- Carteira ligada a Andean Medjedovic moveu US$ 13,5 milhões em ETH após um ano parada.
- Fundos foram enviados ao mixer Tornado Cash.
- Total já lavado dos ataques supera US$ 25 milhões.
O mercado cripto voltou a acender o alerta após uma carteira associada ao hacker Andean Medjedovic retomar movimentações relevantes.
Na quarta-feira, cerca de US$ 13,5 milhões em Ether foram enviados ao Tornado Cash, ferramenta frequentemente usada para ocultar a origem de fundos no ecossistema digital.
Histórico de ataques e debate sobre “code is law”
Medjedovic enfrenta acusações de ter explorado falhas em protocolos DeFi entre 2021 e 2023. No total, os prejuízos chegam a aproximadamente US$ 65 milhões, especialmente em ataques contra Indexed Finance e KyberSwap.
Entretanto, ele não nega participação, além disso, sustenta que realizou “operações legítimas”, já que explorou brechas do próprio código dos protocolos. Por isso, sua defesa se apoia na tese “code is law”, amplamente discutida no setor cripto.
Consequentemente, o caso ganhou relevância jurídica internacional. Em fevereiro de 2025, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações formais. Entre elas, estão fraude eletrônica e invasão de sistemas.
Além disso, investigadores onchain apontam um padrão consistente nas movimentações recentes. O analista conhecido como Specter afirmou:
“É preocupante ver um agente agir com tanta confiança após explorar múltiplas vítimas.”
Enquanto isso, os dados reforçam esse cenário, com a nova transação, o volume total de fundos supostamente lavados já se aproxima de US$ 25 milhões.
Fuga, prisão e tentativa de mudança jurídica
A trajetória de Medjedovic também chama atenção fora do ambiente blockchain. Inicialmente, ele se destacou como prodígio da matemática e concluiu seus estudos na Universidade de Waterloo em ritmo acelerado.
No entanto, sua situação mudou em 2021, quando ele não compareceu a uma audiência judicial no Canadá, a partir disso, passou a viver como foragido.
Posteriormente, em 2024, autoridades o prenderam na Sérvia com base em um mandado internacional. Ainda assim, ele foi liberado depois que a Justiça local entendeu que faltavam provas suficientes para extradição.
Além disso, novos documentos indicam uma mudança estratégica. Ele contratou uma empresa de lobby nos Estados Unidos, com o objetivo de buscar um possível perdão presidencial.
Portanto, o caso expõe uma tensão crescente no setor, de um lado, protocolos DeFi seguem vulneráveis a explorações técnicas sofisticadas. Por outro lado, autoridades enfrentam dificuldades para aplicar leis em um ambiente descentralizado.
Assim, no curto prazo, aumenta a pressão por fiscalização mais rígida em protocolos DeFi e ferramentas de privacidade.
Já no longo prazo, o episódio reforça um dilema central do mercado cripto: até que ponto o código define os limites legais, e quem realmente responde quando essas fronteiras são ultrapassadas.

