- Liquidações de posições compradas em XRP ficam 832% acima da média trimestral
- Open interest cai de US$ 1,18 bilhão para US$ 1,04 bilhão em um mês
- Reservas spot da Binance recuam apenas 0,35% e indicam holders firmes
O mercado de derivativos de XRP passou pelo maior expurgo de alavancagem do trimestre. Liquidações de posições compradas saltaram 832% acima da média dos últimos três meses, segundo dados da CryptoQuant, num movimento que limpou traders otimistas em série sem provocar venda equivalente entre investidores spot.
O contraste é o ponto-chave da leitura. Enquanto perpétuos sangraram, as carteiras de longo prazo mantiveram a postura. O token é negociado hoje a US$ 1,06 (R$ 5,47), acumulando queda de mais de 20% no trimestre e recuo de 53% em base anual.
Longs zerados em cascata
Quase US$ 3 milhões em posições compradas alavancadas foram eliminados na última perna de baixa. Um único evento de liquidação varreu cerca de US$ 6,7 milhões em longs, mostrando que parte relevante do dinheiro especulativo apostava em recuperação rápida e foi pega contra a mão.
O open interest acompanhou o movimento. O total de contratos em aberto caiu de aproximadamente US$ 1,18 bilhão para US$ 1,04 bilhão em 30 dias, recuo de 11,1%. Quando o open interest encolhe junto com liquidações altas, a interpretação técnica é direta: traders estão saindo do mercado, não rotacionando para novas posições.
Na Binance, o funding rate ficou profundamente negativo. A CryptoQuant calcula um desvio de 463% em relação à média do trimestre. Funding negativo significa que vendedores estão pagando para manter shorts abertos, sinal de que o posicionamento baixista virou consenso entre quem opera futuros perpétuos.
Reservas spot da Binance caem apenas 0,35%
Do outro lado do livro, a foto é diferente. As reservas spot de XRP na Binance recuaram só 0,35% na comparação semanal. Ou seja, praticamente nenhum token migrou para a exchange com intenção de venda imediata o saldo líquido segue de saída.
Essa divergência entre derivativos e mercado spot costuma indicar um cenário mais saudável. Quando alavancados e holders de longo prazo vendem ao mesmo tempo, o resultado é capitulação. A liquidação atingiu apenas especuladores, enquanto investidores de longo prazo mantiveram suas posições intactas no ativo.
Vale o contexto local, corretoras brasileiras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso operam XRP no par com real, e o comportamento de saques replicado em escala global tende a aliviar a pressão vendedora também aqui. O cenário lembra o que aconteceu com Ethereum em outubro, quando funding negativo prolongado precedeu recuperação de curto prazo já cobrimos esse padrão em matéria sobre funding negativo em XRP e ETH.
O que historicamente vem depois do flush
Reset de alavancagem combinado com funding profundamente negativo costuma anteceder movimentos de volatilidade relevantes. A lógica é mecânica, com longs zerados e shorts dominantes, qualquer compra agressiva força recompra de vendedores descobertos, alimentando short squeeze.
Não há garantia de que o roteiro se repita. O sinal a monitorar é o open interest se voltar a crescer com funding migrando para terreno positivo, é indício de que novos compradores estão dispostos a montar posição. Enquanto isso não acontece, o preço tende a seguir preso ao fluxo de derivativos.
A CryptoQuant também destacou a expansão da stablecoin RLUSD no Japão via parceria com a SBI VC Trade como vetor positivo de médio prazo para o ecossistema da Ripple. No curto prazo, porém, a empresa reconhece que o preço seguirá ditado pela dinâmica dos perpétuos.
Para o investidor brasileiro que acompanha XRP, a leitura prática é que o piso de US$ 1 segue defendido por compradores spot, conforme apontamos em análise sobre o suporte de US$ 1 com ETFs comprando. A Standard Chartered, inclusive, manteve recentemente o alvo de US$ 28 para XRP até 2030, apostando justamente na tese do RLUSD.
Os dados consolidados da CryptoQuant reforçam que o flush de alavancagem em XRP é dos mais intensos do ano. O próximo gatilho técnico será a recuperação ou não do open interest acima de US$ 1,1 bilhão.