- Jake Claver afirma que RLUSD atrai instituições ao XRP Ledger sem substituir o XRP
- Stablecoin da Ripple tem emissor e está sujeita a bloqueios e sanções regulatórias
- XRP cotado a US$ 1,22 acumula queda de 5,8% nas últimas 24 horas
A chegada da RLUSD, stablecoin lastreada em dólar emitida pela Ripple, reabriu um debate antigo entre detentores de XRP: se um token estável liquida pagamentos em segundos, qual o espaço que sobra para o ativo nativo do XRP Ledger? Para o gestor e influenciador Jake Claver, a resposta é direta RLUSD não compete com XRP, atrai capital institucional para o mesmo ecossistema onde o XRP segue sendo a peça central.
Em uma sequência de posts no X, Claver descreveu a stablecoin como uma “porta de entrada” para grandes players regulados. Bancos, gestoras e tesourarias corporativas precisam de exposição estável ao dólar antes de explorar liquidação on-chain, tokenização de títulos e mercados de crédito digitais. Uma vez no ledger, segundo ele, surgem as perguntas mais ambiciosas, liquidar trades em tempo real, eliminar o ciclo T+3, mover ativos entre jurisdições sem intermediários.
XRP como cambista digital do ledger
Para explicar por que o token nativo continua relevante, Claver recorreu à analogia de um porto comercial antigo. Comerciantes chegam com seda, especiarias, sal e ouro, mas raramente carregam exatamente o que o vizinho quer comprar. Sem um intermediário neutro, cada troca exige duas ou três operações. Com 10 produtos diferentes, surgem 45 pares possíveis; com 100, quase 5.000.
O argumento se aplica diretamente a um cenário de tokenização em massa. Quando um trader troca um título do Tesouro tokenizado por um stablecoin em euros, o caminho mais eficiente raramente é direto. O sistema converte o ativo de origem em XRP, e o XRP no ativo de destino tudo em uma única transação visível ao usuário.
“O trader nunca vê a etapa do XRP. O ativo entra, o desejado sai. O XRP fica em silêncio no meio, fazendo a engrenagem girar”, escreveu Claver.
Três limites que impedem RLUSD de substituir XRP
Claver listou três restrições estruturais da RLUSD que, em sua leitura, inviabilizam a stablecoin como ativo-ponte universal. A primeira é o risco de emissor, a moeda depende de reservas mantidas em bancos e da operação de uma empresa regulada. Qualquer problema legal, bancário ou operacional afeta o token. O XRP, sem emissor central, não pode ser desligado por uma única companhia.
O segundo ponto é a neutralidade. Stablecoins reguladas precisam cumprir sanções, listas negras e exigências regionais podem congelar saldos e bloquear endereços. Para um produto de dólar regulado, isso é apropriado. Para um ativo-base de roteamento global, vira fricção. O terceiro limite é técnico, pools de liquidez exigem dois ativos distintos. RLUSD pode formar par com euros tokenizados, Treasuries digitais ou outras stablecoins, mas não pode estar dos dois lados do mercado.
XRP cai a US$ 1,22 com pressão vendedora
A tese chega em um momento delicado para o ativo. O XRP é negociado a US$ 1,22 (R$ 6,14), com queda de 5,8% nas últimas 24 horas, em meio a uma onda generalizada de aversão a risco no mercado cripto o Bitcoin recuou para US$ 67 mil no mesmo intervalo. A liberação mensal de tokens do escrow da Ripple e a saída de capital de ETFs spot ampliaram a pressão. Detalhamos esse movimento em nossa análise sobre o limite do ETF de XRP contra venda à vista.
Para o investidor brasileiro, o debate tem implicações práticas. Stablecoins lastreadas em dólar já dominam o volume de remessas e pagamentos via cripto no país, e a entrada da Ripple nesse mercado coloca a RLUSD em rota de competição direta com USDT e USDC em corredores latino-americanos. O Banco Central tem ampliado a fiscalização de prestadores de serviços de ativos virtuais vide a nova exigência de auditoria independente para VASPs, o que tende a favorecer stablecoins emitidas por entidades reguladas em jurisdições reconhecidas.
Há ainda um efeito colateral menos discutido. Se a tese de Claver se confirmar e o XRP Ledger atrair fluxo institucional via RLUSD, parte da demanda por XRP virá de roteamento automatizado, invisível ao usuário final um vetor de utilidade que independe de especulação. O contraponto está nos dados on-chain recentes, que mostram baleias e holders reduzindo posição mesmo com a narrativa institucional ganhando tração.