Futuros do Tesouro dos EUA disparam e elevam aposta em alta de juros em julho

  • Futuros do Tesouro saltam e reforçam aposta em alta de juros do Fed em julho
  • CPI de maio veio a 4,2% no acumulado de 12 meses nos EUA
  • Probabilidade de cortes em 2026 cai e pressiona ativos de risco como Bitcoin

O mercado de futuros do Tesouro dos Estados Unidos teve forte movimentação nesta quinta-feira e reorganizou as apostas sobre o próximo passo do Federal Reserve. Operadores agora veem como cenário mais provável uma alta adicional de juros já na reunião de julho, em vez do corte que parte do mercado vinha precificando no início do trimestre.

O gatilho foi a combinação entre o último relatório de inflação ao consumidor e o tom mais duro adotado por integrantes do FOMC. O CPI de maio mostrou alta anual de 4,2% no índice cheio, bem acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano. O dado reacendeu o temor de que o ciclo de aperto monetário, dado como encerrado por muitos analistas, ainda tenha um capítulo extra.

O movimento nos bonds andou em conjunto com a revisão do dot plot divulgado pelo Fed. Um número crescente de diretores passou a indicar que vê espaço para subir os juros ainda este ano, contrariando a leitura predominante entre gestores de que 2026 seria o ano dos cortes. A precificação atual também reduz a probabilidade de afrouxamento monetário no segundo semestre.

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CPI de maio pressiona bonds e dólar

A leitura do CPI a 4,2% não foi um susto isolado. O núcleo, que exclui alimentos e energia, segue resiliente, e os indicadores de serviços continuam pressionando o índice. Para o mercado de renda fixa, isso significa que o Fed tem pouca margem para flexibilizar o discurso na reunião de julho.

O efeito imediato apareceu nas curvas de juros. Os comunicados oficiais do FOMC têm sido lidos com lupa, e qualquer sinalização adicional de Jerome Powell ou do recém-empossado Kevin Warsh pode acelerar a reprecificação. Warsh chegou ao comando com viés reconhecidamente hawkish, conforme já antecipado por ex-diretora do Fed, e o mercado vem ajustando posições com base nessa expectativa.

Do lado macro, a recalibragem dos bonds tende a fortalecer o dólar e a comprimir ativos de risco. Em pouco mais de 24 horas, o Bitcoin recuou para US$ 62.602, queda de 4,3%, enquanto o Ethereum caiu para US$ 1.688, recuo de 4,9%. Solana e XRP perderam mais de 6% no mesmo intervalo.

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Cripto sente rotação para renda fixa

Quando os juros futuros sobem, o custo de oportunidade de manter ativos sem rendimento categoria em que se enquadram a maioria das criptomoedas aumenta. Esse é justamente o pano de fundo que vem derrubando o Bitcoin desde o último FOMC, conforme já mapeado na leitura do novo dot plot do Fed.

Casas como a Citadel já trabalham com a hipótese de uma alta em setembro, e não descartam um movimento ainda mais cedo se o núcleo da inflação continuar travado. Para o investidor brasileiro, o cenário tem dupla leitura. De um lado, juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e drenar liquidez de exchanges locais. De outro, o Copom seguiu o caminho oposto e cortou a Selic para 14,25%, ampliando o diferencial de juros e mantendo o real relativamente sustentado.

Esse descasamento entre Fed e Banco Central do Brasil cria janela peculiar: enquanto o investidor americano migra para Treasuries, parte do capital local pode rotacionar entre renda fixa em reais e cripto, especialmente em ativos que pagam yield. O dólar fechou cotado a R$ 5,1469, sem reagir de forma agressiva à movimentação dos bonds.

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Powell e dados de emprego no radar até julho

O próximo teste vem das reuniões do FOMC de junho e julho, além dos relatórios de emprego e da próxima leitura do CPI. Caso o payroll surpreenda para cima cenário que já derrubou o Bitcoin a US$ 62 mil em junho, a precificação de alta em julho pode passar de hipótese a consenso. Discursos de Powell e Warsh nas próximas semanas devem orientar o tom do ajuste.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.