XRP recua a US$ 1,13 com baleias e ‘problema’ em ETFs

  • XRP cai 17% em junho e renova mínima de 2026 perto de US$ 1,10
  • ETFs à vista de XRP somam US$ 1,45 bilhão em captação desde novembro de 2025
  • Razão de lucro/prejuízo realizada cai a 0,38 e indica capitulação intensa

O xrp opera nesta sexta-feira a US$ 1,13 (R$ 5,77), com leve alta de 1,6% em 24 horas, mas ainda acumulando queda de cerca de 17% desde a abertura de junho. O token marcou nova mínima de 2026 no dia 5 e evaporou US$ 8 bilhões em capitalização de mercado em apenas três pregões, segundo levantamento da Glassnode.

A correção contrasta com o melhor mês de captação dos ETFs à vista do ativo em 2026. Em maio, os fundos atraíram US$ 131,94 milhões, superando os produtos de Bitcoin e Ethereum no período. A divergência entre demanda regulada e ação de preço virou o principal enigma do ativo.

Capitulação derruba indicadores on-chain do XRP

XRP (3)

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A leitura mais dura vem do indicador de lucro e prejuízo realizado. A razão de 90 dias caiu para 0,38, ou seja, os detentores estão registrando 38 centavos de lucro para cada dólar de prejuízo materializado. No auge especulativo de 2025, esse mesmo número chegou a 50.

O preço médio de aquisição agregado da base de holders está em US$ 1,48, segundo a Glassnode. Na prática, o investidor mediano está no prejuízo aos preços atuais — gatilho clássico de vendas defensivas em ciclos de baixa.

A atividade da rede reforça o diagnóstico. A média de 90 dias de taxas pagas no XRP Ledger desabou de 5.900 XRP em fevereiro de 2025 para apenas 500 XRP em 9 de junho, uma queda de 91,5%. A leitura aponta colapso na demanda orgânica por transações desde o fim da fase especulativa anterior, conforme já adiantamos na cobertura sobre taxas da rede e suporte em US$ 0,63.

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Baleias controlam 91,4% dos fluxos na Binance

De acordo com dados da CryptoQuant, as baleias responderam por 91,4% dos fluxos de saída de XRP na Binance e por 90,5% no conjunto das corretoras centralizadas. O número descreve concentração estrutural, mas não resolve se reflete venda agressiva ou acumulação silenciosa.

A própria CryptoQuant sugere a segunda leitura. Os fluxos de entrada de XRP na Binance vêm caindo, o que reduz a oferta disponível para venda imediata. Análise complementar da casa, citada em nossa cobertura sobre os 465 milhões de XRP sacados em junho, reforça a tese de retirada para custódia fria.

A Santiment soma ao quadro: carteiras com pelo menos 10 milhões de XRP controlam 45,83 bilhões de tokens, o maior nível desde maio de 2018. O número de endereços com 10 mil XRP ou mais bateu recorde histórico em 332.230. A acumulação está aí, mas ainda não foi suficiente para formar um piso técnico.

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Sete ETFs detêm 923 milhões de XRP em custódia

Além disso, os sete ETFs à vista aprovados nos EUA acumulavam aproximadamente 923,7 milhões de XRP em custódia em 10 de junho, com patrimônio combinado próximo de US$ 1 bilhão. Desde o lançamento, em novembro de 2025, a captação líquida acumulada se aproxima de US$ 1,45 bilhão.

Maio rodou 20 dias consecutivos de entradas até um saque de US$ 5,34 milhões em 3 de junho quebrar a sequência. O Standard Chartered projeta de US$ 4 bilhões a US$ 8 bilhões em entradas durante 2026 caso o CLARITY Act seja aprovado — cenário que o Polymarket precifica em 47% de probabilidade. Na contramão, o Goldman Sachs liquidou no primeiro trimestre toda sua posição de US$ 154 milhões em ETFs do ativo.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.