- Cripto: NoxPay apresenta documentação ao BC para atuar como prestadora de ativos virtuais e no mercado de câmbio.
- Coins.xyz confirma pedido para operar como corretora, enquanto Bloxtrade e Nexus entram no acompanhamento.
- Levantamento chega a 54 instituições, incluindo processos identificados, pedidos anunciados e movimentações ainda em verificação.
A corrida pela autorização para operar no mercado de criptomoedas brasileiro ganhou novos participantes nesta sexta-feira (30), último dia do prazo estabelecido pelo Banco Central (BC) para a apresentação dos pedidos pelas empresas abrangidas pelo regime de transição. Banco BS2, NoxPay, Manteca, Coins.xyz e Bloxtrade são os novos nomes incorporados ao levantamento realizado pelo BitNotícias.
A lista reúne pedidos anunciados, processos identificados nos sistemas do regulador, comunicações de instituições financeiras e movimentações documentais que ainda dependem de confirmação. Lembrando que esta lista não está confirmada pelo Banco Central, é apenas um levantamento com participantes do setor que informaram os pedidos, consultas nas APIs do Banco Central e informações obtidas nas redes sociais das empresas.
“A regulação das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais, ou PSAVs, mudou o jogo do mercado cripto no Brasil, e quem ainda trata isso como “mais uma burocracia” vai ficar para trás. As Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central foram publicadas em novembro de 2025 e entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. Agora, as novas PSAVs precisam atender a padrões de governança, compliance e proteção ao cliente equivalentes aos das finanças tradicionais. O primeiro desafio é de execução, e o prazo é curto: as empresas que já operam têm apenas até amanhã, 30 de outubro de 2026, para protocolar o pedido de autorização, e quem não fizer isso passa a operar de forma irregular.
O segundo desafio é operacional. Montar a estrutura que o regulador exige custa caro e leva tempo. Desde maio de 2026, as PSAVs precisam identificar o titular de carteiras não custodiadas nas transferências. E a partir da próxima terça-feira, 3 de novembro, também passam a reportar essas operações mensalmente ao Banco Central. Na sexta-feira, 6 de novembro, bancos e demais instituições autorizadas pelo Banco Central ficam proibidos de fazer operações no mercado de ativos virtuais com prestadoras que não estejam autorizadas a funcionar no país. Somam-se a isso a segregação patrimonial obrigatória e um volume crescente de reportes. A Resolução BCB nº 573/2026, por exemplo, passou a exigir o reporte de empréstimos e financiamentos obtidos junto a instituições financeiras e autorizadas. Para os grandes players, isso é custo de operação. Para os menores, pode ser a diferença entre seguir no mercado ou vender a operação.
O terceiro desafio é estratégico. As novas regras dão às transações com stablecoins o mesmo tratamento jurídico das operações de câmbio e colocam as empresas cripto num regime de licenciamento parecido com o dos bancos. Também existe uma fronteira que precisa ser bem entendida: security tokens não entram como “ativos virtuais” nessa lei e continuam sob a CVM. Minha leitura é que vamos ver consolidação, parcerias com instituições já reguladas e uma nova disputa por quem entrega infraestrutura “as a service” para quem não quer ou não pode virar PSAV. Quem enxergar a regulação como vantagem competitiva, e não como obstáculo, sai na frente.”, disse Gustavo Siuves, Chief Revenue Officer (CRO) da Azify.
Com as atualizações, o levantamento da Cainvest também passa a reunir 54 empresas com pedidos de autorização, registros ou comunicações regulatórias identificados, incluindo um processo já indeferido.
As solicitações ocorrem no contexto das Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, que estabeleceram exigências de capital, governança, segurança cibernética, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção dos ativos dos clientes.
O protocolo de um pedido, entretanto, representa apenas o início do processo regulatório e não equivale à concessão de uma licença definitiva pelo Banco Central.
