- Mais de US$ 1,5 bilhão em posições compradas de Bitcoin foram liquidadas desde 25 de maio
- Ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã em fevereiro detonaram movimento de risk-off global
- Mercados de previsão indicam só 1,5% de chance de BTC superar US$ 78 mil em junho
O mercado de Bitcoin registrou uma das maiores ondas de liquidações dos últimos meses. Desde 25 de maio, mais de US$ 1,5 bilhão em posições compradas (longs) foram zeradas em exchanges de derivativos. O gatilho? A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, que voltou a dominar o noticiário global e empurrou investidores para o modo aversão ao risco.
O patamar reflete a digestão de um movimento mais amplo, o ativo perdeu fôlego logo após os ataques americanos e israelenses contra alvos iranianos, em 28 de fevereiro de 2026, e desde então não conseguiu recuperar terreno acima da casa dos US$ 80 mil.
Deleveraging forçado no mercado de derivativos
O volume de longs eliminados em apenas cinco dias indica algo além de uma correção gradual. Trata-se de um evento clássico de deleveraging forçado, em que traders altamente alavancados são liquidados em cascata quando o preço perfura níveis técnicos críticos. Cada liquidação acelera a próxima, num efeito dominó que amplia a queda.
Esse padrão já se repetiu várias vezes em 2026. Em junho, episódio semelhante havia provocado liquidações de US$ 934 milhões em cripto após outro ataque americano contra instalações iranianas. A diferença agora é a duração, cinco dias consecutivos de pressão vendedora indicam que os fundos alavancados não conseguiram montar uma defesa coordenada do suporte.
Os mercados de previsão refletem o ceticismo. As cotações apontam apenas 1,6% de probabilidade de o Bitcoin cair abaixo de US$ 66 mil em 30 de maio, e tímidos 1,5% de chance de o ativo superar US$ 78 mil até 1º de junho. Em outras palavras, o consenso é de consolidação na faixa atual, sem fôlego para um repique forte.
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para quem opera Bitcoin no Brasil, o cenário traz dois sinais importantes. O primeiro é o reforço da correlação entre BTC e ativos de risco tradicionais durante choques geopolíticos a tese do “ouro digital” como hedge perde força quando a crise é militar e o investidor global corre para o dólar e os Treasuries. A própria venda de US$ 178 milhões em BTC pela BlackRock nas últimas semanas reforça essa leitura institucional.
O segundo ponto é cambial. Mesmo com o BTC caindo em dólar, o real desvalorizado em R$ 5,0361 por dólar amortece parte do impacto na carteira brasileira. Investidores que compraram acima dos atuais R$ 371 mil seguem no prejuízo, mas a janela de oscilação local é menor do que a vista lá fora. Vale lembrar que os ETFs spot americanos sangraram US$ 2,8 bilhões em nove dias, um recorde que sinaliza redução estrutural de exposição institucional.
O que monitorar nas próximas sessões
Três frentes concentram a atenção de mesas operacionais. A primeira é qualquer nova movimentação militar no Oriente Médio qualquer resposta iraniana, ataque a infraestrutura de petróleo ou bloqueio do Estreito de Hormuz teria impacto direto sobre o petróleo e, por tabela, sobre o apetite por risco.
A segunda é o fluxo dos ETFs. Saídas adicionais da BlackRock, Fidelity ou ARK aumentariam a pressão vendedora estrutural. A terceira é a postura da SEC e do Federal Reserve diante do agravamento da inflação qualquer sinal de aperto monetário ou pausa em cortes de juros amplifica o cenário de risk-off.
Enquanto o Bitcoin oscila perto dos US$ 73 mil, traders alavancados precisam recalibrar o tamanho das posições. O custo de manter longs abertos num mercado em deleveraging tem se mostrado caro e a próxima onda de liquidações pode vir mais rápido do que o esperado caso a faixa de US$ 70 mil ceda.