Saylor cria fundo de US$ 2,55 bi e pode vender Bitcoin da Strategy

  • Strategy autoriza venda de até US$ 1,25 bilhão em Bitcoin para cobrir obrigações
  • Reserva de caixa atinge US$ 2,55 bilhões e cobre 17 meses de dividendos
  • Saylor eleva taxa anual do STRC de 11,5% para 12% e libera recompras

A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, formalizou nesta segunda-feira uma virada relevante na forma como administra seu balanço. Em documento 8-K enviado à SEC, a companhia comandada por Michael Saylor apresentou o chamado Digital Credit Capital Framework, política que autoriza a venda de parte das reservas em BTC para pagar dividendos, reforçar o caixa e recomprar ações.

O movimento marca uma inflexão na postura de acúmulo perpétuo que sustentou a tese da empresa desde 2020. Pela primeira vez, a Strategy reconhece, em documento oficial, que pode liquidar Bitcoin em situações específicas — sem abandonar a estratégia de longo prazo no ativo.

Venda de até US$ 1,25 bilhão em BTC fica autorizada

O texto enviado ao regulador americano define que a Strategy poderá monetizar parcelas do estoque de Bitcoin para captar até US$ 1,25 bilhão. O destino dos recursos é triplo: engordar a reserva de caixa, honrar dividendos e custos com dívida, e financiar recompras de ações preferenciais e ordinárias.

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A companhia também elevou a taxa anual de dividendos da preferencial STRC de 11,5% para 12%. A decisão vem após o papel ter despencado a US$ 71,25 na sexta-feira, um desconto de 28,75% em relação ao valor de face, segundo dados do TradingView. As ações ordinárias MSTR acumulam queda de quase 50% no ano, embora tenham subido mais de 5,5% no pré-mercado de Nasdaq após o anúncio.

O documento autoriza ainda programas separados de recompra para os papéis preferenciais e para a classe A do MSTR. Saylor afirmou que a empresa pretende manter disciplina nas emissões de MSTR, especialmente quando o papel negociar perto de 1x mNAV — métrica que compara o valor de mercado ao valor líquido dos ativos em Bitcoin.

Reserva cobre 17 meses de obrigações

O coração do novo arcabouço é o caixa. A Strategy informou que sua reserva chegou a US$ 2,55 bilhões, suficiente para honrar cerca de 17 meses de dividendos preferenciais e pagamentos de juros. A política interna trava esse caixa: ele só pode ser usado para essas obrigações e precisa manter, no mínimo, 12 meses de cobertura, salvo autorização do conselho.

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Somando o caixa atual com os US$ 1,25 bilhão potenciais da monetização em BTC, Saylor afirma que a companhia tem até US$ 3,8 bilhões em cobertura de dividendos — equivalente a quase 26 meses. O anúncio responde diretamente à pressão pública de Zach Pandl, chefe de pesquisa da Grayscale, que defendeu na semana passada que a Strategy precisaria vender US$ 3 bilhões em Bitcoin para restaurar a confiança do mercado.

Semana sem compras e captação de US$ 1,15 bilhão

O relatório também trouxe um dado raro: a Strategy não comprou Bitcoin na semana encerrada no domingo. O estoque continua em 847.363 BTC, adquiridos por US$ 64,1 bilhões a um preço médio de US$ 75.651 por unidade. Com o BTC negociado hoje a US$ 59.428, ou cerca de R$ 307,5 mil, a posição da empresa está no vermelho na média de aquisição.

Em paralelo, a companhia captou aproximadamente US$ 1,15 bilhão líquidos com a venda de 12,67 milhões de ações MSTR. No mês de junho, o saldo líquido foi de 3.625 BTC adicionados, após compras de 3.657 e venda pontual de 32 moedas.

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Sinal para quem opera MSTR via BDR e proxies de BTC

Para o investidor brasileiro que acompanha a Strategy como proxy de exposição ao Bitcoin — seja via BDRs, ETFs internacionais ou cotas de fundos que carregam MSTR —, o recado é direto: a tese deixou de ser “acumular a qualquer custo”. A empresa passa a operar com gestão ativa de risco financeiro, algo que pode reduzir a volatilidade do papel, mas também enfraquece o argumento de que MSTR seria um veículo de exposição alavancada e indiscutível ao BTC. Brad Garlinghouse, da Ripple, já vinha criticando a estrutura alavancada da companhia como vetor de pressão sobre o mercado cripto. A mudança ocorre em meio a saídas bilionárias em ETFs de Bitcoin nos EUA, e foi detalhada em filing oficial na SEC.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.