CFTC processa Kentucky e abre nona briga estadual por prediction markets

  • CFTC processa Kentucky por taxar Polymarket, Kalshi, Coinbase e Robinhood
  • Imposto estadual de 14,25% mira contratos de eventos esportivos
  • Tribunal do Tennessee já deu liminar favorável à Kalshi em caso similar

A Commodity Futures Trading Commission abriu, em 23 de junho de 2026, uma ação federal contra o estado de Kentucky para barrar a ofensiva local contra prediction markets. É o nono processo do tipo movido pela agência em poucos meses, e o mais agressivo até agora.

No alvo da disputa estão Polymarket, Kalshi, Coinbase, Robinhood e Webull. Kentucky enquadrou todas como operadoras de apostas sem licença e, na sequência, criou um tributo específico para tirar a operação delas do mapa estadual.

O imposto de 14,25% que acendeu o conflito

A peça central da briga é a House Bill 757, sancionada em 14 de abril. A lei criou uma alíquota estadual de 14,25% sobre as taxas cobradas por plataformas de contratos de eventos, espelhando o que o estado já cobra de sportsbooks online.

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A CFTC classifica a medida como o primeiro tributo estadual desenhado especificamente para prediction markets nos Estados Unidos. Na petição, a agência recorre a um clássico jurídico de 1819, McCulloch v. Maryland, decisão da Suprema Corte em que o juiz John Marshall cravou que “o poder de tributar envolve o poder de destruir”.

A leitura da CFTC é direta. Não se trata de política fiscal, e sim de um mecanismo para inviabilizar mercados regulados em nível federal dentro do território estadual. A Coalition for Fair Markets, que reúne Kalshi, Polymarket, Crypto.com e Robinhood, já havia ajuizado ação paralela na Franklin Circuit Court em 12 de junho, classificando o imposto como inconstitucional e discriminatório.

Procurador de Kentucky mira contratos esportivos

O procurador-geral Russell Coleman abriu três ações estaduais entre 17 e 18 de junho contra Kalshi, Polymarket e seus parceiros de distribuição. O argumento: contratos de eventos esportivos se encaixam na definição legal de aposta esportiva do estado.

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Desde 2023, esse tipo de operação cai sob jurisdição da Kentucky Horse Racing and Gaming Corporation. Coleman alega que as plataformas operam sem licença local e oferecem aos usuários “poucos ou nenhum recurso” para lidar com vício em jogo, exigência prevista em lei estadual.

O processo federal da CFTC mira justamente esses atores, governador Andrew Beshear, o próprio Coleman, o secretário da Receita Thomas Miller e a estatal de gaming. O pedido é por injunção que congele lei e ações estaduais enquanto a Justiça decide quem manda no setor.

Preempção federal no centro do argumento jurídico

A tese da agência se apoia no Commodity Exchange Act. Kalshi e Polymarket têm registro federal como designated contract markets, o que faz dos contratos negociados ali um tipo de “swap”. Coinbase, Robinhood e Webull entram como futures commission merchants, intermediando esses produtos.

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Pela doutrina da preempção, lei estadual conflitante perde validade quando o Congresso entrega jurisdição exclusiva a uma agência federal. O presidente da CFTC, Mike Selig, reforçou que a agência não vai abrir mão da competência sobre contratos de eventos.

Em precedente recente, uma corte federal no Tennessee concedeu liminar à Kalshi e indicou que seus produtos provavelmente se qualificam como swaps legais sob a legislação federal. A decisão é citada na petição contra Kentucky como base para a tese de preempção. Detalhes do caso estão no comunicado oficial da CFTC.

Meta Arena entra na disputa pelo segmento

A escalada regulatória acontece num momento de aceleração comercial do segmento. Mark Zuckerberg deu sinal verde ao Meta Arena, plataforma de prediction markets da empresa, listada como prioridade para o time de desenvolvedores. Robinhood e Coinbase já distribuem contratos por essa via, e a entrada da Meta amplia a base potencial em centenas de milhões de usuários.

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Para o investidor brasileiro, a disputa importa por dois motivos. Primeiro, define se ações listadas como COIN e HOOD populares em BDRs e contas globais vão lidar com colchas de retalhos estaduais ou com um regime federal único. Segundo, antecipa o debate que já mobiliza o MPF e a CVM em torno de uso eleitoral de cripto, num desenho em que mercados de eventos podem cair sob alçada das loterias federais quando chegarem por aqui.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.