- Binance Brasil afirma que os ativos de clientes brasileiros permanecem seguros, segregados e armazenados em carteiras frias.
- Regras do Banco Central exigem separação patrimonial, impedem o uso indiscriminado dos recursos dos clientes e estabelecem controles para a custódia de criptomoedas.
- Ataque à Binance Global movimentou aproximadamente US$ 6,3 bilhões, dos quais cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados, segundo a exchange.
A Binance Brasil anunciou nesta sexta-feira (30) que as criptomoedas de seus clientes brasileiros permanecem seguras e são mantidas em uma estrutura de custódia segregada, em conformidade com as exigências do Banco Central do Brasil. O esclarecimento ocorre após o ataque hacker à operação global da exchange, que movimentou aproximadamente US$ 6,3 bilhões em ativos digitais e provocou uma suspensão temporária dos saques.
Em um comunicado publicado no X, a BBrasil SPSAV Ltda., entidade responsável pela prestação de serviços de ativos virtuais aos residentes no país, afirmou que os ativos dos usuários brasileiros são mantidos em cold wallets, ou carteiras frias. A companhia destacou que essa estrutura adiciona uma camada de proteção aos recursos dos clientes, além de atender às regras brasileiras de segregação patrimonial.
A declaração ganha relevância porque a Binance concluiu, em outubro, uma reorganização de suas operações brasileiras para atender ao novo marco regulatório. Com isso, os clientes residentes no país passaram a ser atendidos por entidades locais do grupo, com separação entre os serviços de pagamento em reais e as operações com criptoativos.
Binance afirma que brasileiros estão protegidos por segregação e carteiras frias
Na comunicação aos clientes, a Binance Brasil afirmou que sua estrutura de custódia observa os requisitos estabelecidos pelo regulador brasileiro. A empresa também reforçou que os ativos virtuais permanecem armazenados em carteiras frias, um modelo que reduz a exposição das chaves de acesso a sistemas permanentemente conectados à internet.
“Além de observar os requisitos de segregação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, os ativos virtuais são mantidos em cold wallets (carteiras frias)”, informou a BBrasil SPSAV.
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A nova estrutura brasileira envolve duas instituições. A BBrasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., CNPJ 68.627.500/0001-91, responde pelos serviços com criptomoedas. Já a Binance Brasil Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A., CNPJ 68.757.681/0001-70, antiga Sim;paul, é responsável pelas contas de pagamento individualizadas utilizadas para movimentações em reais.
Segundo a documentação oficial da Binance, a mudança estava prevista para ser concluída até 29 de outubro. A exchange também esclarece que a custódia dos ativos virtuais continua sendo realizada pela Nest Clearing and Custody Ltd., instituição regulada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
A segregação patrimonial significa que os ativos pertencentes aos clientes devem ser identificados e mantidos separados dos recursos utilizados pela prestadora em suas operações próprias.
Mesmo com a garantia de segurança, a Binance Brasil mantém os saques de criptomoedas temporariamente suspensos. A empresa informou que a medida é preventiva e permanecerá durante a verificação de segurança. Os demais serviços continuam funcionando normalmente, segundo o comunicado, mas não foi estabelecido um horário específico para a retomada das retiradas.
Banco Central exige segregação dos ativos e proíbe uso de criptomoedas dos clientes em operações próprias
A proteção mencionada pela Binance está relacionada à Resolução BCB nº 520, de 10 de novembro de 2025, que regulamenta o funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais no Brasil. A norma estabelece exigências de governança, custódia, segurança, controles internos e separação patrimonial entre os recursos das empresas e os de seus clientes.
O artigo 28 determina a segregação dos recursos financeiros próprios por meio de contas de pagamento ou depósito individualizadas para os clientes. Já os artigos 29 e 30 tratam especificamente das criptomoedas, exigindo mecanismos de separação entre os ativos da prestadora e os pertencentes aos usuários, inclusive por meio de carteiras distintas daquelas utilizadas nas operações próprias da empresa.
