- BitMine compra 89.026 ETH por US$ 197,64 milhões em quatro carteiras novas
- Tesouraria de Tom Lee chega a 5,2 milhões de ETH e mira 5% do supply total
- Baleia OG do Ethereum reaparece e investe US$ 4,26 mi em compra na baixa
A BitMine Immersion Technologies, comandada pelo investidor Tom Lee, voltou a movimentar o mercado de ethereum com uma compra estimada em US$ 197,64 milhões. A operação foi flagrada pela empresa de análise on-chain Lookonchain e ocorre justamente no momento em que o ETH negocia abaixo de US$ 2.200, perto da mínima recente.
Segundo os dados rastreados, 89.026 ETH foram transferidos das exchanges Kraken e FalconX para quatro carteiras criadas pouco antes das transações. O fluxo incluiu um envio de 25.000 ETH (US$ 55,67 milhões) pela Kraken, três transferências de 15.000 ETH (US$ 33,3 milhões cada) pela FalconX e um lote adicional de 19.026 ETH (US$ 42,28 milhões).
Estratégia de 5% do supply em andamento
A nova compra retoma o ritmo de acumulação após uma semana mais tímida. No período encerrado em 11 de maio, a BitMine adquiriu apenas 26.659 ETH, valor próximo de US$ 63 milhões — um quarto da média semanal anterior. Tom Lee atribuiu a desaceleração à proximidade da meta declarada pela empresa: deter 5% de todo o supply de Ethereum.
O balanço mais recente da companhia mostra um tesouro robusto. São 5.206.790 ETH, 201 BTC, US$ 775 milhões em caixa e outras posições. Desse total em ether, cerca de 4,71 milhões de ETH estão em staking, gerando receita anualizada de US$ 319 milhões e rendimento anual de 2,86% nos últimos sete dias.
O movimento se soma a uma tendência mais ampla. Levantamentos do setor já mostraram que empresas listadas acumulam ETH em ritmo recorde, com mais de 7 milhões de unidades travadas em balanços corporativos. O modelo replica, para o Ethereum, o que a Strategy de Michael Saylor fez com o Bitcoin nos últimos cinco anos.
Baleia OG volta ao mercado na baixa
A BitMine não está sozinha aproveitando os preços deprimidos. Outra carteira sinalizada pela Lookonchain pertence a um detentor antigo do ETH, que recebeu 11.005 ether da ShapeShift há uma década, quando o ativo era cotado a US$ 3,46. Esse mesmo endereço vendeu a posição há mais de um ano por US$ 2.777, embolsando US$ 30,5 milhões e um retorno de 803 vezes sobre o aporte inicial.
Agora, com o ETH abaixo de US$ 2.200, o veterano voltou. A carteira deployou US$ 4,26 milhões em USDC para comprar 1.951 ETH a aproximadamente US$ 2.182 por unidade — e há sinais de que ainda pode continuar acumulando.
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para quem opera ETH no Brasil, a leitura tem duas camadas. A primeira é a pressão estrutural de demanda: enquanto o preço cai no curto prazo, players de balanço continuam retirando oferta do mercado spot e travando em staking, o que reduz o float circulante nas exchanges. Esse mesmo padrão de staking recorde acima de 39 milhões de ETH tem sido apontado como fator de compressão de oferta nos últimos meses.
A segunda camada é o contraste com investidores institucionais tradicionais. Enquanto a BitMine acelera, fundos como o de Harvard cortaram exposição em ETFs de Ethereum, sinalizando uma divergência clara entre o capital nativo cripto e o capital alocador tradicional. Em ciclos anteriores, esse tipo de descolamento costumou anteceder movimentos bruscos — tanto para cima, quando o varejo institucional retorna, quanto para baixo, quando o capital nativo desiste.
Para investidores brasileiros expostos via Mercado Bitcoin, Binance, Foxbit ou ETFs de cripto na B3, o dado relevante é o tamanho da tesouraria da BitMine: 5,2 milhões de ETH equivalem a aproximadamente 4,3% do supply circulante, segundo dados públicos da própria empresa em comunicado oficial. Se a meta de 5% for cumprida, a BitMine se tornará o maior tesoureiro corporativo de Ethereum do mundo, com poder de barganha sobre liquidez e governança via staking.
No momento desta publicação, o ETH é negociado em torno de US$ 2.180, com US$ 2.100 no radar dos traders como próximo suporte técnico relevante.