- Robinhood Chain acumulou 46.748 ETH em TVL na primeira semana
- Rede usa ETH como token de gás e queima taxas na L1
- Receita diária atingiu US$ 39 mil, ou US$ 14 mi anualizados
A nova blockchain da corretora americana começou a operar com tração acima do esperado. Segundo dados da Token Terminal, a Robinhood Chain recebeu mais de US$ 70 milhões em ether transferidos via bridge nos primeiros sete dias de funcionamento um número que reposicionou a discussão sobre a próxima onda de demanda por ethereum vinda de plataformas de varejo tradicionais.
Lançada em 1º de julho, a rede é uma layer-2 compatível com EVM construída sobre a tecnologia da Arbitrum. A corretora descreve o projeto como “nativo de IA e desenhado para ativos do mundo real”. ETH é token de gás, e cada transação queima uma fração de ether para pagar espaço de bloco.
46 mil ETH travados em sete dias
O painel do DefiLlama registra 46.748 ETH em valor total bloqueado na Robinhood Chain, o equivalente a cerca de US$ 83 milhões na cotação atual de US$ 1.788,94. Só a última quinta-feira concentrou 31.855 ETH em entradas, aproximadamente US$ 55 milhões em um único pregão.
Os números de atividade acompanharam o volume financeiro. A rede fechou a primeira semana com 194 mil endereços ativos diários e receita diária de US$ 39 mil, o que projeta uma receita anualizada de US$ 14 milhões caso o ritmo se mantenha. Para uma L2 recém-lançada, é uma velocidade de monetização que poucos projetos do setor apresentaram.
Hayden Adams, fundador da Uniswap, resumiu o funcionamento da rede em publicação no X, praticamente tudo que circula na Robinhood Chain é denominado em ETH.
“É o par-base para negociação, o ativo de maior volume e o token de gás para pagar espaço de bloco. Também queima ETH na L1 para pagar as taxas de armazenamento de dados”, escreveu.
Tese de demanda estrutural por ether
A leitura de analistas é que a Robinhood Chain funciona como um novo “sumidouro” de demanda por ETH. Para holders desde o topo de 2025, entrada da Robinhood no Ethereum reforça integrações institucionais mesmo durante correção. A lógica, cada transação gera consumo recorrente do ativo enquanto trava capital de uma base de usuários massiva do varejo.
Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, foi na mesma direção. Para ele, o mais relevante não é o volume de gás queimado, mas a decisão da Robinhood de construir seu ecossistema financeiro dentro do Ethereum em vez de escolher uma rede concorrente. Isso reforça mainnet como camada de liquidação para ativos tokenizados, segmento em que Ethereum e suas L2s dominam.
O pano de fundo tem relevância direta para o investidor brasileiro. A B3 lançou recentemente opções sobre futuros de ETH, criando derivativos locais atrelados ao mesmo ativo que agora ganha um novo motor de demanda no varejo americano. Enquanto isso, o ecossistema de tokenização compete diretamente com Solana, que dobrou seu volume de RWAs recentemente, e com o XRP Ledger, que também avança na disputa por ativos do mundo real.
ETH sobe, mas segue longe do topo de 2025
Apesar do dado positivo, o preço do ether ainda opera em zona de recuperação. O ativo subiu 2% nas últimas 24 horas e é negociado a US$ 1.788,94, o equivalente a R$ 9.204,63 patamar que representa queda de 64% em relação ao pico de agosto de 2025. A tese estrutural dos compradores segue apoiada em quatro pilares, tokenização de RWA, pagamentos por agentes autônomos de IA, adoção institucional e upgrades da rede.
O próximo grande marco técnico é o Glamsterdam, upgrade previsto até o fim de 2026 que deve ampliar a capacidade da camada 1. Para holders desde o topo de 2025, entrada da Robinhood no Ethereum reforça integrações institucionais mesmo durante correção.