- Baleia vende 800 BTC comprados a US$ 107 mil e realiza prejuízo de US$ 35 milhões
- Open interest em opções de Bitcoin sobe a US$ 36 bilhões com viés em puts
- Traders da Deribit compram puts com alvo em US$ 52 mil até fim de julho
O bitcoin negocia em US$ 63.580 (R$ 327.973), com leve alta de 1,8% em 24 horas. Apesar do respiro, dois sinais técnicos sugerem que o pior pode não ter passado, a capitulação de grandes carteiras e o avanço da demanda por proteção via opções.
Uma baleia monitorada pela CryptoQuant liquidou 800 BTC na quinta-feira, realizando prejuízo aproximado de US$ 35 milhões. O investidor havia montado a posição em novembro de 2025, perto do topo histórico de US$ 107 mil, e segurou o ativo por sete meses de desvalorização antes de jogar a toalha em torno de US$ 62 mil.
O movimento individual ganha peso quando colocado ao lado dos dados agregados. O volume de moedas no prejuízo atingiu 10,56 milhões de BTC, superando o pico anterior de 10,47 milhões. Em outras palavras, cerca de metade do supply em circulação está submerso ao preço atual.
Consolidação em US$ 60 mil divide fluxos
Pelo lado técnico, o ativo opera lateralizado próximo de US$ 60 mil há quase duas semanas. Market makers ouvidos pelo mercado lembram que essa faixa coincide com o cost-basis histórico de compradores de fundo, região onde dip buyers costumam aparecer antes de uma reversão coordenada por smart money.
O problema é que o comportamento das baleias contradiz a tese de piso. A venda da carteira de 800 BTC abaixo de US$ 63 mil mostra que parte dos holders pesados está optando por absorver perdas em vez de esperar a próxima onda. Esse é exatamente o tipo de fluxo que costuma anteceder, e não encerrar, fases de capitulação.
Vale lembrar que o cenário macro segue desfavorável. O Fed manteve a postura hawkish na estreia de Warsh, e os futuros do Tesouro já precificam risco de alta de juros em julho. Para ativos de risco como o bitcoin, é um pano de fundo que pesa contra qualquer recuperação sustentada.
Open interest em opções bate US$ 36 bilhões
O mercado de derivativos passou a refletir essa preocupação. O open interest agregado em opções de bitcoin saltou para uma máxima mensal de US$ 36 bilhões, segundo dados da CoinGlass. O maior salto em um único dia ocorreu em 18 de junho, o pico de posicionamento do mês até agora.
O detalhe importante está na composição. Traders da Deribit têm carregado puts de curto vencimento com alvos escalonados, US$ 60 mil no início de julho, US$ 55 mil até o dia 10 e US$ 52 mil até o fim do mês. A leitura é direta, ou são hedges contra mais quedas, ou apostas frontais em uma nova perna de baixa.
Esse posicionamento dialoga com o vencimento bilionário de opções já agendado para junho, que tende a amplificar a volatilidade nas próximas semanas. Quando puts dominam o livro, o efeito gamma em quedas costuma acelerar o movimento dealers vendidos em volatilidade são forçados a derrubar futuros para se proteger.
Investidor brasileiro paga mais caro no hedge
Para quem opera no Brasil, o cálculo do prejuízo potencial muda. Uma queda do bitcoin para US$ 52 mil, com o dólar atual em R$ 5,1500, levaria o ativo a algo próximo de R$ 268 mil, um recuo de cerca de 18% em reais ante a cotação atual. O componente cambial pode amortecer parte da perda se o real seguir pressionado, padrão observado em ciclos anteriores de aversão ao risco global.
Exchanges locais, por outro lado, ainda registram volume comprador relevante na faixa entre R$ 320 mil e R$ 330 mil, sinalizando que o varejo brasileiro segue acumulando enquanto opções no exterior precificam o contrário. A divergência entre fluxo spot doméstico e posicionamento institucional via derivativos é justamente o tipo de descompasso que tende a se resolver com volatilidade nas semanas seguintes.