- Ripple integra grupo de 140 empresas que vão usar a stablecoin Open USD
- Mastercard, Visa, BlackRock, Google e Coinbase apoiam o novo padrão
- Modelo elimina taxas de emissão e divide rendimento entre participantes
A Ripple aceitou um lugar na mesa do maior consórcio de stablecoin já anunciado pelo setor financeiro tradicional. A empresa por trás do XRP aparece entre as 140 instituições que vão emitir e operar a chamada Open USD, um novo padrão de moeda digital lastreada em dólar.
O projeto reúne nomes pesados de três mundos que raramente compartilham o mesmo trilho. Pelo lado das finanças tradicionais entram Mastercard, Visa, American Express, BlackRock e BNY. Do bloco de tecnologia, aderiram Google, DoorDash, Shopify e Stripe. Já o segmento cripto está representado por Coinbase, Fireblocks, Solana e a própria Ripple.
A emissão ficará sob responsabilidade da Open Standard, uma entidade independente criada justamente para impedir que um único emissor corporativo controle o ativo. É um desenho radicalmente diferente do modelo atual, dominado por Tether e Circle, em que o emissor concentra reservas, decisões e receita.
Taxas zero e rendimento compartilhado
O argumento técnico que sustenta a Open USD ataca duas dores específicas. A primeira é o custo: grandes empresas hoje pagam tarifas elevadas para emitir e resgatar stablecoins em escala. A segunda é o rendimento. Os juros gerados pelo lastro em caixa e títulos do Tesouro americano ficam, em regra, com o emissor Tether reportou bilhões em lucro com esse modelo nos últimos anos.
No novo padrão, empresas participantes poderão cunhar e queimar Open USD sem taxas. E o rendimento do colateral será distribuído entre os parceiros do consórcio, não apropriado por um único agente. Mudanças no protocolo também exigem decisão coletiva, eliminando alterações unilaterais.
A leitura é direta, o setor tradicional finalmente decidiu construir uma stablecoin própria em vez de pagar pedágio a emissores existentes. Mastercard sinalizou que o sucesso do projeto depende de “redes confiáveis, ampla participação e colaboração entre toda a indústria”.
O que acontece com a RLUSD da Ripple
A entrada da Ripple no consórcio abre uma pergunta espinhosa. A empresa lançou em 2024 sua própria stablecoin regulada, a RLUSD, que hoje circula com market cap próximo a US$ 1,4 bilhão. Operar Open USD em paralelo cria sobreposição de produtos no mesmo bolso institucional.
A leitura mais provável é que a Ripple use Open USD como trilho de liquidação cross-border e como ativo de DeFi, mantendo a RLUSD como produto regulado para clientes específicos do XRP Ledger. A estratégia ecoa o discurso recente do CEO da empresa, que vem mirando US$ 16 trilhões em pagamentos globais como mercado endereçável.
O XRP é negociado a US$ 1,03, com queda de 1,28% em 24 horas. O token acumula desempenho fraco nas últimas semanas e recua 71% do topo histórico, refletindo o humor azedo do mercado cripto em geral.
Banco Central quer travar stablecoins no Brasil
Para o investidor brasileiro, a chegada de uma stablecoin emitida por Mastercard, Visa e BlackRock muda o tabuleiro local de pagamentos. Hoje USDT e USDC dominam exchanges como Mercado Bitcoin e Binance Brasil, mas um ativo lastreado por gigantes financeiras pode forçar adoção institucional rápida bancos, fintechs e adquirentes teriam canal direto.
O contraponto vem da regulação. O Banco Central pretende travar saques de stablecoins por 24 horas nas prestadoras de serviços de ativos virtuais, regra que afeta qualquer dólar digital movimentado no país. Open USD, USDT ou RLUSD entrariam no mesmo guarda-chuva regulatório.
O USDT de Tether, principal concorrente direto, recentemente superou o Ethereum em valor de mercado e ostenta supremacia em volume de transferências. O consórcio Open USD nasce com a missão clara de rivalizar com esse domínio.
A Open Standard ainda não divulgou cronograma oficial de lançamento da stablecoin nem o emissor do colateral. A expectativa do mercado é que os primeiros testes piloto saiam nos próximos trimestres, com foco inicial em liquidações entre empresas participantes antes de qualquer abertura para varejo.