- OranjeBTC adquire mais 20 BTC por cerca de US$ 1,5 milhão
- Tesouraria total chega a 3.762 BTC, maior da América Latina
- Compra média a US$ 75.346 fica abaixo do preço médio histórico
A OranjeBTC, listada na B3 sob o ticker OBTC3, voltou ao mercado e comprou mais 20 bitcoins para o seu balanço. Com a nova aquisição, a tesouraria da companhia brasileira sobe para 3.762 BTC, posição que a mantém como a maior detentora corporativa de bitcoin entre empresas listadas da América Latina.
O desembolso ficou em aproximadamente US$ 1,506 milhão, o equivalente a algo perto de R$ 7,58 milhões pela cotação atual do dólar a R$ 5,03. O preço médio da operação ficou em US$ 75.346 por BTC, abaixo do nível em que o ativo é negociado hoje, em torno de US$ 71.558, ou aproximadamente R$ 360 mil.
Compra vem acompanhada de recompra de ações
A operação não se limitou ao bitcoin. Em paralelo, a OranjeBTC recomprou 289.100 ações de sua própria emissão. O movimento reduz o número de papéis em circulação e amplia, na prática, a fatia de BTC representada por cada ação remanescente.
É uma engenharia comum em empresas que adotaram o modelo de tesouraria-bitcoin nos Estados Unidos, mas ainda rara no mercado brasileiro. A métrica usada para acompanhar esse efeito é o chamado Bitcoin yield, que mede o crescimento do BTC por ação ao longo do tempo. A própria companhia reportou rendimento acumulado de 2,20% em 2026 nesse indicador.
Para o investidor local, a leitura é direta: cada OBTC3 passa a carregar uma exposição marginalmente maior ao bitcoin, sem que o detentor precise comprar mais ações. É um mecanismo que se assemelha ao que a Strategy, de Michael Saylor, popularizou no mercado norte-americano e que agora ganha tração na bolsa paulista.
Preço médio elevado e prejuízo não realizado
O custo médio acumulado da posição da OranjeBTC está em US$ 105.085 por bitcoin, considerando o investimento total de aproximadamente US$ 395,33 milhões em 3.762 BTC. Com a cotação atual perto de US$ 71,5 mil, a tesouraria opera no vermelho em termos contábeis.
A diferença supera US$ 33 mil por moeda, o que implica perdas não realizadas relevantes no balanço. A administração, no entanto, vem usando essas quedas para reduzir o custo médio. A aquisição mais recente, feita a US$ 75.346, está cerca de US$ 30 mil abaixo do preço médio histórico — sinal de que o plano é acumular nas correções.
A estratégia depende inteiramente da valorização do bitcoin no longo prazo. Se o ativo não retomar a faixa dos US$ 100 mil, a tese fica pressionada, e os papéis da empresa tendem a refletir essa volatilidade de forma amplificada.
Trajetória na B3 e acesso internacional
A OranjeBTC chegou à B3 em outubro de 2025 por meio de uma reverse merger com a Intergraus, atalho que dispensou o processo tradicional de IPO. Na estreia, já carregava mais de 3.650 BTC em caixa, avaliados na época em cerca de US$ 420 milhões.
A empresa também é negociada nos Estados Unidos como ADR sob o código ORNJY, o que abre uma porta para fundos estrangeiros interessados em exposição a um veículo bitcoin de origem latino-americana. Em março de 2026, tornou-se a primeira companhia listada a manter STRC em seu balanço, embora o BTC continue como ativo central de reserva.
No contexto brasileiro, a OranjeBTC ainda navega num cenário regulatório em construção. A CVM trabalha em normas para emissoras com alta exposição a criptoativos, e o Banco Central finaliza pontos do marco de prestadores de serviços de ativos virtuais. Detalhes adicionais sobre a operação constam no site oficial da B3, onde os fatos relevantes da companhia são publicados.