As criptomoedas já existem há uma década, mas ainda é um desafio descobrir para onde vai o dinheiro roubado e o que acontece com ele. Esta dificuldade tornou o Bitcoin (BTC) atraente para ladrões e hackers. No entanto, os esforços dos pesquisadores da Universidade de Cambridge, liderados pelo professor de engenharia de segurança Ross Anderson, pode mudar a situação.
Em um relatório publicado no Technology Review do MIT, a equipe diz que conseguiu criar um algoritmo que poderia rastrear de forma confiável atividades criminosas envolvendo a tecnologia blockchain.
O algoritmo é inspirado por uma antiga lei de finanças do Reino Unido que determina como os bancos devem distribuir o dinheiro que eles deixam entrar em colapso. O algoritmo usa um simples ponto de lógica para identificar padrões: se uma certa quantia de Bitcoin entra na carteira de um ladrão do endereço da vítima, o endereço de destino em qualquer pagamento do mesmo valor, independente do número de transações envolvidas, é considerado associado ao ladrão.
A equipe afirma ter encontrado muitos endereços ligados à lavagem de dinheiro desta maneira. No entanto, este não é o único método que os criminosos usam para dividir os fundos. Em alguns casos, ladrões mais inteligentes usam cadeias de distribuição envolvendo somas menores para expulsar as autoridades do rastro deixado por eles.
“Isso pode ocorrer perto do tempo de um crime, enquanto os criminosos tentam cobrir seus rastros, alimentando seu saque em sistemas que dividem seus ganhos em centenas de pequenas transações… Observamos padrões semelhantes muitas vezes; em alguns casos, conseguimos conectar o endereço de coleta a sites de jogos ilegais”, escreveram os pesquisadores.
Ainda assim, existem dois problemas com essa abordagem. Primeiro de tudo, para os governos processarem o roubo usando o mesmo procedimento legal que ele usa para os bancos, eles teriam que considerar o Bitcoin como forma de moeda. Há também o fato de que os criminosos estão constantemente se afastando do Bitcoin para outras moedas digitais, como a Monero.
E embora este seja um passo à frente no rastreamento de atividades criminosas em Bitcoin, ainda há muito trabalho a ser feito para resolver a questão da lavagem de dinheiro com criptomoedas, especialmente no mercado negro.

