- ARK Invest comprou 96.935 ações da Tesla após queda de 7,49% na sessão
- Aporte de US$ 38,1 milhões foi distribuído entre três ETFs da gestora
- Cathie Wood também adicionou US$ 2,2 milhões em ações da exchange Bullish
A gestora ARK Invest, comandada por Cathie Wood, aproveitou a queda de 7,49% das ações da Tesla na sessão de 2 de julho para elevar a exposição da casa à montadora de Elon Musk. Ao todo, foram 96.935 papéis adquiridos em três ETFs diferentes, com valor de mercado próximo de US$ 38,14 milhões, considerando o fechamento em US$ 393,45.
O movimento aparece no relatório diário de operações da gestora e reforça o padrão que Wood adota há anos, comprar convicções na baixa. Não houve justificativa formal no arquivo enviado ao mercado, mas o desenho da operação três fundos entrando ao mesmo tempo em uma sessão de perdas concentradas configura clássico buy-the-dip.
Como o aporte foi distribuído entre os ETFs
A maior fatia coube ao carro-chefe ARK Innovation ETF (ARKK), que absorveu 69.723 ações, cerca de US$ 27,44 milhões. Em seguida, o ARK Next Generation Internet ETF (ARKW) levou aproximadamente US$ 6,91 milhões, enquanto o ARK Space Exploration & Innovation ETF (ARKX) ficou com outros US$ 3,80 milhões. O ARK Autonomous Technology & Robotics ETF (ARKQ), que historicamente carrega Tesla como uma das maiores posições, não participou da compra na data.
A operação vem uma semana depois de a gestora divulgar aporte de US$ 32,5 milhões na SpaceX, outra companhia de Musk só que de capital fechado. Combinadas, as duas movimentações elevaram a exposição da ARK ao universo do empresário sul-africano para um patamar raro em uma casa que se apresenta como diversificada em inovação. Vale lembrar que o mercado enxerga a SpaceX como alvo de forte pressão vendedora entre fundos alternativos, conforme apostas contra a SpaceX mostraram nas últimas semanas.
Bullish entra na cesta do dia com US$ 2,2 milhões
No mesmo pregão, a ARK acrescentou 86.983 ações da Bullish (NASDAQ: BLSH), exchange cripto listada em Nova York. A ARK comprou 77.251 papéis pelos fundos ARKK e ARKW, somando US$ 2,22 milhões, enquanto a Bullish subiu 1,35% no pregão.
A escolha combina com a tese que Wood vem repetindo em entrevistas recentes. Para ela, inteligência artificial e criptomoedas cumprem papéis complementares, não concorrentes, dentro de uma carteira. A executiva descreveu o Bitcoin como uma “apólice de seguro” que ganha valor sempre que a confiança no sistema financeiro tradicional se deteriora argumento que fica mais forte com BTC negociado a US$ 62.224 (cerca de R$ 323 mil).
ARK reforça convicção contra fluxo institucional negativo
O aporte em Tesla e Bullish acontece em um cenário em que grandes veículos de exposição a cripto vêm perdendo tração. Em junho, os ETFs de Bitcoin bateram recorde de resgates, com US$ 4,5 bilhões em saques líquidos pior mês desde a estreia dos produtos nos Estados Unidos. A postura da ARK, portanto, destoa da média do buy side americano, que tem reduzido risco.
Para o investidor brasileiro, o recado interessa por dois motivos. Primeiro, porque Tesla figura entre ativos mais negociados via BDRs na B3 e sua volatilidade afeta carteiras brasileiras. Bullish figura entre poucas exchanges listadas comparáveis à Coinbase, reforçando interesse de gestoras convictas na infraestrutura cripto atualmente.
No fim de junho, o cofundador da Strategy, Michael Saylor, publicou dados apontando que a razão entre juros em aberto e capitalização de mercado da própria Strategy chegou perto de 72% nível que ele comparou ao da Tesla para argumentar que sua empresa concentra participação maior em derivativos do que gigantes de tecnologia. É contra esse pano de fundo que a ARK escolheu ampliar risco em nomes ligados a Musk cripto.