- Bitcoin cai a US$ 76.780 após ameaça de Trump ao Irã no Truth Social
- ETFs spot tiveram saída recorde de US$ 635 milhões em 13 de maio
- Suporte técnico fica entre US$ 74 mil e US$ 76 mil, dizem traders
O Bitcoin abriu a semana em queda firme depois que uma postagem do presidente Donald Trump contra o Irã reacendeu a aversão ao risco nos mercados globais. A criptomoeda está sendo negociada em US$ 76.580 nesta segunda-feira, com baixa de aproximadamente 1,55% em 24 horas.
A liquidação tirou perto de US$ 33 bilhões da capitalização de mercado do ativo em poucas horas. O volume negociado superou US$ 24 bilhões no período, com mínima de US$ 76.680 e máxima de US$ 78.530 dentro do mesmo pregão.
O estopim geopolítico
O movimento começou no domingo à noite. Em sua rede Truth Social, Trump publicou um ultimato direto, “Para o Irã, o relógio está correndo, e é melhor que eles se movam, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles. O TEMPO É ESSENCIAL!”. A mensagem veio após o travamento das negociações diplomáticas e uma conversa com o premiê israelense Benjamin Netanyahu.
A reação foi imediata nos ativos tradicionais. O petróleo subiu, o dólar ganhou força e investidores correram para reduzir exposição a ativos de risco. O Bitcoin, que costuma reagir antes dos mercados acionários por operar 24 horas, absorveu o choque ainda na madrugada de segunda.
Saídas de ETF já haviam fragilizado o mercado
A notícia caiu sobre um terreno enfraquecido. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saída líquida recorde de US$ 635 milhões em 13 de maio, o maior resgate em um único dia desde o fim de janeiro. No acumulado da semana, foi US$ 1 bilhão deixando os fundos e interrompendo uma sequência de seis semanas seguidas de captação.
O apetite institucional estava perdendo fôlego antes mesmo do ultimato. Dados de inflação persistente nos EUA, com PPI e CPI acima do esperado, somados ao avanço dos yields dos Treasuries, vinham pressionando todo o ecossistema de risco. A liquidez fina típica de fim de semana amplificou cada movimento. Para acompanhar a sangria nos fundos listados, vale revisitar a pior semana dos ETFs desde fevereiro.
Leitura técnica e o que os traders monitoram
No gráfico horário, o Bitcoin perdeu todas as médias móveis exponenciais relevantes. A cotação ficou abaixo da EMA de 20 horas em US$ 77.580, da de 50 horas em US$ 78.120, da de 100 horas em US$ 78.767 e da de 200 horas em US$ 79.350. O MACD também apontou pressão vendedora, com linha em -359 e histograma em -116.
Os traders agora monitoram duas zonas. A resistência imediata aparece entre US$ 79.000 e US$ 82.000, faixa que rejeitou as tentativas de alta em maio. O suporte está concentrado entre US$ 74.000 e US$ 76.000. Um repique técnico é viável caso a tensão geopolítica recue, já que indicadores começam a entrar em sobrevenda. A perda do suporte, porém, abriria espaço para nova rodada de liquidações.
Impacto para o investidor brasileiro
Para o mercado local, a combinação dólar forte e Bitcoin em queda em moeda americana produz um efeito amortecedor parcial. Com o real perdendo força frente ao dólar nos episódios de risk-off, parte da desvalorização do ativo é compensada na conversão. Ainda assim, exchanges brasileiras costumam refletir o movimento em poucos minutos, e o ágio sobre o BTC tende a se comprimir em quedas rápidas, abrindo janelas pontuais de arbitragem.
O cenário também enfraquece a tese de descorrelação entre Bitcoin e mercados tradicionais. Em episódios anteriores envolvendo Oriente Médio, como o conflito entre Israel e Irã em outubro de 2024, o ativo seguiu o mesmo padrão, queda imediata e recuperação lenta enquanto o petróleo permanecesse elevado. O analista Tom Lee, da Fundstrat, já vinha alertando que o petróleo é o principal vento contrário para o setor neste momento. A pressão sobre os Treasuries, somada à venda de bonds pelo Japão, completa o quadro adverso.