ETFs de Bitcoin voltam ao azul com US$ 222 milhões após 10 dias no vermelho

  • ETFs à vista de Bitcoin captam US$ 221,7 milhões e encerram 10 dias de saída
  • FBTC, da Fidelity, responde por 75% do fluxo positivo com US$ 166 milhões
  • IBIT, da BlackRock, continua sangrando e soma US$ 2,2 bilhões em saques

Os ETFs à vista de Bitcoin listados nos Estados Unidos voltaram a captar recursos de forma expressiva na quinta-feira, interrompendo o pior ciclo de resgates do ano. Os fundos receberam US$ 221,7 milhões em fluxo líquido positivo, segundo dados da SoSoValue. Foi a primeira entrada diária acima da marca de US$ 200 milhões desde o começo de maio.

Fluxos diários em ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA. Fonte: SoSoValue

A reversão encerra uma sequência de dez pregões consecutivos de saídas, que totalizaram mais de US$ 2,7 bilhões. O movimento ocorre logo após junho ter registrado o pior mês da história desses produtos, com resgates líquidos de US$ 4,51 bilhões concentrados em investidores institucionais que reduziram exposição em meio à queda do preço do BTC.

Fidelity lidera com FBTC e domina fluxo do dia

O destaque absoluto ficou com o Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC), da Fidelity, que sozinho captou US$ 166 milhões. O valor representa cerca de 75% de todo o ingresso do dia nos onze ETFs à vista disponíveis no mercado americano. Os números constam do painel diário da Farside Investors.

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Em segundo lugar apareceu o ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB), com US$ 91,8 milhões em captação líquida. Já o VanEck Bitcoin ETF (HODL) recebeu US$ 4,4 milhões e o Valkyrie Bitcoin Fund (BRRR) somou US$ 1,7 milhão. A dispersão mostra que o apetite retornou de forma concentrada, mas não isolada a um único emissor.

Fonte: Farside Investors

O contraste ficou por conta da BlackRock. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), maior ETF de Bitcoin do mundo em ativos sob gestão, registrou saída líquida de US$ 40,4 milhões no mesmo dia. É a 11ª sessão seguida de resgates no fundo, que acumula perdas de US$ 2,2 bilhões desde 17 de junho. O comportamento sugere que uma parcela relevante do capital institucional segue reposicionando exposição, sem migração automática para os concorrentes.

BTC retoma US$ 61 mil com medo extremo no radar

A retomada dos fluxos coincidiu com a recuperação do Bitcoin acima da marca psicológica dos US$ 61 mil, após uma perda momentânea da barreira de US$ 59 mil. No momento desta publicação, o BTC é negociado a US$ 61.653 (cerca de R$ 320.657), com alta de 0,8% em 24 horas.

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Apesar do rebote, o sentimento segue frágil. O Índice de Medo e Ganância da Alternative.me marcava leitura de “medo extremo” na sexta-feira, mesmo com o mercado global de cripto avançando 2,4% e voltando aos US$ 2,22 trilhões de capitalização. Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, avalia que o ativo pode estar próximo de formar um piso técnico.

Vale lembrar que o Citi cortou recentemente o preço-alvo do Bitcoin para US$ 82 mil e zerou a projeção de captação dos ETFs para o segundo semestre, refletindo a piora do humor institucional. A leitura desta quinta rompe parcialmente essa tese e mostra que gestoras como Fidelity e ARK ainda encontram demanda para produtos indexados ao BTC, mesmo em cenário adverso.

Éter e XRP também voltam ao verde

A retomada não se restringiu ao Bitcoin. Os ETFs à vista de Ether nos EUA captaram US$ 29,1 milhões na quinta, dando sequência aos US$ 14,9 milhões registrados no dia anterior. O ETH sobe 5,2% nas últimas 24 horas e é cotado a US$ 1.727.

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Os produtos ligados ao XRP também voltaram ao território positivo, com entrada líquida de US$ 6,6 milhões após duas sessões de resgates. O token é negociado a US$ 1,10, com valorização de 2,3% no período. O movimento acompanha a leitura recente de que o XRP defende o suporte psicológico de US$ 1 em meio a alavancagem zerada e captação positiva.

IBIT perde 2,2 bilhões em 11 pregões

Para o investidor brasileiro que acompanha o setor via corretoras locais e BDRs, a divergência entre FBTC e IBIT é o dado mais relevante. Historicamente, o IBIT liderou entradas líquidas desde a aprovação dos ETFs em janeiro de 2024, funcionando como termômetro do apetite institucional. A sequência atual de resgates concentrados no fundo da BlackRock, enquanto Fidelity e ARK captam, sugere rebalanceamento de portfólios de grandes alocadores não fuga generalizada do ativo. O contexto contrasta com os US$ 4,51 bilhões perdidos em junho e exige acompanhamento pregão a pregão nas próximas sessões para confirmar se o piso técnico apontado por Hougan se materializa.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.