- Bitcoin opera a US$ 80.543 após queda de 1,49% em 24 horas
- Senado dos EUA divulga rascunho do Digital Asset Market Clarity Act
- Texto divide jurisdição entre SEC e CFTC sobre ativos digitais
O Bitcoin manteve-se acima da marca dos US$ 80 mil nesta terça-feira, em uma sessão de baixa volatilidade que veio logo após o Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos publicar o rascunho do Digital Asset Market Clarity Act. O mercado negocia o ativo a US$ 80.638, após recuo de 1,40% nas últimas 24 horas.
O documento, aguardado há meses pelo setor, chega no momento em que o presidente Donald Trump prepara uma visita à China. A combinação entre agenda diplomática e avanço regulatório ajudou a sustentar o apetite por risco no mercado cripto, mesmo com a leve correção do principal ativo digital.
O que o rascunho propõe
O texto preliminar busca separar, no arcabouço legal americano, ativos digitais tratados como valores mobiliários e commodities. A proposta cria os network tokens e classifica ativos ligados a blockchains descentralizadas como non-securities sob requisitos específicos.
A estrutura prevê supervisão dividida entre a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A SEC ficaria com produtos de investimento atrelados a ativos digitais. A CFTC assumiria a regulação direta de commodities digitais, incluindo provavelmente Bitcoin e Ethereum. O desenho busca acabar com a zona cinzenta jurisdicional que travou processos contra exchanges nos últimos anos.
Os meses anteriores foram marcados por travas. Discussões sobre stablecoins, regras para protocolos de DeFi e padrões de proteção ao investidor adiaram a publicação do rascunho mais de uma vez. A senadora Elizabeth Warren chegou a enviar uma carta ao Comitê Bancário na semana passada, questionando salvaguardas contra lavagem de dinheiro e a supervisão de plataformas DeFi previstas no esboço.
Reação do mercado e leitura institucional
A divulgação do texto teve efeito imediato no sentimento. O Bitcoin chegou a romper os US$ 80 mil mais cedo na semana e segue defendendo o patamar. Ethereum e altcoins acompanharam o movimento, com volumes em alta nas principais exchanges americanas. Para gestores que monitoram fluxos institucionais, regras mais claras tendem a destravar mandatos que hoje estão presos por incerteza jurídica.
A leitura é compartilhada por executivos do setor. Brad Garlinghouse, CEO da Ripple, voltou a defender a aprovação rápida do projeto. Em declaração pública na semana passada, ele afirmou que os Estados Unidos precisam do Clarity Act para não ficarem atrás de jurisdições como Cingapura, Emirados Árabes e Reino Unido na corrida pela infraestrutura de ativos digitais. Outros detalhes do texto final negociado no Senado já vinham sendo antecipados pela imprensa especializada nas últimas semanas.
O que isso significa para o Brasil
Para o investidor brasileiro, a régua americana costuma definir o piso global. Quando a SEC ou a CFTC consolidam entendimentos, a CVM e o Banco Central tendem a calibrar suas próprias normas a partir desse desenho. O Marco Legal das Criptomoedas vigora desde 2023, mas o BC ainda precisa regulamentar regras infralegais no Brasil.
Há também impacto direto nas listagens. Exchanges brasileiras que oferecem altcoins fora do top 20 operam hoje sob risco regulatório difuso. Um padrão claro nos EUA reduz esse risco, especialmente para tokens classificados como network tokens pela futura lei. O reflexo deve aparecer em prazos mais curtos para listagem de novos ativos em corretoras locais que seguem padrões internacionais de compliance.
Ainda assim, o rascunho está longe da lei. O projeto passará por novas rodadas em comitês, possíveis emendas e votação formal no plenário do Senado. Caso avance, precisa ser reconciliado com a versão da Câmara antes de chegar à mesa do presidente. Estimativas no Capitólio apontam que a aprovação mais cedo possível ocorreria no segundo semestre de 2026, com prazos sensíveis a disputas políticas e à agenda eleitoral americana. Enquanto isso, o Bitcoin segue em consolidação, com investidores monitorando o teste da média móvel de 200 dias como referência técnica imediata.