- Ripple obtém aprovação preliminar de licença CASP em Luxemburgo sob o MiCA
- Empresa já soma mais de 75 licenças regulatórias em escala global
- Aval complementa licença EMI obtida pela Ripple em janeiro de 2025
A Ripple, empresa por trás do XRP Ledger (XRPL), conquistou uma aprovação preliminar para operar como Crypto Asset Service Provider (CASP) em Luxemburgo. A Commission de Surveillance du Secteur Financier (CSSF) emitiu a autorização sob a estrutura do MiCA, marco regulatório de criptoativos da União Europeia.
O movimento foi divulgado em comunicado oficial publicado nesta terça-feira (23). Caso a licença plena seja concedida, a empresa poderá ofertar serviços de pagamento com stablecoin a clientes europeus e expandir sua atuação para um leque mais amplo de atividades cripto no bloco. O texto deixa claro, porém, que a aprovação ainda depende de condições finais.
Licença CASP soma-se ao passaporte EMI conquistado em janeiro
A nova credencial não chega isolada. Em janeiro, a Ripple já havia obtido a licença de Instituição de Moeda Eletrônica (EMI) em Luxemburgo. Com as duas autorizações combinadas, bancos europeus, fintechs e clientes corporativos passam a acessar serviços de cobrança, câmbio e pagamentos por meio de uma única integração técnica.
Esse arranjo coloca a empresa em posição competitiva diante de rivais como Circle e Coinbase, que já operam sob o MiCA em diferentes jurisdições do bloco. A escolha por Luxemburgo não é casual, o país concentra fundos de investimento europeus e oferece um regulador com histórico de diálogo técnico com o setor de ativos digitais.
Cassie Craddock, diretora-geral da Ripple para Reino Unido e Europa, afirmou que a demanda por serviços institucionais de ativos digitais está em aceleração.
“O MiCA ajudou a destravar uma nova onda de adoção institucional, e estamos vendo essa demanda acelerar em toda a região”, disse a executiva.
Segundo ela, a infraestrutura financeira segue migrando para soluções on-chain em ritmo crescente.
Ripple supera 75 licenças em escala global
A empresa passou a acumular mais de 75 autorizações regulatórias em diferentes jurisdições, segundo o próprio comunicado. Matthew Osborne, responsável pela área de políticas públicas da Ripple na região, destacou a postura colaborativa da CSSF luxemburguesa durante o processo.
Para o investidor brasileiro, a leitura passa por dois eixos. O primeiro é regulatório, o avanço do MiCA cria um modelo concreto que tende a influenciar o desenho da regulamentação do Banco Central sobre prestadores de serviços de ativos virtuais. A consulta pública 109 da autoridade brasileira já mira justamente os pilares cobertos pelo MiCA segregação patrimonial, capital mínimo e supervisão de stablecoins.
O segundo eixo é competitivo. Stablecoins reguladas em jurisdição europeia tendem a ganhar espaço em rotas de pagamento envolvendo o Brasil, especialmente em remessas e liquidação B2B. Plataformas locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso já operam com produtos atrelados ao dólar, e a entrada estruturada da Ripple no bloco europeu adiciona um vetor adicional de pressão sobre as margens desse segmento.
XRP cai 3,7% no dia e ronda US$ 1,10
O preço do XRP não reagiu ao anúncio. O token é negociado a US$ 1,09 (R$ 5,67), com queda de 4% nas últimas 24 horas, em linha com a correção mais ampla do mercado cripto. O Bitcoin recua 4% no mesmo período, cotado a US$ 62.120. A defesa do patamar dos US$ 1,10 pelo XRP segue como suporte técnico relevante, conforme já apontado por traders que acompanham o ativo.
O XRPL também tem chamado atenção pelo avanço em tokenização de ativos do mundo real, segmento em que ultrapassou US$ 1,9 bilhão em valor depositado. A consolidação da Ripple sob o MiCA reforça esse posicionamento institucional e abre porta para integração direta com bancos custodiantes europeus. A CSSF não estabeleceu prazo público para a decisão final sobre a licença plena.