Saylor sinaliza nova compra de Bitcoin com prejuízo de US$ 11 bi

  • Saylor publica gráfico de acumulação e sugere nova compra de Bitcoin pela Strategy
  • Empresa carrega US$ 11 bi em prejuízo não realizado com preço médio em US$ 75.700
  • Ação MSTR cai 28% na semana após primeira venda conhecida de BTC em anos

O presidente executivo da Strategy, Michael Saylor, voltou a indicar neste sábado (7) que a companhia se prepara para ampliar sua posição em saylor bitcoin, mesmo com um prejuízo não realizado estimado em US$ 11 bilhões sobre o portfólio. A sinalização veio por meio do gráfico de acumulação semanal publicado pelo executivo, padrão que historicamente antecede novas compras pela tesouraria.

A Strategy mantém aproximadamente 843.706 BTC em balanço, posição que consolida a empresa como maior detentora corporativa do ativo. O preço médio de aquisição da carteira gira em torno de US$ 75.700 por unidade, valor bem acima da cotação atual de US$ 62.123, segundo dados de mercado desta tarde no horário de Brasília.

Venda de 32 BTC mudou o jogo

A semana foi atípica para a companhia. Em comunicado oficial, a Strategy revelou a venda de 32 bitcoins para honrar dividendos atrelados às ações preferenciais emitidas no último ano. O volume é irrisório frente ao balanço total, mas representou a primeira alienação conhecida de BTC pela empresa em anos.

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O efeito sobre o papel foi imediato. As ações MSTR recuaram cerca de 28% na semana, ritmo de queda que supera a desvalorização do próprio Bitcoin no mesmo intervalo. Investidores passaram a reprecificar o risco da estrutura de capital alavancada que sustenta a tese da companhia, baseada em emissões recorrentes de dívida e ações preferenciais para financiar compras de BTC.

Críticos do modelo passaram a questionar a sustentabilidade do esquema em períodos prolongados de fraqueza no mercado. A preocupação central é a capacidade de honrar os cupons das preferenciais sem recorrer a novas captações ou, no limite, a vendas adicionais de Bitcoin — exatamente o cenário que Saylor sempre rejeitou em discursos públicos.

Gráfico de acumulação vira ritual

A publicação semanal do gráfico de acumulação se transformou em um ritual de mercado. Cada vez que Saylor compartilha a imagem em sua conta no X, traders monitoram filings na SEC nos dias seguintes em busca da confirmação da compra. O padrão se repete há mais de dois anos e raramente falha.

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Desta vez, porém, o contexto é diferente. A Strategy lida com escrutínio crescente sobre sua governança após o próprio CEO Phong Le ter vendido US$ 11 milhões em MSTR em meio à queda das ações. No fim de semana anterior, Saylor publicou um manifesto endereçado à comunidade Bitcoin, movimento interpretado como tentativa de reagrupar a base diante das críticas.

Reflexo em baleias e no mercado brasileiro

A pressão vendedora não vem só da Strategy. Dados on-chain recentes mostraram depósitos elevados de baleias na Binance, padrão que costuma anteceder rodadas de distribuição. Para o investidor brasileiro, o quadro pesa sobre as cotações em real: o Bitcoin negocia próximo de R$ 324.326, ainda longe das máximas históricas registradas em reais durante o pico de 2025.

Há um detalhe regulatório local que reforça a atenção ao caso. A CVM e a Receita Federal vêm intensificando o monitoramento de tesourarias corporativas brasileiras que mantêm cripto em balanço — modelo inspirado justamente na Strategy. Empresas listadas na B3 que tentaram replicar a estratégia em escala menor enfrentam agora dúvidas sobre marcação a mercado e impacto contábil, já que a norma local não permite o mesmo tratamento favorável adotado nos EUA após mudanças do FASB em 2024.

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Assembleia de 8 de junho é o próximo marco

O próximo evento decisivo ocorre nesta segunda-feira (8), durante a assembleia anual de acionistas. Investidores aguardam detalhes sobre o cronograma de captações futuras, política de dividendos das preferenciais e, principalmente, se a empresa pretende manter o ritmo de compras mesmo com o BTC cotado abaixo do preço médio do portfólio. A resposta de Saylor pode definir o tom das próximas semanas para o MSTR e, por extensão, para o sentimento institucional em torno do Bitcoin.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.