A regulamentação também exige políticas documentadas de segregação, métodos de prova de reservas e auditorias independentes bienais, com divulgação pública dos relatórios. O artigo 31 estabelece, como regra geral, a proibição de utilizar ativos pertencentes aos clientes em operações próprias da instituição, prevendo exceções específicas, como determinadas operações de staking e aquelas autorizadas expressamente por investidores qualificados ou profissionais.
A norma admite situações operacionais delimitadas em que ativos próprios da prestadora sejam mantidos junto aos recursos dos clientes para atender necessidades imediatas de liquidez. Nesses casos, estabelece condições e um limite de 5% do quantitativo de ativos virtuais dos usuários, além de exigir identificação específica nos controles internos.
O caso da Binance evidencia a importância prática dessas exigências. A segregação pode reduzir riscos de confusão patrimonial e utilização indevida dos recursos dos clientes, enquanto as carteiras frias representam uma medida adicional de segurança. Nenhum desses mecanismos, isoladamente, elimina todos os riscos de ataques cibernéticos ou substitui verificações independentes sobre a estrutura de custódia.
A regulamentação integra o conjunto de normas do Banco Central que entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026. Para empresas que já atuavam no mercado, o prazo de apresentação da primeira fase do pedido de autorização termina nesta sexta-feira, 30 de outubro, marco que também está acelerando a reorganização das exchanges que operam no Brasil.
Como aconteceu o hack de US$ 6,3 bilhões da Binance e quanto já foi recuperado?
O ataque à Binance ocorreu na quinta-feira (29) e atingiu carteiras utilizadas pela operação global da exchange. Segundo a primeira atualização oficial, uma investigação preliminar identificou que o incidente pode ter começado com o comprometimento do notebook de um engenheiro de DevOps, permitindo que invasores acessassem um contêiner de serviços e executassem transações de saque não autorizadas.
A empresa informou que, até o momento, não encontrou evidências de vazamento de chaves privadas de carteiras. Isso indica que os criminosos podem ter explorado autorizações e sistemas internos responsáveis pela movimentação dos ativos, em vez de obter diretamente as chaves utilizadas para assinar transações. A causa definitiva, entretanto, ainda depende da conclusão da investigação técnica.
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Uma análise da Bitquery identificou movimentações envolvendo 17 carteiras quentes da Binance em nove blockchains, entre elas Ethereum, Bitcoin, Tron, Solana e XRP Ledger. Os recursos foram transferidos para endereços associados aos invasores, enquanto parte das stablecoins foi rapidamente convertida em outros ativos para dificultar eventuais congelamentos.
A Binance confirmou um impacto estimado de US$ 6,3 bilhões e informou que aproximadamente US$ 3 bilhões foram congelados on-chain com o apoio de empresas como Tether, Circle e outros participantes da indústria. O congelamento, entretanto, não representa necessariamente a recuperação definitiva dos recursos: os ativos ainda precisam ser destinados de forma segura conforme os procedimentos aplicáveis.
A empresa também anunciou que cobrirá integralmente as perdas relacionadas ao incidente utilizando recursos próprios e o SAFU (Secure Asset Fund for Users), fundo criado para situações emergenciais. A exchange prometeu publicar uma nova prova de reservas e um relatório técnico detalhado após a conclusão dos procedimentos de segurança.
Investigadores especializados também passaram a examinar possíveis conexões entre o ataque e grupos de hackers associados à Coreia do Norte. A TRM Labs afirmou ter elevada confiança na atribuição ao grupo conhecido como TraderTraitor, mas a identidade dos responsáveis ainda não foi confirmada publicamente pela Binance.
Enquanto as investigações continuam, a Binance Brasil reforça que os fundos de seus clientes permanecem seguros e que a suspensão dos saques tem caráter preventivo. A retomada das retiradas dependerá da conclusão das verificações de segurança anunciadas pela empresa.