Banco Bs2
O Banco BS2 também anunciou nesta sexta-feira (30) que formalizou seu registro como Prestador de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV) junto ao Banco Central do Brasil. A instituição, que possui atuação no mercado de câmbio e oferece infraestrutura financeira para empresas, destacou que a iniciativa reforça seu compromisso com as exigências regulatórias e com o desenvolvimento de soluções envolvendo ativos digitais. Em comunicado publicado em suas redes sociais, o banco afirmou que a regulamentação traz mais maturidade ao setor e aumenta a confiança de investidores e empresas.
O movimento amplia a presença de instituições financeiras tradicionais no mercado brasileiro de criptoativos, mas a formalização do registro não deve ser confundida com a concessão de uma nova autorização definitiva pelo BC.
NoxPay apresenta documentos ao BC e aposta em stablecoins
A NoxPay confirmou a apresentação de seu pedido de autorização como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), além da solicitação para atuar no mercado de câmbio.
Documentos apresentados à reportagem mostram uma sequência de nove registros no sistema de Protocolo Integrado do Governo Federal, todos datados de 30 de outubro de 2026 e identificados com a descrição NoxPay SPSAV.
O registro correspondente à autorização para funcionamento aparece sob o NUP 18600.135099/2026-11. O conjunto também inclui os registros sequenciais até o NUP 18600.135107/2026-11.
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João Paulo Oliveira, fundador e CEO da NoxPay, afirmou que o movimento representa uma nova fase na atuação da empresa, especialmente no fornecimento de infraestrutura financeira utilizando ativos digitais.
Segundo o executivo, o pedido busca consolidar a NoxPay como uma infraestrutura financeira institucional, combinando o uso de stablecoins com as exigências de segurança e conformidade do sistema regulado.
“O mercado entrou na fase da maturidade regulatória, e nós escolhemos liderar essa transição unindo a velocidade das stablecoins à segurança e solidez do sistema regulado”, afirmou Oliveira.
Coins.xyz protocola pedido para atuar como corretora de criptomoedas
A Coins.xyz também confirmou nesta sexta-feira (30) que protocolou pedido de autorização para atuar como SPSAV, na modalidade de corretora de ativos virtuais. A solicitação foi apresentada pela Coins.xyz Digital Markets Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., estrutura que pretende reunir atividades de intermediação e custódia de criptoativos.
A empresa possui origem nas Filipinas e atua no Brasil com foco no mercado institucional, especialmente negócios que utilizam o fluxo entre USDT e reais em suas atividades.
Entre seus clientes estão empresas de pagamento, exportadores e importadores. A operação brasileira também oferece serviços de negociação de balcão (OTC), gateway de pagamentos e integração de sistemas por API.
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“Protocolar o pedido dentro do prazo reflete algo que o grupo carrega desde as Filipinas e se prolifera para os países que nos expandimos: crescer dentro do sistema regulado”, afirmou Guilherme Bissoli, diretor executivo da Coins.xyz no Brasil.
Segundo Bissoli, a empresa pretende continuar atendendo seus clientes durante a análise do pedido pelo Banco Central, observadas as condições previstas no regime de transição.
Fundada em 2014, a Coins começou como uma carteira digital nas Filipinas e ampliou seus serviços para negociação de criptomoedas. O grupo informa possuir mais de 6,5 milhões de usuários verificados em sua operação internacional.
Bloxtrade, Manteca e Nexus também entram no levantamento
Outro nome incorporado ao acompanhamento é a Bloxtrade Capital, empresa brasileira constituída para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais.
Um comprovante do Protocolo Integrado apresentado à reportagem identifica o registro 18600.133429/2026-26, com documento produzido em 28 de outubro e recebido pelo Banco Central em 29 de outubro de 2026.
“É um dia especial para nós. O pedido de autorização como PSAV junto ao Banco Central se soma aos nossos registros na FinCEN (EUA) e na FINTRAC (Canadá), consolidando uma história pautada pelas melhores práticas de governança e compliance. Com isso, nos aproximamos do objetivo de ser uma das principais interfaces financeiras entre a América Latina e a China”, afirmou Diego André Martins, sócio-administrador da Bloxtrade Capital.
