- Supply em prejuízo do bitcoin salta de 7,75 milhões para 8,33 milhões de BTC
- US$ 73 mil é o custo médio de holders de 1 a 3 meses
- Spot Volume Delta atinge -US$ 600 milhões e confirma domínio vendedor
A correção recente do bitcoin redesenhou a estrutura de custo do mercado em poucos dias. Quando o preço escorregou de US$ 76.600 para US$ 72.900, o volume de moedas em prejuízo saltou de 7,75 milhões para 8,33 milhões de BTC.
O salto de aproximadamente 580 mil BTC mergulhados abaixo do preço de aquisição revela um detalhe incômodo, houve acumulação pesada perto das máximas locais, antes da perda de momentum. Esse contingente agora está preso, esperando o mercado voltar para zerar posições.

Neste momento, o bitcoin opera em US$ 73.025, equivalente a cerca de R$ 369,8 mil na cotação do dia. O patamar coincide com o custo médio de quem comprou nos últimos 1 a 3 meses a primeira trincheira psicológica do gráfico.
Linhas de defesa e resistências
Se US$ 73 mil ceder, o foco migra rapidamente para US$ 69 mil, faixa onde holders com posições entre 18 meses e 2 anos mantêm o custo médio, conforme métricas do CryptoQuant. É um suporte estrutural, não apenas técnico.
No lado oposto, a resistência começa a se formar perto de US$ 79 mil e depois em US$ 84 mil. São justamente os pontos onde compradores recentes ficariam no zero a zero e tendem a vender no break-even, alimentando o que analistas chamam de supply overhang.
Recuperar US$ 79 mil mudaria a narrativa. Significaria que a demanda está absorvendo essa oferta presa, abrindo caminho para um alívio nos cohorts mais machucados. Sem isso, qualquer rali tende a esbarrar em ondas de venda defensiva.
Spot Volume Delta confirma pressão vendedora
A leitura on-chain ganha reforço no comportamento do mercado à vista. O Spot Volume Delta diferença entre ordens agressivas de compra e venda segue firmemente negativo desde que o BTC saiu da casa dos US$ 80 mil rumo aos US$ 73 mil.
O indicador rompeu repetidas vezes a marca de -US$ 200 milhões e chegou a tocar -US$ 600 milhões durante a queda mais brusca observada em fevereiro. Os surtos pontuais de compra, entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões positivos, não tiveram continuidade.
A consequência prática é direta, cada tentativa de recuperação morre antes de ganhar tração. Vendedores controlam a liquidez disponível, e os repiques têm vida curta. Esse padrão se conecta a outro sinal preocupante as baleias do bitcoin freiam compras exatamente quando o mercado mais precisaria de novos compradores estruturais.
Leitura para o investidor brasileiro
Para quem investe daqui, o cenário tem três camadas. A primeira é cambial, com o dólar a R$ 5,20, a queda do BTC em reais é amortecida em parte pela tendência recente da moeda americana. Quem comprou via P2P ou exchanges locais nas máximas vê perdas em BRL menores do que em USD.
A segunda camada é institucional. Movimentos como o resgate bilionário em IBIT da BlackRock e o depósito da Strategy na Coinbase Prime ajudam a explicar a pressão vendedora que o Spot Volume Delta captura. Não é varejo nervoso é fluxo de fundos profissionais.
A terceira é comportamental. Historicamente, ciclos com mais de 8 milhões de BTC em prejuízo correspondem a fundos relevantes, não a topos. Foi assim em meados de 2022 e em março de 2020. O dado, por si só, não garante reversão mas mostra que a capitulação já está em curso entre quem comprou nas máximas recentes.
Enquanto o Spot Volume Delta não retornar ao território positivo de forma sustentada, a recuperação tende a permanecer frágil, com tentativas de alta absorvidas pela oferta de holders presos acima do mercado.