolo. O cenário lembra o que outros ativos de grande capitalização vivem hoje, como mostrou a recente leitura técnica do XRP em padrão de pennant baixista.
Movimentos parecidos têm acontecido em outros tokens. Recentemente, dados mostraram baleias retirando milhões em IMX e XDC das exchanges sinal de que grandes detentores estão posicionando antes de novas pernas de mercado. Em Cardano, a divergência entre on-chain forte e técnico fraco sustenta o intervalo estreito que define o ADA há meses.