A Manteca, empresa de infraestrutura de pagamentos com criptoativos, também anunciou a apresentação de um pedido de autorização ao Banco Central do Brasil. Segundo comunicado divulgado pela companhia, sua operação brasileira, a Ponte Global, protocolou em 29 de outubro a solicitação para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV), na modalidade intermediária, conforme a Resolução BCB nº 520.
A empresa informou que continuará operando normalmente durante a análise do pedido, oferecendo pagamentos via Pix e QR Code, além de soluções de conversão entre stablecoins e reais. A iniciativa busca ampliar a integração de fintechs, exchanges e carteiras digitais ao sistema financeiro brasileiro. O protocolo foi anunciado pela companhia, mas ainda não representa autorização definitiva do Banco Central.
A nova rodada de solicitações acontece no mesmo dia em que termina o prazo de 270 dias concedido pelo Banco Central para a apresentação da primeira fase dos pedidos das prestadoras de ativos virtuais já em funcionamento no Brasil.
As empresas que apresentarem regularmente suas solicitações poderão continuar prestando os serviços abrangidos pelo regime de transição enquanto aguardam a análise, observadas as condições estabelecidas pela regulamentação.
Aquelas que não apresentarem o pedido dentro do prazo aplicável deverão organizar o encerramento dos serviços sujeitos à autorização em até 30 dias, ressalvadas as situações específicas previstas nas normas.
Outra data importante é 6 de novembro de 2026, quando entram em vigor restrições para operações de instituições financeiras e de pagamento supervisionadas pelo Banco Central com prestadoras de ativos virtuais não autorizadas, observadas as exceções regulamentares.
Lista atualizada: 51 empresas na corrida pela licença cripto
| Nº | Empresa / instituição | CNPJ identificado | Situação apurada |
|---|---|---|---|
| 1 | Transfero | 34.882.109/0001-11 | Processo 315453 — em exame |
| 2 | Mazzera | 49.786.191/0001-58 | Processo 315286 — em agenda |
| 3 | PFPay | 62.082.830/0001-62 | Processo 314610 — em agenda |
| 4 | Masterpay | 61.575.252/0001-33 | Processo 314608 — em agenda |
| 5 | W Brasil Comércio | 39.753.279/0001-10 | Processo 314386 — aguardando recebimento |
| 6 | Onda Finance | 54.049.320/0001-65 | Processo 310524 — em exame |
| 7 | Wynx Exchange | 66.643.089/0001-12 | Processo 310426 — aguardando manifestação |
| 8 | Crown | 59.386.340/0001-45 | Pedido anunciado |
| 9 | OKX | 50.459.025/0001-26 | Pedido anunciado |
| 10 | Brasil Bitcoin (Brasil 8) | 41.043.469/0001-95 | Pedido anunciado |
| 11 | UnblockPay | 58.444.469/0001-08 | Pedido declarado pela empresa |
| 12 | Bybit | 66.739.170/0001-09 | Em processo de autorização; Comunicado 46.196 |
| 13 | Binance (BBrasil SPSAV) | 68.627.500/0001-91 | Pedido anunciado |
| 14 | Ripio | 23.351.302/0001-00 | Pedido protocolado, segundo a empresa, em 27/10 |
| 15 | Mercado Bitcoin | 18.213.434/0001-35 | Pedido protocolado, segundo a empresa, em 27/10 |
| 16 | Bloquo | 52.830.419/0001-74 | Processo de autorização declarado nos termos |
