- K33 aponta 79% do Bitcoin em poder de holders de longo prazo, recorde histórico
- Apenas 218 mil BTC antigos foram reativados em 2026, mínima desde 2012
- BTC sobe 5,5% na semana e recupera região dos US$ 65 mil após perdas duplas
A pressão vendedora sobre o Bitcoin está secando na origem. Relatório publicado pela casa de pesquisa norueguesa K33 mostra que 79% de todo o BTC em circulação está parado em carteiras de holders de longo prazo, o maior percentual já registrado na história do ativo. O número é tratado pela firma como sinal técnico relevante, em todos os ciclos anteriores, fundos de mercado coincidiram com leituras semelhantes.
O chefe de pesquisa da K33, Vetle Lunde, cruzou o dado com outro indicador on-chain decisivo a movimentação de moedas antigas. Até 6 de junho, apenas 218.421 BTC com mais de dois anos parados haviam sido reativados em 2026. Em todo o histórico de Bitcoin, só 2012 registrou número menor para a mesma janela: 70.600 BTC.
O contraste com 2024 expõe a mudança de regime. Naquele ano, considerado o topo do ciclo anterior, 1,18 milhão de BTC antigos haviam sido reativados até a primeira semana de junho, indicando distribuição agressiva de veteranos para novos compradores. Agora, a equação se inverteu: quem segura não vende, e quem chega absorve toda oferta disponível.
Saídas de ETFs perdem força após semanas no vermelho
O cenário de baixa pressão vendedora se estende para além do on-chain. A K33 destaca que os resgates dos ETFs de Bitcoin à vista protagonistas da queda recente diminuíram nos últimos pregões. O volume agregado de negociação também recuou para as mínimas do ano, comportamento que historicamente acompanha o fim de mercados de baixa, não o início de novos ciclos vendedores.
Lunde lembrou ainda que os investidores compraram metade da oferta em circulação por preços superiores aos atuais. Esse patamar costuma aparecer apenas algumas semanas antes do fundo definitivo de bear markets frequentemente seguido de uma última perna de queda antes da reversão.
Nem todos os escritórios compartilham o otimismo cauteloso da K33. Wintermute, Glassnode e Bitfinex apontaram que fluxos de ETF, crescimento de stablecoins e demanda institucional ainda não retornaram a níveis compatíveis com uma reversão sustentada. Algumas projeções colocam o BTC em até US$ 30 mil antes de qualquer recuperação consistente cenário que, no câmbio atual, levaria o ativo para perto de R$ 165 mil em reais, abaixo dos preços vistos em 2024 nas exchanges brasileiras.
Warsh estreia no FOMC com Bitcoin sob alta correlação com S&P 500
A leitura macro adiciona ruído à semana. A reunião do FOMC de hoje marca a estreia de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve. O mercado precifica manutenção dos juros, mas mantém em radar a possibilidade de novas altas ainda em 2026. A correlação de 30 dias entre BTC e o índice S&P 500 está em 0,6, nível que amplifica reações cripto a qualquer mudança de tom da autoridade monetária efeito tipicamente mais agudo durante fases bearish.
Para o investidor brasileiro, o calendário do Fed tem peso duplo. Decisões hawkish pressionam o real, encarecem stablecoins lastreadas em dólar e elevam o custo de carregar BTC em corretoras locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, que precificam o ativo via paridade USD/BRL. Uma sinalização dovish, por outro lado, costuma destravar fluxo para risco e beneficiar o Bitcoin em reais antes mesmo da subida do preço internacional.
O preço do Bitcoin opera em US$ 65.140, com leve queda de 0,7% nas últimas 24 horas. Na semana, o ativo acumula avanço de 5,5%, reagindo após duas semanas consecutivas de perdas em dois dígitos. No comparativo mensal, ainda recua cerca de 16% ante os US$ 79 mil registrados em meados de maio. Frente ao topo histórico de US$ 126.198, atingido em outubro de 2025, a desvalorização é de quase 40%. O relatório completo da K33 traz a metodologia das séries on-chain citadas.