Ex-BlackRock rebate Solana e cita 900 mil validadores no Ethereum

  • Ethereum soma mais de 900 mil validadores contra cerca de 800 da Solana
  • Electric Capital contabiliza 1,01 milhão de devs históricos no Ethereum
  • Sharplink mantém 886.725 ETH em tesouraria e financia braço de pesquisa

Joseph Chalom, co-CEO da Sharplink e ex-chefe de estratégia de ativos digitais da BlackRock, saiu em defesa pública do Ethereum diante do avanço narrativo da Solana. Em declarações recentes, o executivo rebateu a tese de que a rede fundada por Vitalik Buterin passa por uma crise cultural e cravou: a corrida dos contratos inteligentes será decidida por escala de participação, não por velocidade.

O argumento vem embalado por números concretos. Chalom afirmou que o Ethereum tem mais de 900 mil validadores ativos, enquanto a Solana opera hoje com cerca de 800 nós validadores, dos quais 92% rodam um único cliente de software. “Existe uma visão de que falta narrativa ao Ethereum. Basta olhar o placar de novo. A rede passou de um milhão de contribuidores no código e no ecossistema”, disse o executivo.

Solana perde 68% dos validadores em três anos

Dados citados por Chalom mostram que o conjunto de validadores da Solana encolheu cerca de 68% em três anos, saindo de aproximadamente 2.500 para os atuais 800. A queda acelerou depois que a rede introduziu, em 2025, um processo de “pruning” para remover nós considerados improdutivos.

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Defensores do projeto tratam o corte como filtro de qualidade. Críticos, incluindo Chalom, apontam que a medida afinou ainda mais um conjunto de operadores já pequeno se comparado ao rival. A diversidade de clientes entra no mesmo debate: quando a maioria dos validadores roda o mesmo software, um único bug pode paralisar toda a cadeia. O Ethereum passou anos empurrando os validadores para múltiplos clientes independentes justamente para evitar esse ponto único de falha.

Do lado da base de desenvolvedores, dados da Electric Capital mostram que 1.012.824 pessoas já contribuíram com código para o Ethereum ao longo de sua história, sendo cerca de 232 mil ativas nos últimos 12 meses. Chalom classificou a rede como “o sistema operacional padrão para finanças programáveis e formação de capital nativa da internet”.

A defesa tem interesse financeiro direto. A Sharplink comandada por Chalom mantinha 886.725 ETH em caixa no fim de junho, uma das maiores tesourarias corporativas do ativo. Aos preços atuais de US$ 1.749 por ETH, a posição vale aproximadamente US$ 1,55 bilhão, ou cerca de R$ 8 bilhões na cotação do real. A empresa também ajudou a financiar a Ethlabs, braço de pesquisa formado por ex-integrantes da Ethereum Foundation e apoiado por Joe Lubin, fundador da Consensys.

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Nem todo mundo dentro do ecossistema comprou o discurso otimista. Uma figura histórica da Ethereum Foundation admitiu publicamente há poucas semanas que a rede ainda carece de uma “história de valor” clara para investidores institucionais, argumento que alimentou justamente a tese cultural agora rebatida por Chalom. A resposta prática do mercado tem sido a formação de novas fundações corporativas ligadas ao ativo, como mostramos na criação de uma segunda fundação institucional em nove dias.

Ethereum ganha tração institucional enquanto Solana disputa dApps

Para o investidor brasileiro, a disputa transcende ideologia. Se o fluxo de tokenização e de stablecoins continuar sendo roteado majoritariamente via Ethereum, o hub do dinheiro programável tende a consolidar prêmio institucional. A tese ganhou força recente com movimentos como o da Ondo, que tokenizou ETF da BlackRock e ações da Micron justamente sobre a rede.

Do lado oposto, a Solana continua ganhando terreno em métricas de uso final. A rede lidera a receita de aplicativos descentralizados por nove trimestres seguidos, conforme levantamento sobre o setor, e tem atraído consumidores e traders de alta frequência. No fim do dia, dois placares diferentes correm em paralelo: o de infraestrutura descentralizada, onde Ethereum lidera com folga, e o de aplicações usadas de fato, onde a Solana continua brigando ponto a ponto.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.