Liquidações em cripto chegam a US$ 934 mi após novo ataque dos EUA ao Irã

  • Liquidações somam US$ 934 milhões em 24 horas e atingem 167 mil contas
  • Bitcoin lidera perdas com US$ 363 milhões zerados, seguido por Ethereum
  • 93% das posições liquidadas eram compradas, apostando em recuperação

Uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra alvos no Irã desencadeou uma onda de liquidações no mercado de criptomoedas que totalizou US$ 934,24 milhões nas últimas 24 horas. Cerca de 167.400 contas de traders alavancados foram zeradas no episódio, segundo dados compilados pela CoinGlass.

O Bitcoin concentrou o maior estrago, com US$ 363 milhões em posições liquidadas. O Ethereum veio na sequência, com US$ 240 milhões. A maior ordem individual foi executada na Hyperliquid: um long de BTC no valor de US$ 15,34 milhões, fechado à força.

No momento da redação, o BTC era negociado a US$ 73.263 (R$ 371.808), recuando 3,3% em 24 horas. O ETH operava em US$ 1.987, com queda de 4,5%. Altcoins como Cardano, Chainlink e Cosmos amargavam perdas entre 5% e 7%.

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Posições compradas dominam o massacre

Dos quase US$ 1 bilhão liquidados, 93% vinham de operações compradas. Os vendedores a descoberto saíram praticamente intactos. O desequilíbrio mostra um livro de derivativos viciado em otimismo: traders empilharam alavancagem do lado long depois que sinais de cessar-fogo surgiram dias antes.

A taxa de alavancagem do Bitcoin já vinha caindo, indicando posicionamento delicado mesmo antes do gatilho geopolítico. Quando os preços romperam para baixo, o efeito cascata foi inevitável. Stops foram acionados em sequência. As corretoras zeraram contratos sem capital de margem suficiente.

O movimento contagiou outros ativos de risco. O petróleo Brent disparou conforme o mercado precificou ameaças ao fluxo no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do óleo consumido no planeta. Bolsas americanas também recuaram.

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Comando Central dos EUA confirma ofensiva

O Comando Central dos Estados Unidos confirmou ataques contra quatro drones iranianos de uso único próximos ao Estreito de Ormuz. Uma estação de controle terrestre em Bandar Abbas também foi destruída. Washington alegou que os alvos representavam ameaça às forças americanas e à navegação comercial.

A mídia estatal iraniana negou vítimas. O Kuwait, em paralelo, ativou defesas antiaéreas contra mísseis e drones que cruzaram seu espaço aéreo. A escalada ocorreu poucos dias após Washington e Teerã sinalizarem disposição para um acordo.

Em reunião de gabinete na quarta-feira, Donald Trump confirmou que as negociações travaram. Disse que o Irã estava “negociando no resto do combustível” e ameaçou “terminar o serviço” caso não houvesse acordo. A retórica derrubou o humor que se construía desde a promessa anterior de desescalada.

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Impacto no investidor brasileiro

Para quem opera cripto no Brasil, o episódio reforça o caráter de ativo macro-sensível do Bitcoin. O BTC já não responde apenas a fluxos de ETFs ou ciclo de halving: choques geopolíticos no Oriente Médio agora movem o preço em minutos. Exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit costumam refletir esses movimentos com defasagem mínima, e a cotação em real acompanha o tombo em dólar somado à variação cambial.

Vale lembrar que, em junho de 2025, um episódio semelhante envolvendo o mesmo Estreito de Ormuz já havia derrubado o Bitcoin abaixo de patamares-chave. A repetição do padrão sugere que o mercado ainda não desenvolveu hedge eficiente para risco geopolítico — algo que mineradoras corporativas e tesourarias cripto monitoram de perto.

O que observar nas próximas sessões

Operadores devem acompanhar funding rates e open interest para medir se o mercado está resetando ou apenas recarregando posições compradas. Um segundo round de ataques em três dias estreitou o espaço para diplomacia. Qualquer interrupção real no tráfego marítimo de Ormuz alimentaria nova fuga para ativos defensivos.

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O nível psicológico de US$ 70.000 para o Bitcoin aparece como próximo teste técnico. Abaixo dele, abre-se espaço para correção mais profunda. Acima, traders apostam que o mercado volta a precificar fundamentos como entrada de capital institucional e demanda por ETFs spot.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.