Eu sempre quis escrever esta reportagem, mas nunca o fiz porque as pessoas simplesmente não ligariam para ela.
Isso é definido pelo fato de que na ciência Matemática, 2 + 2 sempre será o número 4, e isto está convencionado no mundo inteiro.
Já nas centenas de línguas e dialetos existentes, as convenções ortográficas só servem para complicar e de certa forma “encherem o saco”.
E os professores de português que me perdoem pelo comentário.
“Na boa”, muitos acham que o importante é seu cérebro captar aquela informação dita ou escrita e no final das contas entender o que foi passado.
“Não, espere aí” ou “não espere aí” pode complicar a vida, e só assim entenderemos como as convenções ortográficas “às vezes”, “quase sempre” ou sempre (agora sem aspas) são importantes.
Um belo dia assistindo a uma reportagem que falava sobre o Bitcoin num telejornal a repórter disse “a” Bitcoin.
E eis que logo no dia seguinte, em uma outra reportagem em um outro telejornal, o apresentador voltou a dizer “a” Bitcoin e eu fiquei fulo da vida!
“Que burro! Dá zero para eles”, eu pensei; assim como diz nosso querido Chaves acertando a conjugação do verbo “dar” no imperativo afirmativo.
Mas se o Chaves dissesse “dê zero” também estaria correto, mas não vamos discutir isso aqui.
O fato é que depois disto eu fui lá conversar com professores de português, afinal de contas, sou redator de uma revista e devo tentar não escrever errado, concordam?
Pouco importa se uma frase numa reportagem pode lhes causar estranheza.
O importante para mim é ela estar correta. E se eu errar, foi mal!
Assim, os professores me disseram o que eu já sabia, mas não custava ir lá sedimentar esta afirmação.
De certa forma, o “correto” é usar o artigo definido antes do antropônimo (nome próprio) de acordo com o seu gênero.
“A” Maria José é mulher; “o” José Maria é homem. Que maluquice a nossa língua vernácula!
E vá dizer isso para um nordestino…!
Mas e no caso do Bitcoin? Ou seria da Bitcoin?
Vamos lá.
Bitcoin é o antropônimo de algo que foi criado por Satoshi Nakamoto.
De fato, em seu White Paper denominado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System“, a palavra Bitcoin está escrita apenas 2 vezes.
E estão situadas nas, de certa forma, 4 primeiras linhas do documento.
No decorrer inteiro do restante do documento de 9 páginas você não lerá a palavra Bitcoin novamente.
Mas no título e na primeira linha do “Abstract” do documento, entre outros lugares, há a definição de que o Bitcoin é um “electronic cash system”; portanto, um sistema de dinheiro eletrônico.
Assim, o correto seria dizermos “o” Bitcoin.
É “o” sistema. É “o” dinheiro eletrônico.
Mas, por qual motivo as pessoas podem dizer “a” Bitcoin e esta referência estar correta?
Simples, porque vai de encontro ao gênero do substantivo ao qual “Bitcoin” está relacionado.
Assim vejamos:
Bitcoin pode ser referenciado como sendo um dinheiro eletrônico ou um criptoativo, e assim o correto é dizer “o” Bitcoin.
Em contrapartida pode ser referenciado como sendo uma criptomoeda ou uma moeda digital, e assim o correto é dizer “a” Bitcoin.
Pelo menos foi isso que os 3 professores aos quais perguntei disseram!
Espero que eles não estejam errados, pois assim eu também estarei!
Assim podemos tecer a seguinte analogia que mata esta charada.
O Ariel é um amigo que eu tenho, e a Ariel é uma pequena sereia. Sacou?
Aquele cara meio maluco do mundo cripto, o tal do Augusto Backes, não fala “do Bitcoin” ou “da Bitcoin”.
Ele normalmente fala “de Bitcoin.”
Há uma explicação linguística a qual adorarei colocar aqui, afinal de contas acho que ele não é nordestino (e nada contra a forma de falar dos nordestino, tá?).
Para quem conhece o maluco Backes, sabe que ele ama a criptomoeda ADA.
E assim, ele não usaria de tanta intimidade com o Bitcoin.
A convenção ortográfica para o português explica isso, mesmo o maluco Backes podendo ficar “hashtag” chateado comigo.
E também pouco importa, até porque ortograficamente também não está errado.
Cabe ressaltar que esta reportagem infere muito mais este conceito aos outros criptoativos do que propriamente ao Bitcoin.
Porque a maioria das pessoas falam “o” Bitcoin, mas falam “a” Litecoin, e assim por diante.
Mas enfim, o importante depois de toda esta ladainha é que esse conhecimento eu não guardei apenas para mim.
E se esta publicação é irrelevante para você ou se você vai dizer “que legal!”, também pouco importa, sinceramente.
Pois cada um que fale como quiser até porque quando “o” ou “a” Bitcoin chegar à lua, só vai importar se você guardou ou não este dinheiro eletrônico ou esta criptomoeda na carteira.
Há “concordância” ao menos nesta forma de pensar, não?