Bitcoin volta a perder US$ 60 mil e queima US$ 850 milhões em liquidações

  • Bitcoin retorna a US$ 59,2 mil e atinge mínima desde outubro de 2024
  • Liquidações somam US$ 850 milhões, com 92% vindo de posições compradas
  • Ações da Strategy desabam 11% e arrastam mineradoras e Coinbase

O Bitcoin rompeu novamente a barreira dos US$ 60 mil nesta quarta-feira (24) e despencou para uma mínima intradiária de US$ 59.175, devolvendo o ativo aos níveis vistos pela última vez em outubro de 2024. A queda de quase 6% em 24 horas detonou uma cascata de liquidações que somou mais de US$ 850 milhões em todo o mercado de derivativos cripto, segundo dados consolidados de plataformas de monitoramento.

O recuo foi concentrado em apostas otimistas. Cerca de US$ 780 milhões das liquidações vieram de posições compradas (long), enquanto apenas US$ 84 milhões partiram de vendidos. No momento da publicação, o BTC está negociado em US$ 59.700, equivalente a aproximadamente R$ 310.540 com o dólar em R$ 5,1996.

Gráfico Bitcoin
Fonte: coinmarketcap

A pressão se espalhou rapidamente pelas demais criptomoedas. O Ethereum caiu abaixo de US$ 1.600 e está cotado a US$ 1.577, enquanto Solana perdeu o patamar de US$ 70 e o XRP está em US$ 1,05. A capitalização total do mercado encolheu para cerca de US$ 2,1 trilhões, com retração de 3,6% no dia.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Suporte de US$ 59 mil vira linha de defesa

No gráfico diário, o Bitcoin perdeu todas as médias móveis relevantes, incluindo a de 50 e a de 200 dias, e retornou exatamente à zona de mínimas de junho, em torno de US$ 59.200. O analista Daan Crypto Trades destacou em publicação no X que o ativo atingiu a retração de Fibonacci de 78,6% do último repique, faixa historicamente associada à formação de topos ou fundos locais após rali expressivo.

O indicador Aroon também acendeu sinal vermelho. O Aroon Down marcava 100%, contra apenas 36% do Aroon Up, configuração que sugere dominância vendedora persistente. Para o leitor brasileiro acostumado a operar em corretoras locais, isso significa que romper para baixo dos US$ 59 mil abriria espaço técnico para um teste da casa dos US$ 55 mil, faixa que ainda não foi visitada neste ciclo.

O nervosismo aumentou com movimentações on-chain monitoradas pelo perfil Whale Factor. Carteiras associadas à BlackRock teriam transferido cerca de 2.700 BTC (US$ 168,6 milhões) e 53 mil ETH (US$ 88,1 milhões) para endereços ligados à Coinbase. Embora não haja confirmação de venda, depósitos em exchanges institucionais costumam preceder realização de lucro. O movimento se soma à recente saída líquida do IBIT, principal ETF de Bitcoin da gestora.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Strategy cai 11% e Peter Schiff reabre debate

O ajuste no preço do BTC bateu pesado nas ações ligadas ao setor. Os papéis da Strategy (ex-MicroStrategy) chegaram a recuar 7% no intradiário, atingindo mínima de US$ 84 antes de fechar próximos a US$ 95 uma tendência que já vinha sendo monitorada quando o papel furou US$ 100. A queda reabriu a discussão sobre o modelo de tesouraria de Bitcoin defendido por Michael Saylor.

O crítico histórico do BTC Peter Schiff voltou à carga sugerindo que a Strategy deveria vender parte de suas reservas para financiar recompra de ações e fechar o desconto entre valor de mercado e ativos subjacentes. Schiff reconheceu, porém, que uma venda relevante pressionaria ainda mais o preço da criptomoeda. Outras empresas do segmento, como Strive, Bitmine e SharpLink, também recuaram, junto com Coinbase, Robinhood, Circle e Galaxy Digital.

ETFs spot acumulam saída de US$ 330 milhões em dois dias

Os fluxos institucionais reforçam o cenário defensivo. De acordo com a Farside Investors, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram aproximadamente US$ 180 milhões em saques líquidos entre segunda e terça-feira. Os fundos de Ether somaram outros US$ 152,5 milhões em resgates no mesmo período, totalizando mais de US$ 330 milhões deixando produtos regulados de cripto.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O movimento dialoga com a aversão a risco que já castiga Wall Street. Desde meados de junho, o S&P 500 cedeu cerca de 3% e o Nasdaq quase 4%, com Nvidia, Microsoft e Apple no vermelho. Para o investidor brasileiro, o efeito é dobrado, além da queda dos ativos em dólar, eventuais oscilações cambiais alteram o resultado em reais. Quem comprou BTC na máxima histórica de 2025 já enfrenta perdas relevantes, com preços próximos a R$ 310 mil.

Mineradoras como IREN, Cipher, TeraWulf e Hut 8 também encerraram o pregão no vermelho, refletindo a margem comprimida quando o preço do Bitcoin se aproxima do custo de produção das máquinas mais antigas patamar que costuma forçar realizações adicionais e amplifica a pressão vendedora.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.