- Solana superou Coinbase e Kraken em volume spot diário e semanal
- DEXs movimentaram US$ 1,34 trilhão no 2º trilhões, com 25% na Solana
- Oferta de USDT na rede cresceu 16% enquanto Ethereum recuou 3%
A Solana deixou de ser apenas a rainha das exchanges descentralizadas. A rede agora disputa volume de negociação spot diretamente com gigantes centralizadas, e os números do segundo trimestre mostram que a balança virou. SOL opera em US$ 73,01 (R$ 373,35), com alta de 4,9% em 24 horas, refletindo o reposicionamento competitivo da rede.
Levantamento da DefiLlama mostra que o volume agregado das DEXs em todas as blockchains atingiu o recorde de US$ 1,34 trilhão no segundo trimestre de 2025. A Solana respondeu por mais de 25% desse montante, consolidando-se como o principal hub de negociação on-chain do mercado global.
O detalhamento por rede deixa o cenário ainda mais claro. O volume mensal das DEXs na Solana se aproximou de US$ 50 bilhões nas últimas semanas, contra cerca de US$ 35 bilhões no Ethereum. A diferença de quase 43% reflete liquidez profunda, atividade intensa de usuários e a presença sustentada de capital no ecossistema DeFi da rede.
Solana fica atrás apenas de Binance e Bybit
Dados compilados pela Blockworks mostram que a Solana ultrapassou Coinbase e Kraken tanto no volume spot diário quanto no semanal. Entre as plataformas de negociação à vista, só Binance e Bybit seguem à frente da rede em movimentação.
A leitura é incomum no setor. Volume em corretoras centralizadas costuma ser tratado como termômetro de demanda institucional e liquidez agregada do mercado. Quando uma blockchain passa a competir nesse indicador, o sinal é de que o fluxo de capital migrou de forma estrutural para ambientes on-chain não como modismo, mas como infraestrutura cotidiana de trading.
O contraste com a narrativa anterior é direto. A dominância da Solana em DEXs já era conhecida há trimestres. O que muda agora é o tamanho relativo desse volume frente às maiores corretoras do planeta. Para o investidor brasileiro acostumado a operar em Mercado Bitcoin, Foxbit ou Binance BR, o dado significa que parcela crescente da formação de preço de tokens populares passa a ocorrer fora do ambiente regulado pela CVM.
USDT na Solana cresce 16% e puxa liquidez
Outro vetor sustenta o avanço, o capital em stablecoins. A oferta de USDT circulando na Solana se expandiu mais de 16% no período recente, enquanto a base de Tether no Ethereum encolheu pouco mais de 3%. Como maior stablecoin por capitalização de mercado, o USDT funciona como combustível operacional dos pools de liquidez.
O ciclo é autorreforçador. Mais USDT na rede alimenta pools mais profundos, que absorvem ordens maiores sem deslizamento relevante, atraem traders profissionais e elevam ainda mais o volume. É o mesmo mecanismo que consolidou o domínio do par BTC/USDT nas corretoras centralizadas durante o ciclo anterior agora replicado em ambiente descentralizado.
Vale observar que parte desse fluxo coincide com o movimento institucional captado pelo mercado de ETFs. Morgan Stanley fixou recentemente taxa de 0,14% em ETFs de Ethereum e Solana, sinal de que produtos regulados também passam a tratar SOL como ativo de alocação relevante, e não como aposta especulativa marginal.
SOL disputa fluxo com Hyperliquid no terceiro trimestre
Olhando para o terceiro trimestre, a atividade de negociação pode se transformar no principal catalisador de preço da Solana. A receita das DEXs construídas sobre a rede capturada em parte pelos validadores via taxas de prioridade alimenta o REV, métrica que mercado e fundos passaram a acompanhar com lupa.
A concorrência, porém, ficou mais dura. A ascensão da Hyperliquid no segmento de perpétuos divide atenção e capital com a Solana. Se o fluxo de spot continuar concentrado em SOL enquanto os perpétuos migram para HYPE, a rede de Anatoly Yakovenko mantém vantagem competitiva justamente onde a liquidez é mais difícil de replicar, na formação de preço à vista.