- STRC fechou perto de US$ 85, 15% abaixo do valor de referência de US$ 100
- Yield efetivo sobe a 13,5% e canal de captação da Strategy perde tração
- Reserva em dólar da empresa cai de US$ 2,25 bi para US$ 1,1 bi em seis meses
A ação preferencial STRC, emitida pela Strategy de Michael Saylor, fechou nesta quinta-feira em nova mínima histórica. Isso acendeu um alerta sobre o principal canal que a empresa usa para financiar a compra de Bitcoin. O papel, desenhado para flutuar próximo de US$ 100, tocou US$ 84,45 durante o pregão. Ainda assim, operou em torno de US$ 85, segundo dados em tempo real da Cboe.
O nível representa um desconto de cerca de 15% em relação ao valor nominal e fica abaixo dos US$ 90 do IPO. Como o STRC paga dividendo declarado de 11,5% ao ano, a queda na cotação eleva o rendimento efetivo a aproximadamente 13,5%. Esse movimento aprofundou a baixa de US$ 89 registrada na véspera. Houve cerca de 5 milhões de papéis negociados.
Como o STRC financia a compra de Bitcoin

O STRC é uma preferencial perpétua, classe de ação que paga dividendo e tem prioridade sobre as ordinárias na ordem de pagamento. A Strategy ajusta a taxa mensalmente para tentar manter o papel ancorado em US$ 100. Além disso, vende novas ações por um programa at-the-market (ATM) cujo caixa é direcionado a Bitcoin.
O mecanismo, porém, depende de o papel negociar perto ou acima do valor nominal. Vender bem abaixo de US$ 100 levanta menos dinheiro por ação e mina o próprio desenho de estabilidade. Em formulário 8-K referente à semana encerrada em 7 de junho, a empresa reportou zero emissões de STRC via ATM. Havia capacidade remanescente de cerca de US$ 17,51 bilhões.
A relevância do instrumento na estrutura de capital também minguou. Em meados de abril, a Strategy informou aos acionistas que o STRC tinha valor de mercado de US$ 6,4 bilhões e volatilidade histórica de 1,7% em 30 dias. Nesta quinta, esse valor já estava em torno de US$ 4,3 bilhões.
Saylor vende Bitcoin pela primeira vez desde 2022
A pressão sobre o STRC chega junto de uma obrigação recorrente em caixa. O dividendo é pago em dinheiro, e a Strategy declarou pagamento de US$ 0,958 por ação para o mês encerrado em 30 de junho. A partir dessa data, a frequência passará a ser quinzenal, conforme alteração aprovada na assembleia anual de 8 de junho.
Para honrar o compromisso, a empresa vendeu 32 BTC entre 26 e 31 de maio, a um preço médio de US$ 77.135, somando cerca de US$ 2,5 milhões. O volume é irrisório frente a uma posição de 846.842 BTC avaliada em mais de US$ 50 bilhões. Porém, marcou a primeira venda da empresa desde 2022. Além disso, foi a primeira anunciada em documento próprio — quebra simbólica para uma companhia que se vendia como acumuladora líquida.
A reserva em dólar criada em dezembro de 2025 para bancar dividendos e juros caiu de US$ 2,25 bilhões no início do ano para US$ 1,1 bilhão em 14 de junho. Na mesma semana, a Strategy comprou 1.587 BTC por cerca de US$ 100 milhões. Usou recursos da venda de ações ordinárias — canal separado do STRC.
Assim, a piora no valor da STRC e no Bitcoin seguiu a decisão do Federal Reserve de manter os juros entre 3,5% e 3,75% em 17 de junho, na estreia de Kevin Warsh. As projeções viraram hawkish: 9 dos 18 dirigentes agora veem ao menos uma alta em 2026. Juros mais altos por mais tempo competem diretamente com o público-alvo do STRC. Por isso, esse público pode escolher Treasuries e fundos de money market.