- Tesouro dos EUA escolhe IVV e ITOT da BlackRock para Contas Trump
- Vanguard entra como opção alternativa com o ETF VTI
- Governo deposita US$ 1.000 por criança nascida entre 2025 e 2028
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos definiu a BlackRock como gestora principal do novo programa federal de poupança infantil, apelidado de Contas Trump. Dois ETFs da maior gestora de ativos do mundo foram escolhidos como veículos padrão de investimento, com estreia marcada para 4 de julho. A Vanguard ficou como parceira alternativa.
Os fundos selecionados foram o iShares Core S&P 500 ETF (IVV) e o iShares Core S&P Total U.S. Stock Market ETF (ITOT). Ambos operam com taxa de administração de apenas 0,03%, patamar considerado ultracompetitivo no mercado americano. Como opção alternativa, o Tesouro validou o Vanguard Total Stock Market ETF (VTI).
Pelo desenho do programa, o governo federal depositará US$ 1.000 em uma conta de investimento para cada criança com Social Security válido nascida entre 2025 e 2028. O valor funciona como semente de longo prazo, com aporte automático no nascimento. A conversão pelo câmbio atual de R$ 5,1962 equivale a cerca de R$ 5.196 por criança beneficiada.
Empresas vão dobrar aporte de US$ 1.000
Grandes companhias americanas, incluindo a própria BlackRock, sinalizaram que farão o matching da contribuição federal para filhos de seus funcionários. Na prática, cada criança de colaborador dessas firmas receberá US$ 2.000 no berço, sendo metade bancada pelo empregador.
“Ao dar aos jovens americanos a chance de começar a investir mais cedo, as Contas Trump podem ajudar milhões a construir segurança financeira de longo prazo”, declarou Larry Fink, presidente e CEO da BlackRock, em comunicado oficial.
A gestora acumula mais de US$ 11 trilhões sob administração.
A estrutura lembra planos como o 529 (educação) e o Roth IRA (aposentadoria), mas com uma diferença importante, o dinheiro entra automaticamente no mercado de ações via ETFs de índice amplo, sem exigir escolha ativa dos pais. É um empurrão comportamental para forçar exposição ao S&P 500 desde a infância.
Por que cripto ficou de fora
A escolha do Tesouro por índices tradicionais de ações mostra o limite político da agenda cripto dentro do próprio governo Trump. Apesar do discurso pró-Bitcoin do presidente e da proximidade da família com projetos como o memecoin oficial de Trump, o programa de poupança infantil ficou restrito a veículos convencionais e regulados há décadas.
O paradoxo é interessante. A BlackRock, escolhida agora para gerir dinheiro público destinado a menores de idade, é também emissora do iShares Bitcoin Trust (IBIT), o maior ETF spot de Bitcoin do mundo. A gestora navega entre o mainstream conservador do Tesouro e o mercado de ativos digitais sem aparente conflito.
Para o investidor brasileiro, o movimento reforça uma tendência já observada nos EUA, os ETFs de índice amplo com custo próximo de zero se tornaram infraestrutura financeira estatal, não apenas produto de mercado. No Brasil, discussões sobre democratização do investimento ainda esbarram em taxas altas e ausência de programas equivalentes de aporte automático via governo.
BlackRock consolida influência em Washington
A vitória sobre a Vanguard no primeiro round do programa consolida a BlackRock como fornecedora preferencial do governo americano para produtos de renda variável de baixo custo. A gestora já administra fundos do sistema previdenciário federal e agora entra na base da poupança infantil.
O IVV, especificamente, acumula mais de US$ 500 bilhões em ativos e replica o S&P 500 com tracking error historicamente inferior ao concorrente SPY, da State Street. O ITOT, mais abrangente, cobre praticamente todo o mercado acionário americano, incluindo small e mid caps.
Analistas apontam que o desenho pode injetar bilhões de dólares em fluxo passivo comprador de ações americanas ao longo da próxima década, à medida que as coortes de 2025 a 2028 crescem e o dinheiro permanece investido. O S&P 500 subiu 14% no segundo trimestre de 2026, e a entrada de capital forçado tende a suavizar volatilidade de longo prazo do índice.