- Hayes liga rali do BTC a US$ 1 milhão ao colapso da dívida de IA
- BIS aponta US$ 200 bilhões em crédito privado exposto à infraestrutura de IA
- Top 10 do S&P 500 está mais caro que na bolha dos anos 1990, diz Apollo
O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, voltou a defender a tese de Bitcoin em US$ 1 milhão, mas com uma condição incômoda no curto prazo, a inteligência artificial precisa quebrar antes. Em participação no podcast Bankless e em ensaio publicado em seu Substack, Hayes argumenta que a IA virou o ralo por onde escoa toda a liquidez global, e que só uma crise no setor forçaria o tipo de impressão monetária capaz de levar o BTC a esse patamar.
O número que sustenta o raciocínio é direto. Entre novembro de 2022 e meados de 2026, foram emitidos cerca de US$ 1,5 trilhão em dívida ligada à IA. No mesmo período, o agregado monetário M2 dos Estados Unidos cresceu praticamente o mesmo valor. Cada dólar novo, na leitura de Hayes, foi sugado por data centers e clusters de GPU antes de encontrar caminho até o mercado cripto.
O Bitcoin é negociado a US$ 60.400, ou cerca de R$ 316.962, com queda de 3% em 24 horas. O ativo já caiu aproximadamente 50% desde o topo de US$ 126 mil registrado em outubro de 2025, mesmo com a base monetária em expansão uma anomalia que ilustra a tese da liquidez sequestrada.
BIS aponta US$ 200 bilhões em crédito privado de IA
A análise não vem só de Hayes. O Bank for International Settlements (BIS) publicou um boletim em 2026 documentando exatamente o mesmo padrão. Segundo o documento, a infraestrutura de IA migrou de financiamento via caixa próprio para captação externa, porque o tamanho do investimento exigido superou o fluxo livre dos chamados hyperscalers.
O crédito privado destinado a empresas ligadas à IA saiu de praticamente zero para mais de US$ 200 bilhões, elevando essa fatia de menos de 1% para quase 8% do total. O BIS alerta que SPVs e leasing operacional ocultam dívidas e mascaram o verdadeiro nível de alavancagem.
O economista-chefe da Apollo, Torsten Slok, reforça o alerta. As dez maiores empresas do S&P 500 estão, segundo ele, mais sobrevalorizadas do que as dez maiores no auge da bolha pontocom dos anos 1990. Esse grupo concentra cerca de 40% do índice, o que transforma qualquer correção da narrativa de IA em problema global para portfólios passivos inclusive os ETFs internacionais que brasileiros acessam via BDR e corretora.
BlackRock já admitiu que IA suga oxigênio do Bitcoin
O Luke Gromen, fundador da Forest for the Trees, chegou ao mesmo diagnóstico. Para ele, o Bitcoin funciona como o último alarme de fumaça de liquidez ainda operante. Gromen reduziu exposição próximo ao topo e retomou compras limitadas, alinhando-se ao pessimismo de Hayes.
O diagnóstico ecoa fala recente do diretor de cripto da gestora americana assunto que o BitNotícias já tratou na cobertura sobre como a BlackRock vê a IA sugando oxigênio do BTC. Para o investidor brasileiro, que opera num ambiente onde o real perde valor frente ao dólar (USD/BRL em R$ 5,2105), a tese tem implicação prática, o BTC tende a continuar lateralizado em reais enquanto o capital institucional global priorizar ações de tecnologia.
Hayes precisa de impressão de US$ 2 trilhões para tese funcionar
A analista Lyn Alden oferece o contraponto. Nos boletins recentes, ela vê expansão moderada do Fed, distante dos níveis associados a programas emergenciais. Hayes precisa desse segundo cenário para entregar o BTC a US$ 1 milhão, valor que implicaria uma capitalização de rede de aproximadamente US$ 21 trilhões.
Pesquisa da Bitwise com 299 consultores financeiros mostra que 32% alocaram em cripto em 2025, recorde da série. Dentro desse grupo, a narrativa de debasement da moeda fiduciária aparece em segundo lugar, com 22%. Se a impressão monetária prevista por Hayes chegar, o argumento institucional já está pré-instalado nos portfólios.