- Citadel prevê primeira alta de juros do Fed em setembro de 2026
- CPI cheio em 4,2% e PPI em 6,5% sustentam viés hawkish
- Kalshi precifica 60% de chance de aperto antes de julho de 2027
A Citadel Securities jogou um balde de água fria nas expectativas de afrouxamento monetário. Em nota enviada a clientes, o chefe de estratégia macro da firma, Frank Flight, afirmou que o Federal Reserve pode voltar a subir os juros já em setembro de 2026, contrariando a leitura predominante de que o ciclo de aperto havia terminado.
O alerta chega às vésperas da reunião do FOMC marcada para 17 de junho, a primeira sob comando do novo presidente do banco central americano, Kevin Warsh. Dados do CME FedWatch mostram que o mercado espera manutenção dos juros nesta reunião, mas o foco se desloca para o tom da comunicação e as projeções atualizadas dos dirigentes.

Para a Citadel, o risco real está nos próximos trimestres. Flight escreveu que os Estados Unidos caminham para um “equilíbrio histerético”, conceito em que choques temporários deixam marcas permanentes na inflação mesmo depois que o gatilho original some. Em português claro, a inflação grudou.
CPI em 4,2% e PPI em 6,5% pressionam o Fed
O diagnóstico da Citadel se apoia em números recentes. O CPI cheio alcançou 4,2% em maio na comparação anual, enquanto o índice de preços ao produtor (PPI) saltou para 6,5%. Mais preocupante, uma fatia crescente dos componentes do núcleo do CPI já sobe acima de 3% ao ano, sinalizando difusão da pressão de preços pela economia.
A queda recente do petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã não foi suficiente para conter o repasse. A firma cita condições financeiras frouxas, gargalos persistentes em cadeias de suprimentos e mercado de trabalho aquecido como combustíveis adicionais. O boom de investimentos em inteligência artificial aparece como vetor extra de demanda a Citadel estima US$ 750 bilhões em capex de IA em 2026 e US$ 1,25 trilhão em 2027, puxados por nomes como OpenAI, Anthropic e SpaceX.
Nesse cenário, Flight projeta cerca de 75 pontos-base de altas ao longo de 2026, com movimentos em setembro e dezembro, seguidos por mais uma alta em março de 2027. Pelo menos cinco dirigentes do Fed devem sinalizar apoio ao aperto nas próximas projeções, segundo a estimativa interna da firma. A aposta de que Warsh imprima viés hawkish em sua estreia ganhou força entre operadores tema que o BitNotícias já explorou ao mostrar que o novo presidente assume com perfil duro.
Kalshi aponta 60% de chance de aperto até julho de 2027
A leitura da Citadel não é isolada. O mercado de previsões Kalshi precifica em 60% a probabilidade de uma alta de juros antes de julho de 2027. Pesquisa do Bank of America mostra que quase 40% dos gestores esperam alta de juros nos próximos meses.

O BNP Paribas também revisou a leitura. O banco francês agora prevê três altas de juros, citando emprego forte, inflação persistente e riscos geopolíticos. Operadores de opções, por sua vez, seguem divididos sobre o próximo passo do Fed, com posições travadas até a coletiva de Warsh.
Bitcoin perde fôlego perto de US$ 65 mil
Para ativos de risco, o recado é direto. A Citadel adverte que um período prolongado de política monetária restritiva pesa sobre múltiplos de avaliação. Juros mais altos e menor liquidez global reduzem o apetite por Bitcoin, principalmente durante ciclos de aperto.
O BTC opera a US$ 65.247 (cerca de R$ 330.515), com recuo de 1% em 24 horas. O Ethereum negocia a US$ 1.753, em queda de 1,4%, refletindo a postura defensiva dos investidores antes do FOMC. No Brasil, a dinâmica importa por dois canais, o dólar segue como variável central para o real e exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit costumam ver volume cair quando a aversão a risco global aumenta. A reação dependerá menos da decisão de hoje e mais do calendário oficial do FOMC nas próximas reuniões.