DxSale perde US$ 7,3 milhões em BNB via backdoor escondido em contrato

  • DxSale perde US$ 7,3 milhões em BNB após exploração de backdoor em contrato
  • Cerca de 1.400 provedores de liquidez na BNB Chain foram afetados pelo ataque
  • DeFi acumula US$ 52 milhões em perdas em maio após abril de US$ 634 milhões

A plataforma DxSale sofreu um ataque que drenou US$ 7,3 milhões em BNB de contratos de bloqueio de liquidez na BNB Chain. A exploração teria usado um backdoor escondido em um contrato antigo, atingindo aproximadamente 1.400 provedores de liquidez que mantinham fundos travados desde 2021.

De acordo com a empresa de segurança PeckShield, o endereço identificado como “0xC457” movimentou cerca de US$ 1,87 milhão em BNB para duas carteiras principais antes de redistribuir os recursos a múltiplos endereços de depósito ligados à Binance. A movimentação foi registrada na noite de 28 de maio.

A DxSale operou um dos maiores serviços de bloqueio de liquidez do ciclo de 2021, período em que centenas de milhões de dólares em tokens recém-lançados na BNB Chain foram parar em seus contratos. Projetos como o SafeMoon usaram a infraestrutura para travar liquidez. Esses mesmos fundos, esquecidos por anos, viraram alvo agora.

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Como o backdoor foi acionado

O analista on-chain Tahax reconstruiu a linha do tempo. Há 269 dias, o deployer da DxSale teria transferido silenciosamente a propriedade do contrato locker para uma nova carteira. Sem comunicado oficial. Sem aviso de migração. Apenas uma troca de mãos discreta.

A partir desse ponto, mais de 80 transações adicionais redirecionaram o controle entre carteiras até chegar ao endereço que executou os saques em larga escala. O atacante teria financiado a operação inicial com recursos sacados da Bybit.

A firma de segurança Web3 Coinsult identificou no contrato malicioso uma função privilegiada chamada setFee combinada a um período de bloqueio retroativo. A engenharia permitia tratar fundos teoricamente travados como saldo disponível para saque. Saques repetidos esvaziaram as reservas em horas.

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Impacto no investidor brasileiro

A BNB Chain é uma das redes mais usadas pelo varejo brasileiro por causa das taxas baixas e da integração nativa com a Binance, principal exchange no país. Muitos lançamentos de tokens nacionais entre 2021 e 2022 usaram lockers da DxSale como prova de comprometimento para investidores uma prática que virou padrão de mercado naquele ciclo.

O episódio recoloca em xeque a confiança em infraestruturas legadas. Contratos antigos, raramente auditados após o deploy inicial, continuam segurando capital relevante. A cotação do BNB negocia em US$ 636,15 (cerca de R$ 3.227), com alta de 0,8% nas últimas 24 horas, sem reação direta ao incidente.

O caso também chega dias após o lançamento do primeiro ETF spot de BNB nos EUA, em um momento em que a rede tenta consolidar narrativa institucional.

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DeFi sob pressão com onda de ataques

O exploit na DxSale entra numa sequência preocupante. Dados da DefiLlama mostram que protocolos DeFi acumularam cerca de US$ 52 milhões em perdas em maio, após US$ 634 milhões roubados em abril o pior mês desde fevereiro de 2025.

A própria semana já tinha registrado o exploit na Stake DAO, em que um atacante mintou 5,4 trilhões de tokens vsdCRV no Arbitrum e começou a trocá-los por ETH. O Wasabi Protocol também reportou perdas superiores a US$ 5 milhões após o comprometimento de uma chave administrativa em Ethereum, Base, Berachain e Blast.

O cofundador da OpenZeppelin, Manuel Aráoz, declarou na semana passada considerar “toda a DeFi” insegura. O argumento, ferramentas de inteligência artificial aplicadas à descoberta de vulnerabilidades estão acelerando a velocidade dos ataques. As falhas surgem mais rápido do que os desenvolvedores conseguem corrigi-las.

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Ao todo, a DefiLlama estima que exploits em cripto já provocaram mais de US$ 17 bilhões em perdas acumuladas, sendo US$ 7,8 bilhões só em DeFi. Segundo Tahax, criminosos já movimentaram parte dos fundos roubados da DxSale por serviços de mistura, dificultando o rastreio de vítimas brasileiras e estrangeiras com liquidez travada nos contratos.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.