- CFTC aprova Gemini como clearinghouse de derivativos
- Exchange poderá oferecer futuros perpétuos e mercados preditivos
- Apenas 22 empresas nos EUA possuem licença DCO
A exchange de criptomoedas Gemini conquistou aprovação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) para atuar como organização de compensação de derivativos (DCO). A licença permite à empresa processar internamente transações de derivativos e apostas em mercados preditivos, eliminando a dependência de terceiros autorizados.
Com a nova autorização, finalizada em 29 de abril, a Gemini passa a integrar um grupo seleto de apenas 22 empresas nos Estados Unidos com permissão DCO. A escassez dessas licenças destaca o movimento acelerado de plataformas focadas em mercados preditivos para dominar o segmento mais amplo de derivativos sob jurisdição da CFTC.
Cameron Winklevoss, cofundador da exchange, destacou que a aprovação representa um marco para a construção de um “super app” financeiro.
“A Gemini agora possui uma infraestrutura completa de ponta a ponta para previsões, futuros, opções e muito mais”, afirmou o executivo em publicação no X (antigo Twitter).
Expansão para futuros perpétuos
O controle direto sobre a compensação de transações abre caminho para a Gemini desenvolver produtos mais complexos, incluindo futuros perpétuos contratos de derivativos sem data de vencimento que representam apostas mais arriscadas em commodities e ativos digitais. Esses instrumentos são extremamente populares entre traders de criptomoedas em exchanges internacionais, mas enfrentam restrições regulatórias nos Estados Unidos.
A licença DCO coloca a Gemini em competição direta com outras grandes plataformas do setor. A gigante de mercados preditivos Kalshi obteve autorização similar em 2024, enquanto a rival Polymarket adquiriu uma empresa com DCO no verão passado. A Crypto.com recebeu aprovação no outono, e a controladora da exchange Kraken anunciou este mês a aquisição da Bitnomial por US$ 550 milhões para obter acesso à mesma licença.
No mercado brasileiro, onde regulações sobre stablecoins avançam sob supervisão do Banco Central, a expansão de derivativos cripto nos EUA pode influenciar futuras diretrizes locais. Exchanges brasileiras acompanham de perto os desenvolvimentos regulatórios americanos como referência para produtos que podem ser adaptados ao mercado nacional.
Reestruturação em meio a desafios
A aprovação da CFTC surge em momento delicado para a Gemini. No início deste ano, a empresa demitiu mais de 25% de sua equipe e encerrou completamente suas operações nos mercados europeu e australiano. A reestruturação direcionou o foco da companhia para mercados preditivos, setor que tem atraído crescente interesse institucional.
Paralelamente, a exchange enfrenta uma ação coletiva relacionada às mudanças operacionais, enquanto o estado de Nova York a processou em abril por suposta violação das leis estaduais sobre jogos de azar. O processo busca US$ 1,2 bilhão em reparações.
A CFTC reagiu rapidamente com uma ação própria contra Nova York, argumentando que plataformas de mercados preditivos como a Gemini não podem ser reguladas sob leis estaduais de jogos de azar. Segundo o órgão federal, essas operações estão exclusivamente sob sua jurisdição regulatória.
As ações da Gemini (GEMI) reagiram positivamente ao anúncio, subindo mais de 7% na abertura do pregão de quinta-feira, sendo negociado em US$ 4,47. Apesar da recuperação de 9% no último mês, os papéis ainda acumulam queda superior a 55% desde o início do ano.

A entrada da Gemini no mercado de derivativos regulamentados representa uma aposta estratégica no crescimento desse segmento nos Estados Unidos. Enquanto derivativos sinalizam tensão em alguns mercados, a obtenção de licenças regulatórias adequadas pode oferecer às exchanges americanas vantagem competitiva global, especialmente considerando as restrições enfrentadas por concorrentes internacionais no acesso ao mercado dos EUA.

