Bitcoin tem 10,46 mi de moedas em prejuízo e MVRV testa fundo

  • Supply em prejuízo do Bitcoin alcança 10,46 milhões e supera coins em lucro
  • MVRV recua a 1,1 e aproxima rede do custo médio agregado dos investidores
  • Holders de longo prazo absorvem 30 mil BTC em 30 dias após meses vendendo

A correção recente do bitcoin empurrou a maior parte da rede para o vermelho. Dados da Glassnode mostram que o Supply in Loss chegou a 10,46 milhões de BTC, superando pela primeira vez neste ciclo o volume de moedas em lucro. O marco coincide com a queda do ativo para a faixa entre US$ 60 mil e US$ 62 mil, agora cotado a US$ 62.086, ou cerca de R$ 324 mil.

O dado é relevante porque, historicamente, ciclos de baixa formaram piso justamente quando mais de 10 milhões de BTC ficaram submersos. A lógica é comportamental: depois de absorver grandes prejuízos, o investidor médio reluta em realizar perda, e a pressão vendedora tende a se exaurir. A questão é se há demanda do outro lado capaz de absorver essa oferta antes de uma capitulação mais profunda.

MVRV recua a 1,1 e encosta no custo médio da rede

O indicador MVRV (Market Value to Realized Value), que compara o valor de mercado ao preço médio pago pelos detentores, recuou para 1,1, segundo a CryptoQuant. Em termos práticos, o prêmio especulativo acumulado durante a alta de 2025 foi quase totalmente apagado. O preço hoje paira pouco acima do custo agregado da rede.

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Uma queda adicional para a casa dos US$ 50 mil empurraria o MVRV para perto de 1,0, patamar que raramente apareceu fora de fundos de ciclo. O contraste com o pico anterior é nítido: na máxima histórica, o indicador chegou a superar 3,0, sinalizando um mercado caro. Agora a leitura aponta para um reset profundo de avaliação, embora isso, por si só, não garanta reversão imediata.

A leitura do MVRV ganha peso quando combinada com o derivativo. O mercado futuro mostra shorts acumulados em US$ 2,6 bilhões, abrindo espaço para um eventual squeeze caso o preço reaja. Esse cenário foi destacado em análise recente sobre funding negativo, que mapeia gatilhos para uma recuperação técnica de curto prazo.

Holders de longo prazo absorvem 30 mil BTC em um mês

Outro sinal vem da base de detentores antigos. O Long-Term Holder Net Position Change voltou ao terreno positivo e indica acúmulo líquido de 30 mil a 35 mil BTC em janela de 30 dias. É o primeiro movimento consistente de compra desse grupo depois de meses de distribuição.

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Historicamente, acúmulo sustentado por essa coorte coincide com transferência de moedas das mãos especulativas para mãos pacientes. O ritmo atual ainda é moderado, longe da agressividade observada em fundos anteriores, mas mostra convicção reaparecendo abaixo da superfície. O movimento contrasta com a pressão vinda das baleias, que continuam depositando volumes expressivos na Binance e segurando o preço perto do suporte.

Impacto no mercado brasileiro e piso de mineração

Para o investidor local, o quadro tem leitura dupla. Com o dólar a R$ 5,22, a queda do bitcoin em moeda forte foi parcialmente amortecida no real, mas exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit registraram aumento de ordens de compra recorrente em planos de DCA, conforme padrão observado em correções anteriores. O ativo segue como o principal vetor de fluxo institucional via Hashdex, QR Asset e BlackRock.

Há ainda o limite estrutural apontado pelo Schwab Center: o custo marginal de mineração próximo a US$ 60 mil tende a funcionar como piso do ciclo, já que mineradoras desligam equipamentos abaixo desse patamar e reduzem a oferta de venda forçada. Combinado com 10,46 milhões de coins no vermelho e MVRV em 1,1, o conjunto desenha uma zona onde fundos anteriores se formaram — sem garantir, contudo, que este será diferente.

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O CryptoQuant ressalta que confirmação só virá com expansão de demanda à vista e fluxo positivo em ETFs spot, ainda ausente em novembro.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.