Strategy acumula prejuízo de US$ 11,2 bilhões em Bitcoin

  • Strategy acumula prejuízo não realizado de US$ 11,2 bilhões em Bitcoin
  • Ação preferencial STRC cai a US$ 94,6 e pressiona modelo de captação
  • Standard Chartered diz que fundo do BTC depende da próxima compra de Saylor

A maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo entrou em zona de prejuízo contábil. A Strategy, antiga MicroStrategy comandada por Michael Saylor, viu sua reserva de 843.706 BTC cair abaixo do preço médio de aquisição, expondo perda não realizada de US$ 11,2 bilhões e reacendendo o debate sobre a sustentabilidade do modelo.

O custo médio da empresa é de US$ 75.699 por moeda, com base de custo total em US$ 63,8 bilhões. Assim, com o BTC cotado na faixa de US$ 63 mil — após nova queda de 3,2% nas últimas 24 horas, segundo dados em tempo real —, o valor de mercado da posição encolheu para US$ 52,6 bilhões.

Saylor rejeitou a leitura pessimista. Assim, em publicação no X nesta quinta-feira, ele atribuiu o movimento à fuga de capital dos ETFs de Bitcoin para o setor de inteligência artificial. “Isto é uma rotação de capital, não uma deterioração do Bitcoin. Volatilidade cria oportunidade”, escreveu o executivo, apontando que mais de US$ 400 bilhões foram injetados em infraestrutura de IA nos últimos seis meses.

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STRC cai abaixo de US$ 100 e acende alerta

Bitcoin prejuizo

O componente mais delicado do balanço não é o BTC. É a ação preferencial perpétua de taxa variável STRC, instrumento usado pela Strategy para financiar novas compras. O papel é negociado a US$ 94,6, abaixo do valor nominal de US$ 100. A MSTR, ação ordinária listada na Nasdaq, recuava 1,5% no pré-mercado, para US$ 124,7.

Assim, o investidor e podcaster Scott Melker afirmou que o desconto não é sinal de problema estrutural. “O valor de US$ 100 não é piso de preço. É o valor declarado para preferência de liquidação e provisões de resgate”, escreveu. De acordo com ele, o desconto de 5% reflete “investidores exigindo retorno maior, precificando risco ou reagindo ao mercado — exatamente o que ações preferenciais fazem”.

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A leitura do crítico Peter Schiff foi oposta. O defensor do ouro argumenta que, se a STRC continuar caindo, a Strategy terá de elevar os dividendos para atrair compradores e levar o papel de volta ao valor de referência. Isso, na visão dele, antecipa o momento em que a empresa precisará vender Bitcoin para honrar pagamentos. Além disso, o alerta ganha peso após a Strategy vender 32 BTC nesta semana, a primeira alienação desde 2022.

Standard Chartered projeta fundo próximo

Assim, apesar do clima de aversão, o Standard Chartered enxerga sinais de exaustão vendedora. Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do banco, condiciona o diagnóstico à próxima movimentação de Saylor. Uma recompra de 320 BTC — dez vezes o vendido — ou de 3.200 BTC seria, para ele, indicativo de fundo formado.

O precedente joga a favor da tese. Em dezembro de 2022, após vender 704 BTC por motivos fiscais, a Strategy voltou ao mercado dois dias depois e comprou 810 BTC. Assim, caso a história se repita, o fim de semana tende a apresentar pressão vendedora reduzida, segundo o analista.

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ETFs perdem US$ 4,4 bilhões em 13 pregões

Assim, o pano de fundo é desfavorável. Os ETFs spot de Bitcoin registraram US$ 4,4 bilhões em saques nos últimos 13 pregões, fluxo que sustenta a tese de Saylor sobre rotação. A pressão se reflete em outras pontas do mercado: o IBIT da BlackRock acumula resgates e altcoins seguem o BTC, com SOL caindo 4,7% e XRP recuando 4,1% no dia.

A próxima divulgação semanal de compras da Strategy, normalmente feita às segundas-feiras pelo time de relações com investidores, será o gatilho mais observado por traders globais nas próximas 72 horas.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.