- Liquidações somam US$ 449,63 milhões em 24 horas, com 145 mil traders atingidos
- Bitcoin perde US$ 63 mil após Trump declarar fim do memorando com Irã
- Longs concentram US$ 343 milhões das perdas em Bitcoin, Ethereum e XRP
O mercado de bitcoin registrou uma das piores sessões do trimestre nesta quarta-feira. A queda foi puxada por uma nova rodada de tensão geopolítica no Oriente Médio, agravada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o memorando de entendimento com o Irã.
O ativo perdeu o patamar de US$ 63 mil e é negociado em US$ 62.070 (cerca de R$ 318.724), com recuo de 2,1% em 24 horas. A queda arrastou o restante do mercado e detonou posições alavancadas em cascata nas principais exchanges.
Liquidações passam de US$ 449 milhões em 24 horas
Dados da CoinGlass mostram que 145.221 traders foram liquidados no período, totalizando US$ 449,63 milhões em posições zeradas. As perdas se concentraram nos longs, que responderam por US$ 343,43 milhões, contra US$ 106,20 milhões do lado vendido.
Na Binance, uma posição de US$ 7,24 milhões em ETHUSDT concentrou a maior liquidação individual do dia. Por ativo, o Bitcoin lidera as perdas com US$ 99,90 milhões, seguido pelo Ethereum com US$ 90,67 milhões. Solana somou US$ 24,19 milhões, enquanto o XRP teve mais de US$ 9 milhões em contratos encerrados à força.
O Ethereum acompanhou o movimento e recua para US$ 1.739, com queda de 2%. XRP negocia a US$ 1,08, em baixa de 3%, e a Solana lidera as perdas entre as majors com recuo de 4%. ADA e AVAX operam entre 6% e 7% abaixo do fechamento anterior.
Trump diz que acordo com Irã acabou
O gatilho da liquidação veio da cúpula da OTAN. Trump afirmou que o memorando de entendimento com Teerã está encerrado, “Para mim, acabou.
Não quero mais lidar com eles”, disse.
O republicano classificou novas negociações como “perda de tempo” e repetiu que o Irã “nunca” terá uma arma nuclear.
Em paralelo, a Guarda Revolucionária Islâmica confirmou ataques contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, em retaliação a operações no Estreito de Ormuz e ao endurecimento de sanções sobre exportações iranianas de petróleo. A imprensa israelense também relatou o cancelamento de uma visita do secretário de Defesa Pete Hegseth a Israel, sinal de que a Casa Branca opera em regime de contingência.
O barril de Brent voltou a subir e pressionou ativos de risco em bloco. Ações de tecnologia, futuros de índices americanos e criptomoedas caíram simultaneamente, indicando que o mercado não trata mais o BTC como hedge contra crise geopolítica de curto prazo.
Leverage ratio em nível de alerta
O episódio se soma a um cenário de fragilidade estrutural. O indicador NUPL monitorado pela CryptoQuant ainda não sinaliza fundo de mercado, e a alavancagem agregada em derivativos vinha em máximas locais antes da queda. Quando o preço rompe suportes com open interest inflado, a cascata de liquidações amplifica o movimento foi o que aconteceu nas últimas horas.
Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo. A cotação em reais amortece parte da queda por conta do dólar a R$ 5,1615, mas exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit registram spread mais largo em momentos de estresse, o que encarece entradas e saídas. Traders com posições alavancadas em BTC/BRL na B3 via ETFs também sentem o repasse, ainda que com atraso de sessão.
Próximos gatilhos: Fed e payroll
O calendário macro dos próximos dias inclui declarações de dirigentes do Federal Reserve e dados de emprego nos Estados Unidos. Uma leitura fraca de payroll pode reacender apostas em corte de juros e devolver fôlego ao fluxo institucional para ETFs de Bitcoin, que voltou a ficar positivo na semana passada com o IBIT da BlackRock captando US$ 209 milhões em um único pregão.
No curto prazo, porém, o mercado precifica premium de risco geopolítico. Enquanto Trump mantiver o tom hostil sobre o Irã e o Estreito de Ormuz seguir sob ataque, o teto para bitcoin permanece limitado à faixa de US$ 63 mil, com US$ 60 mil como próximo suporte técnico relevante.