- Omã torna Omanhash.om o único pool legal para mineradores licenciados no país
- Sultanato responde por cerca de 3% do hashrate global, próximo de 30 EH/s
- Enegix Global repete em Omã o modelo soberano que já opera no Cazaquistão
O governo de Omã transformou a mineração de Bitcoin em atividade regulada por um pool estatal único. O Ministério de Transporte, Comunicações e Tecnologia da Informação (MTCIT) lançou o Omanhash.om em 17 de junho de 2026 como a única opção legal de pooling para empresas licenciadas no Sultanato. A adesão não é facultativa.
A medida coloca Omã ao lado do Cazaquistão como o segundo país a operar um pool soberano de mineração com reporte direto às autoridades fiscais. Para o setor, é um sinal claro: governos com ambições no setor querem visibilidade em tempo real sobre hashrate, receita e conformidade.
Enegix replica modelo do Cazaquistão
A infraestrutura técnica e de liquidez do Omanhash.om vem da Enegix Global, empresa verticalmente integrada de energia digital. A operação local fica a cargo da Frontier Technologies LLC, firma de blockchain sediada em Mascate. É o segundo mandato soberano da Enegix — o primeiro foi o btcpool.kz, lançado em outubro de 2023 no Cazaquistão e descrito como o primeiro pool de mineração de Bitcoin credenciado por um governo integrado a sistemas tributários estatais.
“Esse é nosso segundo mandato soberano e valida o modelo que construímos desde o Cazaquistão”, afirmou Olzhas Amirov, CBDO da Enegix. Para ele, marcos regulatórios claros permitem que mineradores operem dentro da lei, evitem tributação excessiva e mantenham diálogo transparente com reguladores.
Somados, Omanhash.om, 21pool.io e btcpool.kz colocam a Enegix em cerca de 25 EH/s sob operação. A meta declarada é chegar a 30 EH/s, consolidando a empresa como principal player na categoria de infraestrutura soberana de mineração.
Omã controla 3% do hashrate global
Dados do Hashrate Index referentes ao segundo trimestre de 2026 indicam que Omã responde por cerca de 3% do hashrate global da rede Bitcoin, algo próximo de 30 EH/s. O Omanhash.om mira 10 EH/s em sua fase inicial, com modelo de pagamento Full Pay-Per-Share (FPPS) — os mineradores recebem proporcionalmente às shares submetidas, independentemente de o pool encontrar bloco.
O investimento acumulado em mineração e data centers na Zona Franca de Salalah já ultrapassa US$ 700 milhões, ou cerca de R$ 3,55 bilhões na cotação atual. Duas grandes instalações entraram em operação em 2022 e 2023, com Exahertz e Green Data City liderando a expansão. O movimento se encaixa no Oman Vision 2040, plano de diversificação econômica que busca reduzir a dependência do petróleo via infraestrutura digital, IA e blockchain.
Centralização preocupa puristas da descentralização
Vale o paralelo com o Brasil. Por aqui, mineração de Bitcoin segue sem marco regulatório próprio — o Marco Legal das Criptomoedas (Lei 14.478/22) trata de prestadores de serviços de ativos virtuais, não de mineradores. Projetos brasileiros relevantes, como os ligados à Atrio e outras iniciativas em Itaipu, operam sob licenciamento elétrico convencional, sem nada parecido com um pool estatal compulsório. A diferença de modelo é significativa: enquanto o Golfo aposta em controle centralizado, o ambiente brasileiro mantém pulverização entre pools globais como Foundry USA e AntPool.
A escolha de Omã também acende debate técnico. Pools obrigatórios concentram poder de seleção de transações em um único operador, o que historicamente preocupa quem defende neutralidade da rede. No Cazaquistão, o modelo coexiste com mineradores que ainda enviam parte do hashrate para pools internacionais, ainda que isso seja juridicamente questionável.
Gauhar Kagira, diretora do pool da Enegix, descreveu Omã como “um dos primeiros países da região a introduzir um marco regulatório estruturado para mineradores”. A Enegix opera data centers com capacidade de até 250 MW no Cazaquistão e no Canadá, e desenvolve operações na América do Norte que combinam extração de gás, geração própria de energia, mineração de Bitcoin e colocation para inteligência artificial e HPC.
O Bitcoin é negociado a US$ 65.765 (R$ 334.349) nesta quarta-feira, com variação próxima de zero em 24 horas. A criptomoeda não tem curso legal em Omã segundo o Banco Central local, mas mineração licenciada é permitida e estimulada.