BlackRock: boom da IA está sugando o oxigênio do Bitcoin

  • Robbie Mitchnick atribui fraqueza do BTC à concentração de capital em ações de IA
  • Bitcoin acumula queda de 28,9% em 2026 e opera perto de US$ 62 mil
  • BlackRock vê dívida americana e déficits como próximo gatilho para o BTC

O chefe de ativos digitais da BlackRock, Robbie Mitchnick, colocou nome na fase amarga do Bitcoin: a febre da inteligência artificial. Segundo ele, o capital institucional que poderia estar comprando BTC tem sido drenado para ações ligadas ao boom de chips e modelos de linguagem.

A declaração foi dada em entrevista ao Yahoo Finance em 22 de junho. Mitchnick descreveu o período desde outubro de 2025 como um trecho difícil para todo o ecossistema cripto, com exceção do que orbita a tese de IA. O paralelo com o mercado tradicional reforça o argumento: ouro e metais preciosos também patinaram no mesmo intervalo.

Bitcoin perde para Intel, AMD e Broadcom em 2026

Os números expõem a desvantagem. O BTC opera a cerca de US$ 62.474 (R$ 323.146,77) e acumula queda de aproximadamente 28,9% no ano. No mesmo período, ações como Intel, Marvell, AMD e Broadcom subiram em ritmo que deixou a maior criptomoeda do mundo no retrovisor.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O contraste fica ainda mais didático no recorte por capitalização. Mitchnick destacou que o market cap do Bitcoin, hoje na casa de US$ 1,2 trilhão, ficou menor que o da SpaceX após o IPO deste mês. Para uma rede que se vende como reserva de valor digital, ser ultrapassada por uma única empresa privada recém-listada é desconfortável.

A leitura faz sentido com o que se observa nos fundos. ETFs de Bitcoin à vista vêm registrando saídas consistentes nas últimas semanas, em meio à rotação para ativos de risco ligados à IA. Os próprios produtos da BlackRock — incluindo o IBIT e o BITA — entraram nessa onda de resgates.

Dívida americana volta ao script da BlackRock

Mitchnick, porém, não tratou o quadro como sentença. Para o executivo, há um vento de cauda se formando: o crescimento da dívida federal dos Estados Unidos e os déficits fiscais persistentes. A tese é a clássica do hedge monetário — quando o investidor desconfia da disciplina fiscal de Washington, a demanda por BTC tende a reagir.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O argumento conversa com a leitura do Grayscale, que recentemente apontou que o Bitcoin pode reduzir a distância para as ações caso o Federal Reserve não corte juros tão rápido. Jay Jacobs, chefe de ETFs de renda variável da BlackRock nos EUA, também afirmou neste mês que o BTC já alcançou tamanho suficiente para deixar de ser ignorado por alocadores institucionais.

Brasileiro paga BTC a R$ 323 mil e sente câmbio 

No mercado local, a equação tem um ingrediente extra. Com o dólar a R$ 5,17, o investidor brasileiro vê o Bitcoin cotado a aproximadamente R$ 323 mil, longe das máximas do fim de 2025, mas ainda em patamar elevado em reais por causa da desvalorização cambial acumulada. A combinação de queda no preço em dólar e câmbio depreciado tem amortecido perdas para quem comprou antes do topo.

Outro ponto que merece atenção: a leitura de Mitchnick reforça a tese de que o ciclo atual não segue o playbook anterior do halving. Em vez de ser puxado por demanda de varejo, o Bitcoin de 2026 depende mais de fluxos institucionais que disputam mandato com o setor de tecnologia. Quando NVIDIA, AMD e correlatos roubam a cena, o BTC fica sem o capital marginal que historicamente movia o preço.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Internamente, a comunidade ainda monitora indicadores que apontam para uma possível retomada. Métricas de funding rate sugerem que traders avaliam um retorno aos US$ 70 mil caso o fluxo de ETFs vire. Mas, enquanto a IA continuar puxando o oxigênio da sala, como descreveu o executivo da BlackRock, qualquer rali do Bitcoin tende a esbarrar na concorrência por capital institucional.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.