| 17 | Liqi | 41.743.644/0001-57 | Pedido anunciado |
| 18 | Nonco | 51.486.503/0001-50 | Pedido anunciado |
| 19 | Lumx | 42.887.120/0001-00 | Pedido divulgado; NUP 18600.132499/2026-67 |
| 20 | Itaú Unibanco | 60.701.190/0001-04 | Comunicação regulatória |
| 21 | Foxbit | 21.246.584/0001-50 | Pedido PSAV anunciado em 29/10; DTVM em rito separado |
| 22 | Avenia (BRLA Digital) | 50.224.164/0001-70 | Pedido anunciado em 28/10 |
| 23 | Neo Ativos Virtuais | 62.168.961/0001-67 | Em processo de autorização; Comunicado 46.205 |
| 24 | Grupo Braza (Braza Bank) | 19.307.785/0001-78 | Movimentação regulatória relatada |
| 25 | TRKBIT | 41.586.874/0001-50 | Vínculo documental |
| 26 | Cademartori Z Soluções | 51.039.021/0001-51 | Vínculo documental |
| 27 | Nu Pagamentos (Nubank/NuCripto) | Não informado | Comunicação regulatória informada |
| 28 | Banco Inter | Não informado | Movimentação regulatória informada |
| 29 | B&T Corretora de Câmbio | 73.622.748/0001-08 | Vínculo documental |
| 30 | Stark Bank | 20.018.183/0001-80 | Comunicação reportada |
| 31 | S3 CACEIS | Não informado | Vínculo documental |
| 32 | Ripple | Não informado | Pedido anunciado em 28/10 |
| 33 | Coinbase | Não informado | Pedido anunciado em 29/10 |
| 34 | Urban | 34.278.950/0001-02 | Pedido anunciado em 28/10 |
| 35 | SuitCoin | 59.159.538/0001-96 | Pedido anunciado pela empresa |
| 36 | OSL Brasil | 62.845.739/0001-51 | Protocolo anunciado em 29/10 |
| 37 | Velaro Network | 63.964.774/0001-52 | Pedido anunciado pela empresa |
| 38 | Bradesco | 60.746.948/0001-12 | Comunicação ao BC divulgada |
| 39 | B3 — Brasil, Bolsa, Balcão | 09.346.601/0001-25 | Intenção de licença divulgada |
| 40 | TCR Finance | 53.781.325/0001-15 | Pedido SPSAV divulgado; NUP não individualizado |
| 41 | Obsidiam | 54.898.266/0001-22 | Vínculos no protocolo |
| 42 | Ettica Pagamentos | 28.499.395/0001-38 | Vínculos documentais |
| 43 | Prata Digital / Prata SCD | 61.734.525/0001-45 (SCD) | Processo 291769 ligado à SCD/controle |
| 44 | O3 Trade | 53.737.446/0001-60 | Empresa identificada |
| 45 | Belo Brasil Ltda. | 58.084.921/0001-60 | Vínculos documentais |
| 46 | IACrypto | 41.863.658/0001-04 | Pedido anunciado em 29/10 |
| 47 | RedotPay Brasil (RedotX/Samba) | 62.279.050/0001-07 | Pedido SPSAV protocolado em 29/10 |
| 48 | NoxPay | Não confirmado no comprovante | Nove NUPs de 30/10; inclui 18600.135099/2026-11 |
| 49 | Coins.xyz | 46.919.983/0001-65 | Pedido SPSAV, modalidade corretora |
| 50 | Bloxtrade Capital | 54.473.288/0001-40 | NUP 18600.133429/2026-26; PE 318100; |
| 51 | Nexus | Não informado | Protocolo relatado à reportagem |
| 52 | Manteca | Não informado | Protocolo anunciado |
| 53 | Banco BS2 | Não informado | Protocolo anunciado |
| 54 | NBS | Não informado | Protocolo anunciado |
Fonte: levantamento BitNotícias, informações do Banco
Central, comunicados e documentos enviados à reportagem.
Atualizado em 30/10/2026. As 51 instituições não representam
necessariamente 51 pedidos confirmados ou licenças concedidas;
há registros ainda em verificação. A Higherway Tech permanece
fora da contagem.






