Bitcoin trava e junho começa sob risco de grande queda

  • Bitcoin falhou em sustentar US$ 83 mil em meio a oferta densa entre US$ 74 mil e US$ 83 mil
  • ETFs de Bitcoin nos EUA acumularam nove dias seguidos de saídas líquidas, somando US$ 2,8 bilhões
  • DVOL da Deribit caiu para 36, menor patamar desde setembro, com skew puxando para puts

A rejeição do bitcoin na zona dos US$ 83 mil em maio fez mais do que frustrar compradores. Ela redesenhou o tabuleiro de junho ao endurecer uma resistência já carregada de oferta, comprimir a volatilidade implícita e transferir parte do poder de decisão para o mercado de derivativos e para o fluxo dos ETFs à vista.

Negociado nesta manhã a US$ 73.805 (cerca de R$ 373,4 mil), o ativo opera mais de 11% abaixo do teto recente. O movimento coincidiu com uma sequência rara de saídas em ETFs americanos. Além disso, houve um posicionamento defensivo em opções, o que aumenta o peso de cada catalisador macro nos próximos dias.

O que trava o Bitcoin em US$ 83 mil

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Assim, a leitura combinada da Glassnode e da Deribit explica o teto. Mais de 15% do supply circulante foi adquirido na faixa entre US$ 74 mil e US$ 83 mil, segundo dados citados pela CoinDesk. Esse bolsão concentra vendedores que tentam zerar prejuízo justo no momento em que a demanda institucional perde tração.

Do lado dos derivativos, o índice DVOL da Deribit caiu para cerca de 36, o menor nível desde setembro. A volatilidade implícita comprimida convive com um skew de uma semana inclinado para puts. Isso é sinal de que traders pagam mais caro por proteção de queda do que por apostas direcionais para cima. Portanto, a combinação favorece o chamado pin: preço magnetizado em torno de strikes populares.

No vencimento de 29 de maio, a Deribit liquidou cerca de US$ 6,6 bilhões em opções. O open interest estava concentrado em puts de US$ 75 mil e calls de US$ 80 mil a US$ 82 mil. Esse desenho costuma sufocar o range até que um catalisador relevante force a expansão da volatilidade realizada.

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ETFs tiram o piso da demanda

O fluxo institucional virou contra o preço no pior momento. Os ETFs de Bitcoin somaram US$ 2,8 bilhões em saídas em nove pregões consecutivos até 29 de maio. Este é o recorde da janela negativa desde a estreia em 2024. A BlackRock, líder do segmento pelo IBIT, chegou a desovar mais de US$ 1 bilhão em BTC no período. Isso está conforme já registrado em movimentações da gestora.

Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo. Sem o fluxo dos ETFs, o spot americano perde uma fonte estável de bid, e a correlação com bolsas locais aumenta. Casas como Mercado Bitcoin e Foxbit observam volumes mornos em BRL. Enquanto isso, o dólar a R$ 5,06 reduz o cushion cambial que ajudou holders brasileiros em quedas anteriores. Sem ETF comprando e sem dólar subindo, a tese de proteção via BTC perde um dos seus dois motores no curto prazo.

Cenários para junho

O cenário base, considerando DVOL baixo e skew de puts em alta, é um range entre a região dos US$ 73 mil e a casa dos US$ 80 mil. Nessa faixa, operações de reversão à média e venda de força tendem a funcionar melhor do que tentativas de rompimento. Portanto, cada quinta-feira de vencimento semanal vira um teste de quem dita a próxima perna.

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O cenário de alta exige aceitação acima de US$ 83 mil em fechamentos diários, idealmente acompanhada de volta dos ETFs ao terreno positivo. Já o cenário de baixa abre se o piso de US$ 74 mil falhar com volume. Nessa situação, o mercado pode buscar zonas onde milhões de BTC entraram em prejuízo e a liquidez fica mais fina.

O contexto macro também pesa. Com o S&P 500 perto de recordes e cripto andando de lado, parte do capital institucional prefere a previsibilidade dos lucros corporativos a ativos voláteis. Contudo, uma surpresa do Fed, mudança no CLARITY Act ou retomada de inflows em IBIT e FBTC são os gatilhos capazes de quebrar a inércia do range em junho.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.